Opinião: os ministros do Supremo são de fato o que eles dizem sobre eles mesmos?

Tratemos do nosso pavoroso “Triângulo das Bermudas” – os três poderes da República, começando pelo Executivo. O que faz um rei sem reino? Procura e instala o seu. Temer achou o dele! Ambos moribundos, o país e o reino, o Brasil o merece o seu rei sem choro, sem vela – e com fita amarela! Ingênuos são todos que depositam no povo suas esperanças num momento de debacle irreversível do país. Aliás, ao longo da nossa história, aqueles que pensaram o Brasil potência, sonharam um país mais justo, lutaram e perderam, e sempre formaram a minoria.

Desgraçadamente seguimos uma Nação em vias de afogamento nesse “Triângulo das Bermudas” – e o golpe ainda não acabou. Enquanto na Câmara Federal assistimos o descaramento com a votação que rejeitou a segunda denúncia por corrupção, organização criminosa e obstrução da justiça contra o interino do Palácio do Planalto, no Supremo Tribunal o espetáculo foi um pouco mais bizarro.

Como diria o açougueiro, vamos por partes. Atentem para diálogos como estes travados entre ministros do STF, quando discutiam a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará. Do nada, mudam de assunto para a troca de farpas.

– “Vossa Excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, é Estado de Compadrio. Juiz não pode ter correligionário”, disse Luis Roberto Barroso ao colega Gilmar Mendes na sessão do STF de 26/10/2017.

O ministro Gilmar havia iniciado a troca de farpas relembrando que Barroso havia colocado em liberdade Zé Dirceu; e Barroso rebate afirmando que Gilmar não “costuma trabalhar com a verdade” – é mentiroso, certamente. E Foi além.

– “Não transfira para mim esta parceria que Vossa Excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”, respondeu Barroso.

Os ministros do Supremo são de fato o que eles dizem sobre eles mesmos?

Revelações assim certamente devem ruborizar os brasileiros tidos como pudicos. Mas se eles são realmente o que eles mesmos dizem em relação uns aos outros, surpreendem a quem?

Certamente o Supremo Tribunal deixou de ser o que diz ser e, de há muito, a Câmara Federal deixou de representar o povo. Mas o Supremo segue julgando, a Câmara legislando, e o governo de traição nacional governando. E se a sociedade criminalizou a política ao longo dos anos, é porque criminosos cuidam dela – o que torna o povo cúmplice ou mera testemunha e nunca vítima do infortúnio que se abate sobre a cabeça da Nação. Ponto.

A Justiça - Escultura em frente ao prédio do STF Foi feita em 1961 pelo artista Alfredo Ceschiatti não mostra a balança, que significa que a justiça trata todos por igual

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