Brasil tem novos santos: Papa canoniza mártires, vítimas dos holandeses no RGN

O Papa Francisco oficia no domingo (15) a canonização dos 30 "mártires do Rio Grande do Norte", cristãos vítimas de morticínios no âmbito das invasões holandesas no Brasil. O historiador José Evangelista falou à Sputnik Brasil sobre este período esquecido pela história brasileira.

Em julho e outubro de 1645, os brasileiros foram vítimas de massacres atribuídos a holandeses que ocuparam a região. O primeiro massacre aconteceu dentro da Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú, em Canguaretama. O segundo teve lugar numa outra igreja, desta vez, em Uruaçu, na localidade de São Gonçalo do Amarante.

Para o historiador José Evangelista, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, os fatos relativos a estes massacres ainda são muito obscuros, passados 372 anos.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o professor José Evangelista declarou que “o que se sabe é que o Nordeste brasileiro daquela época era ocupado pelos holandeses e havia por parte dos luso-brasileiros uma reação contra a presença dos holandeses que já estavam estabelecidos no Nordeste desde 1633".

"Deu-se então uma reação contra os holandeses em Pernambuco e algumas capitanias em que havia presença de holandeses.

O historiador descreveu os detalhes dos massacres perpetrados pelos holandeses, comentando as narrativas que se saíram como predominantes.

"Aqui no Rio Grande do Norte, o representante do governo holandês, aliado a um grupo de indígenas, reagiu previamente a uma possível insurgência e, de forma preventiva, invadindo em julho de 1645 uma igreja [Capela de Nossa Senhora das Candeias] e lá assassinaram diversos indivíduos, inclusive um padre. Posteriormente, em outubro de 1645, os holandeses invadiram um outro Engenho [Uruaçu em São Gonçalo do Amarante] e provocaram novo morticínio”, explica.

Para o Professor José Evangelista, predominou a versão difundida pela Igreja Católica.

“As motivações destes massacres ainda não muito conhecidas mas a Igreja Católica construiu uma narrativa de que a questão religião era a principal para a ocorrência deste massacre. Segundo a Igreja, estas pessoas morreram defendendo o catolicismo”, diz José Evangelista.

As motivações destes massacres ainda não muito conhecidas mas a Igreja Católica construiu uma narrativa de que a questão religião era a principal para a ocorrência deste massacre. Segundo a Igreja, estas pessoas morreram defendendo o catolicismo”, diz José Evangelista.

Ao contextualizar o período histórico, o especialista afirmou que “os holandeses, ao chegar ao Nordeste brasileiro, procuraram fazer uma aliança com os portugueses já que, na Europa, estavam rompidos com os espanhóis". Segundo ele, os holandeses estavam interessados na produção de açúcar e não tinham o domínio para explorar o açúcar.

"Quem tinha este domínio eram os portugueses e então os holandeses chegaram com a promessa de revitalizar os engenhos cujos donos estavam muito endividados. O conflito dos holandeses na época não era com os portugueses mas sim com os espanhóis. Tanto que, depois destes incidentes, o governo holandês enviou outro representante ao Brasil com a recomendação expressa de não se envolver em novos massacres e tentar, ao máximo, conquistar a confiança dos brasileiros", conta o historiador.

Os 30 mártires brasileiros que serão canonizados domingo foram beatificados pelo (falecido) Papa João Paulo Segundo em 5 de março de 2000. Dezessete anos depois, em 23 de março de 2017, o Papa Francisco autorizou sua canonização. E, neste 15 de outubro, os 30 brasileiros do Rio Grande do Norte serão definitivamente elevados à condição de santos pelo mesmo Papa Francisco.

Por Trás do Blog
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