Intolerância avança, mas artistas reagem contra a tentativa de restauração da censura

Em uma crítica irônica ao moralismo que tem dominado manifestações contra exposições de arte em várias cidades do Brasil, um vídeo anuncia a proibição da venda de bananas.

O motivo: "seu formato sexual fez com que não pudesse ser vendida. Estabeleceu-se moralmente que seria melhor não comê-la em público. Depois, foi estabelecido que só poderia ser ingerida picada, pois morder uma banana é constrangedor, trazendo a imagem de uma prática sexual que não podemos citar o nome por respeito às famílias brasileiras", diz a atriz Fernanda Brandão, que interpreta um texto de Marília Grampa.

Depois de protestos de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), o Santander cancelou no início de setembro uma exposição em Porto Alegre que tinha como objetivo retratar a diversidade sexual. No Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella proibiu a exibição da mostra "Queermuseu" no Museu de Arte do Rio (MAR). "Só se for no fundo do mar", disse em vídeo.

Na semana passada, outra manifestação contra uma mostra aconteceu em Belo Horizonte, e os casos de intolerância, sob alegação religiosa ou em defesa de “princípios” da moralidade proliferam pelo país. Alguns artistas notáveis começam a reagir, mesmo aqueles que apoiaram o golpe de estado.

Casos de censura se repetem por motivação religiosa

O banco Santander suspendeu a exposição “Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, montada em seu espaço cultural em Porto Alegre. A decisão veio após críticas e mobilização social encabeçada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que alegou que as obras expostas incitavam pedofilia e zoofilia. Com isso, calou artistas importantes do cenário nacional e internacional que tinham obras na mostra, como Volpi, Portinari, Leonilson, Flávio de Carvalho, Lygia Clark, Adriana Varejão, e nomes emergentes, como Bia Leite, autora da polêmica obra “Criança Viada”.

Dias depois, a peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, na qual Jesus Cristo é interpretado por uma mulher trans, foi proibida de ser apresentada em Brasília após decisão judicial.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a obra “Pedofilia”, da artista mineira Alessandra Cunha, conhecida como Ropre, foi retirada do Museu de Arte Contemporânea da cidade, depois que um grupo de deputados registrou boletim de ocorrência contra ela, sugerindo que a obra faria ofensa religiosa.

Brasil 247

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