Teoria queer: “queima, Bruxa!”, gritam manifestantes de direita contra filósofa judia J. Butler

Sob protestos, a filósofa norte-americana Judith Butler abriu no Sesc Pompeia, em São Paulo, o seminário Os Fins da Democracia. Manifestantes de direita chegaram a atear fogo num boneco com o rosto de Butler, aos gritos de "queima, bruxa". Sua palestra foi focada na questão palestina e sua crítica ao sionismo, considerado diretamente responsável pelo clima de guerra permanente aos palestinos e ao mundo islâmico.

A figura de Butler nos meios acadêmicos é mais associada ao campo de estudo da identidade de gênero e à teoria queer. Seu livro “Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade”, de 1990, é um dos títulos mais importantes da teoria feminista contemporânea. Para Butler, a identidade de gênero é um tipo de performance, culturalmente construída, múltipla e passível de mudanças: não é binária (dividida nas categorias homem e mulher) ou linear.

É contra esta teoria que forças de direita, atualmente em evidência no país, apelam para sentimentos religiosos, de cunho moral e político nas mídias sociais. Em entrevista à imprensa, Judith falou que o ataque a ela e ao que ela prega “emerge do medo a respeito de mudanças”.

A filósofa destacou que"não está claro se estamos vivendo no mesmo tempo político. Em várias partes do mundo nos perguntamos: em que século vivemos?", questionou a filósofa, do lado de dentro, onde falou para estudantes e acadêmicos.

Até algumas semanas atrás, Butler não passava de uma desconhecida para a maioria do grande público brasileiro. Até mesmo manifestantes que expressavam ódio durante o protesto, jamais leram ou ouviram falar na filósofa, que é judia, e se opõe ao que o estado judeu promove na Palestina.

Sua primeira vinda ao País, em 2015, passou quase despercebida. Aos 61 anos, a professora da Universidade da Califórnia é considerada uma das mais importantes filósofas dos EUA. Sua obra aborda temas como a crítica ao sionismo e a questão Israel-Palestina - esta, inclusive, era o tema da palestra. Mas o foco da ira dos grupos fascistas são ideias sobre a questão de gênero, expostas no livro Problemas de gênero - Feminismo e subversão da identidade, publicado em 1990. Mais de 350 mil pessoas assinaram uma petição online pedindo a proibição do seminário no Sesc Pompeia. "O brasileiro não aceita a depravação da nossa cultura", disse um manifestante. Outros carregavam cartazes contra o ensino da ideologia de gênero nas escolas. Num deles, lia-se: "Em defesa das princesas do Brasil". "Ela é personificação da ideologia de gênero, uma falsa acadêmica que defende uma falsa ideologia", afirmou a hoteleira Celene de Carvalho, dos grupos Ativistas Independentes e São Paulo Tem Jeito, cujo carro serviu de apoio para a caixa de som do protesto, que mesclava também representantes dos grupos Juntos Pelo Brasil, Direita SP e Carecas do ABC, organização de skinheads que se intitula "nacionalista", e defensores da intervenção militar. Entre os gritos de "fora, Butler" e "I love you, Trump", bradavam palavras de apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro.

Boneco da pensadora judia J. Butler é queimado durante protesto realizado por militantes fascistas em SP

Fonte: Carta Capital

Jornal do Comércio

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