CNBB critica uso de emendas como barganha e pede reação contra corrupção

Após conferência realizada entre os dias 24 e 26 desta semana, o Conselho da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou duas notas duríssimas contra o governo Michel Temer pelo uso de emendas em barganhas políticas e pela portaria que flexibiliza a fiscalização do trabalho escravo no País. Uma terceira nota a CNBB reage à utilização de símbolos católicos em exposições artisticas.

A nota sobre o atual momento político, assinada por Sergio da Rocha (arcebispo de Basília), Dom Murilo S. R. Krieger (arcebispo de São Salvador da Bahia) e Dom Leonardo Ulrich Steiner (bispo auxiliar de Brasília), presidente, vice-presidente e secretário-geral da CNBB, respectivamente, aponta que os retrocessos do atual governo afetam "tanto a população quanto as instituições brasileiras".

"A barganha na liberação de emendas parlamentares é uma afronta aos brasileiros", atestam os líderes religiosos. Eles acrescenta que a retirada de indispensáveis recursos em áreas como saúde, educação e programas sociais "aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas". "O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave", ressaltam.

"É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País", alertam.

Os líderes da CNBB ressaltam ainda que "só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum".

Reação contra o trabalho escravo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também classificou, em nota, como desumana e considerou um retrocesso a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, que alterou as regras para classificação e combate ao trabalho escravo.

Segundo a nota, “tal iniciativa elimina proteções legais contra o trabalho escravo arduamente conquistadas, restringindo-o apenas ao trabalho forçado com o cerceamento da liberdade de ir e vir. Permite, além disso, a jornada exaustiva e condições degradantes, prejudicando assim a fiscalização, autuação, penalização e erradicação da escravidão por parte do Estado brasileiro”.

De acordo com o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a medida "diminui a força no combate ao trabalho escravo" por mudar a definição do que seja essa prática e os modos de averiguação e punição. Para o bispo, as pessoas não devem ser tratadas como objetos de ganância. "A pessoa humana tem a sua grandeza, tem a sua dignidade, e nós todos, eu creio, como sociedade brasileira, queremos cuidar dos nossos irmãos e irmãs que trabalham e trabalham em um trabalho pesado, que nós não desejamos que seja forçado."

A nota da CNBB reconhece a importância da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a "portaria da escravidão", conforme intitula a confederação, e destaca que o país "tem o dever de repudiar qualquer retrocesso ou ameaça à dignidade e liberdade da pessoa humana".

Em defesa dos símbolos católicos

Uma terceira nota ainda alerta os cristãos católicos para o crescimento da intolerância e do fundamentalismo contra símbolos da fé católica em manifestações isoladas e exposições “artísticas”.

Os bispos reconhecem que “em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino”.

Agência Brasil:

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