Racha na UNESCO: Estados Unidos e Israel deixam entidade acusando-a de antissemita

Os Estados Unidos, logo em seguida o estado de Israel, anunciaram esta semana o desligamento, até dezembro, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um dos motivos: A possibilidade de o próximo diretor da UNESCO ser muçulmano. Ao longo de sua existência, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a UNESCO usa nomes árabes para referir-se ao Pátio das Mesquitas, local fica al-Aqsa, principal mesquita de referência para o islamismo. Israel e os EUA, não aceitam, e exigem que denominação seja Monte do Templo, que é uma referência para a religião judaica.

“A decisão não foi tomada de ânimo leve", disse o Departamento de Estado norte-americano em comunicado, considerando necessária uma "reforma na organização". Horas depois, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu anunciou que também Israel se preparava para abandonar a UNESCO, referindo ainda que a decisão dos EUA tinha sido "corajosa".

O comunicado do Departamento de Estado repete as velhas críticas norte-americanas contra um alegado "enviesamento anti-Israel" na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Netanyahu saudou o passo de Washington: “É uma decisão corajosa e moral, porque a UNESCO se tornou um teatro do absurdo. Em vez de preservar a história, distorce-a”, afirmou.

Em resposta, a diretora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova, lamentou a saída dos EUA: "Depois de receber uma notificação oficial do secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, pretendo expressar o meu profundo lamento em relação a esta decisão."

A UNESCO sempre condenou as políticas israelitas em relação ao complexo da Mesquita al-Aqsa, em Jerusalém, lugar sagrado para as três religiões do Livro em Jerusalém Oriental, ocupada na Guerra dos Seis Dias, em que o estado judeu tomou e anexou parte da Cisjordânia e Palestina.

Uma resolução da entidade usa apenas os nomes muçulmanos dos locais religiosos, e preferindo, por exemplo, a designação Pátio das Mesquitas a Monte do Templo. Os políticos israelitas revoltaram-se contra, e disseram ser uma negação dos locais históricos e espirituais do judaísmo por parte da UNESCO, e suspenderam as relações de Israel com a UNESCO durante algum tempo.

Esta decisão ocorre numa altura em que a UNESCO escolhe a sua próxima liderança, numa lista com sete candidatos, vários dos quais árabes e muçulmanos - um fator que poderá ter pesado na tomada de decisão norte-americana, já que o argumento é a tendência “anti-Israel” deste organismo da ONU. O governo Trump já decidiu transferir a embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém Ocidental, que também foi tomada do estado Palestino e anexada.

Al-Aqsar já foi quartel dos Cavaleiros Templários

A mesquita foi construída pelo califa omíada Abd al-Malik ibn Marwan (que também ordenou a construção do Domo da Rocha) no final do século VII. Sobre o local onde foi construída já existia uma pequena mesquita do tempo do califa Omar. Em 705, no tempo do califa al-Walid, a mesquita já se encontrava pronta.

Em 748, um sismo destruiria a mesquita, que foi reconstruída pelos califas abássidas, Almançor e Almadi. Um novo abalo de terra em 1033 danificou de novo a estrutura, que foi reconstruída dois anos depois pelo califa fatímida Ali Azair.

Durante o período do reino de Jerusalém, a estrutura serviu como palácio real e mais tarde como quartel general dos Cavaleiros Templários. Quando Saladino conquistou Jerusalém, o espaço retornou às suas funções de mesquita. Saladino ofereceu à mesquita um mihrab (nicho das orações) ricamente decorado, assim como um minbar (púlpito) de madeira de cedro.

Entre 1938 e 1942, a mesquita foi alvo dos últimos grandes trabalhos de restauração e continua sendo até hoje. O italiano Benito Mussolini ofereceu colunas de mármore de Carrara. Em 1969 o turista cristão australiano Dennis Michael Rohan lançou fogo à mesquita, provocando grandes danos, como a destruição do minbar doado por Saladino.

Esta mesquita, bem como o Domo da Rocha, tornou-se um dos símbolos do movimento nacionalista palestiniano. Até mesmo quando o estado de Israel conquistou Jerusalém Oriental em 1967, procedendo à reunificação da cidade, manteve a administração da mesquita nas mãos dos muçulmanos.

Fonte: Público.pt

Por Cláudia Barata, Cláudia Carvalho Silva e Alexandre Martins

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