Luiz Carlos Maciel, filósofo da contracultura brasileira, morre no Rio aos 79 anos

Luiz Carlos Maciel, jornalista e filósofo, um dos pioneiros da contracultura no Brasil nos anos 1960-70, morreu na manhã deste sábado, aos 79 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado desde o último dia 26 no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul, vítima de uma doença pulmonar obstrutiva crônica. Sua trajetória foi rica na transmissão da cultural chamada Underground - uma expressão usada nos anos sessenta para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Luiz Carlos Maciel foi importante para as gerações que curtiam o jornal O Pasquim, veículo de resistência e de humor.

Jornalista, dramaturgo, roteirista de cinema, filósofo, poeta e escritor. Apesar de sua vasta atuação no cenário cultural brasileiro, Luiz Carlos Maciel é lembrado por sua participação n'O Pasquim, com a coluna Underground.

Seus artigos sobre os movimentos alternativos que eclodiam no mundo, assim como as manifestações anteriores que lhes serviram de base, como o romantismo, o surrealismo, o existencialismo sartreano, a literatura da Beat Generation, o marxismo, entre muitos horizontes (re)descobertos na época. Este trabalho de difusão da contracultura lhe valeu o estereótipo de ‘guru da contracultura brasileira’.

Diz a lenda que ele foi dos mais versáteis em psicanálise

Eis um relato publicado pela mídia - Gaúcho, nascido em 1938, professor de teatro, com referências no currículo de temporadas na Universidade da Bahia (nos tempos de Glauber, Ana Adler, João Augusto e Eros Martins Gonçalves) e no Carnegie Institute, de Pittsburgh, nos Estados Unidos e idolatrado no Rio como interprete do filosofo Herbert Marcuse e autor de textos no Pasquim (segundo a lenda, era um craque em psicanálise e admirado por Millôr Fernandes, extremamente seletivo na seleção de amigos), Luiz Carlos Maciel marcou época na Rede Globo, onde talento e validade artística são medidos de forma implacável pelo sucesso comercial. Casado com a atriz Maria Claudia, protagonista de novelas, filmes e peças de teatro, não lhe faltava nada para fazer o encanto dos cariocas. Escrevia livros, teleteatro, dirigia espetáculos.

Desespero no enfrentamento do desemprego que grassa no País

Recentemente publicou um dramático relato da sua vida pessoal, face ao desemprego disse “um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto”? Escreveu antes de morrer.

Luiz Carlos Maciel escreveu por muito tempo no jornal O Pasquim sobre psicanálise e contracultura no mundo

Fonte De outros sites

JB

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