Do fim da história de Fukuyama ao Brasil de 2017 – o fracasso como agenda nacional

Um filósofo norte-americano e funcionário do Departamento de Estado daquele país, Francis Fukuyama, lá no inicio dos anos 1990, ficou famoso ao escrever vários artigos, transformados depois em livro chamado “O Fim da História e o Último Homem” que, de forma reduzida e simplista, determinava que “o fim da história significaria o fim das guerras entre estados, as revoluções sangrentas desapareceriam pois os homens satisfariam suas necessidades econômicas básicas através do trabalho sem luta de classes”.

Era uma lorota gigantesca, mas o Fukuyama fez muito sucesso na mídia impressa. Lembro que àquela altura, o Jornal Correio da Paraíba editava um caderno chamado “Caderno 3”, oito páginas repletas de reportagens a partir de livros, teses de Dourado e Mestrado, de universidades – principalmente paraibanas – e o pensamento desse filósofo ganhou quase quatro páginas, em função da realização de um seminário ocorrido na UFPB e que as teses do Fukuyama era o prato principal.

Francis Fukuyama sentenciava que, no mundo globalizado e unipolar, sem fronteiras, os conflitos desapareceriam. O tal filósofo, à época, surfava na onda mundial que assistia, perplexa, a queda do muro de Berlim, em 1989, e o fim da União Soviética, em 1991. A derrocada do socialismo espelhava a razão, e que a era das guerras e revoluções chegara ao fim – e se o mundo já era unipolar, países não precisariam de exércitos, as barreiras econômicas desapareceriam, e não havia mais necessidade de nacionalismo.

Era o auge do governo Collor e, lorotas como as levantadas pelo filósofo do Departamento de Estado, logo se tornaram verdades absolutas. Aí a tese do estado mínimo tomou força, Collor chamava os carros nacionais de “carroças”, que as universidades e escolas técnicas eram “inúteis”, e que tudo que procedesse da Europa ou Estados Unidos, inclusive ideias, pensamentos, métodos e modo organizacional, seriam a redenção pátria.

A DERROCADA DO PAÍS. QUE O POVO ASSISTE ENFRAQUECIDO

Esse filme de horror que está sendo reprisado agora depois do golpe de 2016 numa versão mais avassaladora, certamente em função do debacle do Brasil como Nação; que assume que não deu certo e que o fracasso do país atende aos desígnios divinos transformados em programa de governo e de partidos, ou pregações religiosas.

Agora, em 2017, o Brasil é governado por políticos declaradamente corruptos pela Justiça, além de serem àquilo que sabidamente sempre soubemos: agentes a serviço de interesses externos, prontos para desmancharem e liquidarem ativos, e recursos naturais.

Tanto que políticos entreguistas, denunciados como corruptos, comandam a economia e o programa de desmonte da Defesa e da soberania. Uns saíram do noticiário, como o senador Serra, exatamente para entregar aquilo que prometeram com o golpe de 2016.

Voltemos ao Fukuyama. A tese central da obra dele é que, de todos os regimes políticos surgidos na história humana, das teocracias religiosas da Antiguidade até as ditaduras fascistas e comunistas do século passado, a democracia liberal foi o modelo que se manteve mais intacto e emergiu vitorioso por ter como elemento-chave a noção de soberania popular sem conflitos, numa fraternidade desejada entre países ricos e pobres.

Enfim, a paz e a prosperidade como decorrência da globalização, do pensamento único neoliberal, longe do totalistarismo.

Os seguidores de Fukuyama no Brasil achavam que o país seria o laboratório perfeito, pois a sociedade brasileira , como todos sabemos, é concordata, pacífica, sem ressentimentos e que, se os pobres amam os ricos, a recíproca é verdadeira, pois tem entre eles, ricos e pobres, uma classe média que pensa ser branca, libertária, antiescravista e sem preconceitos ou racismos. E outras lorotas mais.

Francis Fukuyama pregava o fim da história, que o Brasil consagra ao perder protagonismo e soberania

Fonte: da Redação

Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black