Opinião: trabalhadores são como almas aflitas diante do estouro da boiada

De um economista, de cepa capitalista, sobre o colosso da nossa economia atual. “A proteção aos controladores da riqueza líquida não estimulou a criação de riqueza nova”. Acho que ele quis dizer que o Brasil erra em dar proteção aos rentistas, pois riqueza nova certamente vem do trabalho e não da especulação ou da renda. Talvez seja por isso que o Henrique Meireles, que já foi presidente do Banco Central e é o atual ministro da Fazenda aplique o rico dinheirinho dele em paraísos fiscais, enquanto cria impostos aqui.

Talvez a razão seja porque o poderoso formulador da política econômica do governo que se instalou após o golpe de 2016, não acredite no sistema financeiro do país; Os bancos desconfiam de calote ou muitos desses financistas estejam (para usar o economês) sem liquidez?

E a realidade da vida, da economia do país, não correspondem às celebrações da manchetes que animam a vastidão de beócios, crédulos e lançadores de incenso ao tal deus mercado; de tal modo que nós, brasileiros, somos hoje como almas aflitas caminhando para o holocausto em manada desgarrada.

Almas ainda não aflitas dos trabalhadores que botam fé no discurso de que a reforma trabalhista, que entra em vigor esta semana, vai gerar aquilo que mais falta: empregos. O canto da sereia reverberado à exaustão pela mídia nativa.

Alguém lá no fundo da fila do desemprego pode apenas murmurar “segue o enterro”, tem alças para todos, como um slogan governamental.

A economia, a frágil democracia, o esboço de soberania, a autoestima nacional, tudo está dentro do caixão, pronto para descer seus sete palmos merecidos ou prometidos. Não é mais rocha; é castelo de areia dos que ficaram em casa enquanto uns poucos lutavam

Se não partilham da luta, vão compartilhar a derrota, sentenciava Brecht.

“Tudo que é sólido se desmancha no ar” é uma citação enxertada no velho Manifesto Comunista que atravessou o século XX, palco de tudo que ficou sólido e se desmanchou na entrada do século XXI. Desde o 11 de setembro na geopolítica, ao fim da democracia e do estado de direito que vivenciamos.

Esse mesmo economista do início deste artigo, ao analisar o quadro e compará-lo ao estouro da boiada, recorreu a Euclides da Cunha, pescando frases bem moduladas que bem calham na visão de que o povo é um conjunto de touros ainda mansos: "de súbito, num estremeção repentino, aqueles centenares de dorsos luzidios destroem-se em minutos, abatem-se ou esvaziam-se deixando-os os habitantes espavoridos. Milhares de corpos que são um corpo único, monstruoso, informe, indescritível, de animal fantástico, precipitado na carreira doida”.

Tal imagem pode traduzir o efeito ou estouro da manada; a caminhada do País para o futuro próximo, onde chagará menor daquilo que sempre foi, mas num contexto de guerra a ser despoletada em breve, sabendo que não teremos café, nem cana-de-açúcar, muito menos ferro para oferecer em exportações às nações que vão se destruir, porque nós mesmos cuidamos da nossa autofagia – já temos nossa guerra civil com 61 mortos ao ano e não precisamos de nenhuma Coreia ou Síria para ver que o sangue já escorre pela calçada.

Reforma torna trabalhadores almas aflitas. Estouro da boiada, já!

Por Trás do Blog
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