A força de burilar palavras e aforismos poéticos em “Na Ponta dos Pés” – livro da jornalista Djane B

Impressiona como tempos tenebrosos – ou cinzentos como estes assim definidos por aqueles com sentimentos sacudidos, podem ser inspiradores para a cultura e até mesmo para irrigar veias poéticas. Fazer versos é burilar palavras, já traduzir a vida e sentimentos em aforismos poéticos é lirismo em meio à lassidão da realidade; é o que ocorre com “Na Ponta dos Pés”, 158 poemas da jornalista e produtora de rádio Djane Barros, cravados em livro da Editora A União.

O leitor pode se perder na contagem das sílabas métricas dos versos da poetisa Djane Barros, mas não há como se furtar diante da sua capacidade de criar aforismos em torno de sentimentos apaixonados; da rejeição; da boa-venturança; da busca amorosa ou do amor perdido ou que foi rejeitado. De jornalista se espera concisão na narrativa, e Djane faz isso em seus poemas breves, cujos títulos não exaurem tudo que os versos expressam.

“Outras vezes, prefiro a solidão da minha

Alma e me sinto menos só”.

Manifesta Djane em “O Abismo do Meu Eu”, para condicionar que Deus é quem a acompanha vazia em noites de abismos que os poetas sabem do que se trata, e quem faz o mesmo caminho em busca de amor pode compreender.

A narrativa da autora de “Na Ponta dos Pés” tem na verossimilhança os momentos vividos entre o cotidiano e a felicidade amorosa quase impossível. Se é possível a música atonal, também é possível na paixão; que faz cobranças, mesmo quando indefinida – não há tonalidade no amor, só na sua narrativa romanceada ou poética.

Em “Necessidade” (144) a autora expõe sobre seu jeito de amar e viver e expressa através de sua capacidade de construir aforismos.

“Palavras, gestos não me bastam

Necessito de atos que me defendam

Os sentidos, que me tapem os ouvidos”.

Assim ela cobra reciprocidade para ser metade de uma amor ou relação com “pouca vontade ou medo”, algo que ela diz não aceitar. “Necessidade” bem que poderia ser a abertura ou desfecho teatral do poema “Giga Pra Que Veio”(100) em que Djane se mostra taxativa, ou despachada.

“Se você veio apenas para me visitar, então,

Que se apresente na entrada para que a porta

Fique aberta para outro amor entrar”.

Para este artigo, foram pinçados alguns versos, porque lidos, relidos e até memorizados, por que o livro requer leituras recorrentes.

“Na Ponta dos Pés” traduz a imagem poética de quem busca alcançar o que está além do cotidiano. Se é permitido licença nestas observações, quem conhece Djane Barros, sua trajetória e militância no jornalismo, perceberá seu perfil de jovialidade desde a capa, que cheguei a imaginar ser uma a foto dos pés da própria autora, pois seus tênis de listras vermelhas são indissociáveis de sua motocicleta.

De tal forma e sorte que seus textos jornalísticos concisos se refletem neste livro de aforismos poéticos.

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