Quo Vadis! Brasil deve suspender construção de submarino nuclear

O governo brasileiro decidiu esta semana adotar uma medida na área de defesa que muito deverá agradar aos Estados Unidos: considera suspender de forma prolongada o financiamento para a construção do submarino de propulsão nuclear SN-BR, já em andamento na fábrica de submarinos de Itaguaí-RJ. A Marinha brasileira apostava em lançar, em 2018, o submarino Riachuelo (a diesel), o primeiro de uma série de cinco, incluindo o nuclear, fruto de uma parceria com a França com transferência de tecnologia, assinado ainda no governo Lula e consolidada no governo Dilma.

O programa nasceu em 2008, tendo consecutivamente sofrido problemas com financiamento. A construção desses submarinos tem o objetivo de aumentar a proteção à costa brasileira e também à construção de um submarino com propulsão nuclear, obra de engenharia de ponta da construtora Odebrecht Defesa.

Fontes de Brasília não escondem o fracasso econômico do País após do golpe parlamentar que derrubou a presidenta Dilma Roussef, além de pressões políticas. O possível desmantelamento e fracasso do programa nuclear brasileiro e de construção do seu submarino nuclear interessa sobremaneira aos Estados Unidos. O acordo com a França, que prevê transferência de tecnologia, jamais agradou estrategistas militares do Pentágono, revelam analistas do setor.

Atualmente, o Brasil tem cinco submarinos – Tupi, Tamoio (o primeiro construído no país), Timbira, Tapajó e Tikuna – que começam a se aproximar do limite de vida útil, em geral de 30 anos. “No novo programa, os S-BR contemplarão capacidades operativas mais aprimoradas, em linhas gerais, terão mais autonomia, poderão ficar mais tempo submersos e serão mais silenciosos”.

Dezenas de engenheiros e operários estão na França fazendo curso de capacitação para domínio da tecnologia francesa. O corte ou redução no financiamento influirá diretamente na capacitação de pessoal. “A paralisação de trabalhos por apenas um mês representa dois anos no atraso da entrega dos submarinos”, avaliam especialistas em defesa.

Pelo acordo Brasil-França, os franceses constroem o casco e outros itens. A Marinha Brasileira já dispõe de tecnologia para construção de motores de propulsão nuclear. A Odebrecht Defesa tem expertise na área de construção, incluindo projetos de mísseis de médio e longo alcance.

A pressão internacional sobre o programa nuclear brasileiro e de construção do submarino de propulsão nuclear já se fazia sentir quando o programa foi anunciado.

Em 1988 o governo FHC assinou tratado de não-proliferação nuclear, documento que exclui a possibilidade do Brasil possuir armas nucleares, tornando o Brasil incapaz de dissuasão militar em caso de agressão à soberania nacional.

“Não faz sentido ter submarino nuclear se um país não dispõe de mísseis de cruzeiros ou balísticos, inclusive com capacidades nucleares. Construindo um submarino, as armas nucleares seriam o passo seguinte”, argumentavam na época do acordo com a França, setores alinhados com os Estados Unidos.

Da Redação

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