Frente Nacional Contra a Censura será instalada nesta terça-feira, 21, em Belo Horizonte

Artistas, intelectuais, jornalistas e ativistas de vários segmentos se reúnem nesta terça-feira, 21, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, para o lançamento da Frente Nacional contra a Censura. O compositor e cantor Chico Buarque de Holanda, ocupou as redes sociais no domingo conclamando o apoio para o movimento contra a censura comprovada em museus, exposições, redações de jornais, seminários e até mesmo em salas de aula em universidades, a exemplo do que ocorreu na UEPB, campus de Guarabira. O texto de convocação para o ato, os organizadores chamam a atenção para a ameaça à democracia.

“Passando por cima de direitos democráticos elementares; a onda obscurantista que assola o País vem condenando exposições, peças de teatro, apresentações de dança, shows e outras atividades artísticas e culturais e promove retrocessos em vários aspectos da vida nacional. Tal movimento visa controlar e cercear as liberdades de pensamento, de criação e manifestação artística legítimas de nosso povo.

Ainda segundo a nota, seguindo esse caminho de resistência, entidades da sociedade civil, intelectuais, artistas, personalidades e ativistas de diversas áreas e segmentos democráticos em âmbito nacional estão articulando uma – Frente Nacional Contra a Censura – a ser lançada formalmente no dia 21 de novembro, no Palácio das Artes.”

Movimento de artistas começou de forma expotânea

Desde o mês de outubro, começou a circular na internet um documento assinado por 524 artistas e intelectuais. Nomes como o escritor Milton Hatoum, o neurocientista Sidarta Ribeiro e o artista plástico Nuno Ramos subscrevem uma “carta-manifesto pela democracia” que os coloca contra “o recrudescimento da onda de ódio, intolerância e violência à livre expressão nas artes e na educação”.

"A elite cultural brasileira não pode nutrir o desprezo que hoje nutre pelo povo"

A convocação enumera casos recentes de censuras e proibições a exposições e artistas, como o caso do Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre, a performance La bête, de Wagner Schwartz, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, e a peça O evangelho segundo Jesus, rainha do céu, no Sesc de Jundiaí.

No primeiro caso, algumas obras foram acusadas por grupos organizados em redes sociais, com destaque para o Movimento Brasil Livre (MBL), de promover a pedofilia e de ofender símbolos religiosos. As mesmas acusações foram feitas às demais obras.

Quando o texto dos intelectuais foi divulgado em Fortaleza, houve reverberação da polêmica envolvendo a artista plástica Simone Barreto, que teve sua obra alterada pela organização da XIX Unifor Plástica.

Outro caso mais recente, foi a tentativa de grupos religiosos fundamentalistas evangélicos em barrar a filósofa judia Judith Butler, autora da teoria Queer, em realizar uma palestra no SESC Pompeia, em São Paulo.

Vozes de setores fundamentalistas reverberam diariamente nas mídias sociais, que repercute declarações de parlamentares, a exemplo da deputada Eliza Virgínea, na Paraíba, e outros na Câmara Federal.

O movimento que surge em Minas Gerais contra a onda obscurantista e tentativas de impor censura, deve se ampliar por todo o país.

Chico Buarque associou sua imagem ao movimento nacional contra a censura, que está de volta neste séc. XXI

Da redação

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