Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, é remontada pelo diretor Flávio Melo

Álbum de Família, do dramaturgo Nelson Rodrigues com direção de Flávio Melo, pode ser considerado o melhor espetáculo teatral encenado em João Pessoa, em 2015 – e por um elenco de jovens atores em formação pelo próprio diretor na Estação Cabo Branco. O diretor está promovendo uma remontagem e promete leva-la para um novo festival de Teatro, que está sendo gestado pelo também teatrólogo, Tarcísio Pereira, em Guarabira.

A promessa é levar o espetáculo para o evento “Primavera do Teatro”, criado por Tarcísio Pereira com a chancela da Prefeitura de Guarabira. Merece ser registrado o acerto do prefeito da cidade, Zenóbio Toscano, em trazer de volta Tarcísio Pereira para pensar e fazer acontecer eventos culturais naquela cidade. Tarcísio estava cumprindo “exílio voluntário” em outra cidade no estado de Pernambuco, Salgueiro, onde foi secretário de Comunicação.

Voltando ao universo rodrigueano, Flávio Melo, soube colocar no palco um dos espetáculos mais complexos de Nelson Rodrigues e, por conseguinte, o mais censurado, ainda mesmo quando não existia censura prévia para espetáculos no Brasil. “incestos demais”, “alusão a amores proibidos com menores”, embasavam o discurso e a critica conservadora no Brasil em 1945, ano em que foi escrita e proibida. Só subiu aos palcos em 1965, nos melhores anos da cultura brasileira.

Por muito tempo acompanhei as inquietações de Flávio Melo e a sua “implicância” com a obra de Nelson – uma verdadeira “obsessão”. Em 2015, embora pouco vista em João Pessoa, o espetáculo emprestou algum sentido artístico e cultural à Estação Ciência. Mas, afinal, qual o escândalo de Álbum de Família?

A peça retrata uma família, que na visão do narrador, é genuinamente brasileira e normal e feliz, mas que na intimidade do lar é conflitada por paixões incestuosas e perversões diversas. Para usar um termo recorrente nos anos 1960 e 70. “Muitas taras numa só família”.

Enquanto o Brasil e os brasileiros agonizam neste ano da graça de 2017 do século XXI (já um pouco distante da metade do Século XX), diante dessa avassaladora onda conservadora em que o discurso do ódio de direita saiu do casulo paras as redes sociais; em que o politicamente correto virou patrulhamento ideológico e moral; a peça Álbum de Família”, se voltar aos palcos paraibanos outra vez, será uma ruptura na cena cultural. Oremos e aguardemos!

Da Redação.

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