Não é apenas por Lula – é pelo Brasil e por uma Justiça que julgue com provas e sem ilações

Voltei a trabalhar no Sistema Correio de Comunicação e, como boa consequência, a conviver com velhos companheiros de jornalismo, entre eles Adelson Barbosa e, por empréstimo dele, lendo uma coletânea de textos apócrifos da Bíblia) – especialmente os Evangelhos não inclusos no cânone do atual cristianismo; confesso impressionado com o Evangelho de Felipe – para refrescar a cabeça em um momento tão crítico como o atual da nossa história; vésperas do julgamento de um recurso do Lula à uma condenação baseada em ilações e sem nenhuma prova.

Em meio à leituras de portais, fontes de “notícias falsas”, outros engajados; muitos empresariais e também propagadores de “notícias falsas” ou mentira em estado puro; poucas verdades, centenas de meia-verdades, intercalo com leituras do texto do Evangelho Segundo Felipe, que faz parte da biblioteca Nag Hámmadi. De repente, uma frase de Felipe sobre o papel de Jesus, de quem era apóstolo.

“Há quem se mantém oculto graças aos que estão manifestados”.

Malgrada comparação, quem se mantém oculto nesse dito julgamento do Lula? Os manifestados são muitos; os reverberadores ultrapassam os milhares.

O elemento oculto, nem tão oculto assim, agora sabemos tratar-se do Departamento de Estado dos EUA (treinou juízes e procuradores), que quer transformar Lula na “jóia da coroa” capturada da América Latina. Só os néscios absolutos acreditam na Lava Jato como purificador dos costumes políticos e como instrumento de combate à corrupção.

Manifestados estão seus tentáculos; a mídia que sempre odiou Lula, a classe média que se acha elite, embora classe social receptora e propagadora do rastrilho de ódio que já incendeia o País, agentes de estado; o Judiciário como um todo – ou quase todo.

Tenho que devolver os textos bíblicos apócrifos a Adelson depois do Carnaval, por isso essa leitura tensionada.

O Evangelho de Filipe é um evangelho de ditos, ou seja, uma coleção de sentenças encerrando grande sabedoria, atribuídas a Jesus. A atribuição do texto a Filipe é conjunturalmente moderna; Tal como se pressupõe moderna a Justiça – depositária de coletânea de teorias e escritos que no conjunto favorece à condenação, ainda que na ausência de provas; que condena com base no “domínio do fato”, ilações formuladas por procuradores que não escondem suas “convicções”.

O País vive um momento político em que a Justiça mantém pessoas presas até arrancar-lhes a confissão; pronta para obter delações desejadas contra aquele eleito inimigo; conduções coercitivas e exposição de acusados acorrentados pelos pés, cinturas e mãos, em demonstração de força e intimidação sob suposta cruzada anti-corrupção.

Tal como o Tribunal do Santo Ofício não se trata do “caso Lula”, mas do “caso Moro”

Este é o espetáculo que assistimos. Não se trata do “caso Lula”, mas do “caso Moro”, pois se a Justiça Federal do Rio Grande do Sul vai julgar apenas um recurso de uma condenação estranha, também arrasta o Judiciário para o banco dos réus. Tal como no Tribunal do Santo Ofício no século XII para a Europa e o resto do mundo, este julgamento será um marco divisor da justiça brasileira.

Alguns juristas apontam que depois de “bagunçarem” o Direito Penal”, os julgadores de Lula estão determinados a “bagunçar” o Direito Civil. Confirmada a condenação em segunda instância, quantos promotores e juízes espalhados pelo Brasil se sentirão motivados a processos e condenações com base no “domínio do fato” e condenações sem provas?

Primeiro os políticos adversários; depois qualquer cidadão – é só esperar pois as condicionantes para que aconteça são sedutoras para delegados, juízes e promotores, e com aval da Nação, que já foi antecipadamente derrotada.

Ilustração de julgamento do Tribunal do Santo Ofício, criado a partir de bula papal como purificador da fé cristã

Por Trás do Blog
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