Após pogrom moralizante contra exposição de artes, teatro contra-ataca com comédia

Numa semana em que o país se depara com pogrom moralizante de censura às artes plásticas, protagonizado por jovens fascistas e de cunho religioso em Porto Alegre, a cena cultural de João Pessoa é sacudida pela estreia da comédia de costumes “Um Dia serei Suzana – a História de um Cabaré”, do dramaturgo Tarcísio Pereira. A peça volta a ser encenada duas décadas após encenações por grupos paraibanos de teatro, numa leitura e adaptação do diretor Roberto Cartaxo e faz temporada até domingo no Teatro Lima Penante, reaberto e revitalizado.

O elenco traz atores e veteranos do teatro Paraibano como Oswaldo Travassos e Omar Brito, como também , Sânzia Márcia Pessoa, atriz de longa vivência nos palcos paraibanos e Aymê Vasconcelos.

Em recente postagem o Facebook, o autor Tarcísio Pereira fez algumas reflexões e sobre a peça, que faz parte da aurora de Tarcísio como dramaturgo. “Escrevi essa peça quando tinha 19 anos. Fiz duas encenações dela, a última em 96. Agora, 21 anos depois, vem uma nova montagem com um elenco de grandes profissionais do nosso teatro, dessa vez sob a direção de Roberto Cartaxo. Estou ansioso para assistir essa nova versão. As imagens prometem. Obrigado a todo o elenco que leva ao palco uma das minhas primeiras criações”, postou Tarcísio Pereira.

O diretor Roberto Cartaxo vive um momento especial de sua produção artística, especialmente porque está colocando na cena teatral paraibana seu repertório de comédias. “Um Dia Serei Suzana”, entra em cartaz uma semana depois de uma outra comédia de costumes, “A Noite das Mal Dormidas”, escrita na década de 1970 de autoria de Niels Petersen com Deyse Borges, Kalline Brito e Maria Durand.

Promover e fazer rir parece este o caminho atual seguido por Roberto Cartaxo, em meio aos ventos de intolerância moralista que varrem o País. Serve como contraponto também ao mau humor que domina a realidade brasileira vivendo agora momentos de estado de exceção, intolerância com as artes e com seus protagonistas.

Ah! Mas alguém do distinto público poderá bradar que tratar de sexualidade feminina reprimida, como é o tom da comédia “A Noite das Mal Dormidas”, ou de homens fissurados em prostitutas profissionais e que acabam saindo do armário, são recursos démodé do teatro, não pode esquecer que o País tornou-se num bordel a céu aberto onde chafurdam políticos, juízes e empresários.

Comédias com o humor bizarro tão recorrente no teatro paraibano ou sem bizarrices são sempre bem-vindas!

Da Redação

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