Tuiuti nacional foliões mandam governante tomar no Cu; candidato promete metralhar favela da Rocinha

A Escola de Samba Paraiso da Tuiuti levou para avenida seu enredo sobre a escravidão, um regime de trabalho bem recebido de volta pela Nação, provocando nonsense em narradores de TV que não relataram o que viram, constrangeu quem assistia dos camarotes de luxo; agitou a massa, mas temo que tudo não passe apenas de um grito de Carnaval; de licença poética carnavalesca.

Esta escola de samba fica em São Cristovão, antigo bairro imperial; levou para a avenida o tabuleiro do xadrez ou o estado do tuiuti em que o país se encontra ou vai jogar pós-carnaval.

Jack Vasconcelos, o carnavalesco da Tuiuti, se diz discípulo de Joaõsinho Trinta, não é comunista, mas causou catarse na avenida com crítica social e política num enredo histórico sobre a escravidão e o tuiuti que se transformou o Brasil - além de popularizar o termo “manifestoches” para todos aqueles iludidos pela onda moralista, e que vestiram a camisa da CBF se achando mais brasileiros que os demais no tuiuti nacional.

Do lado de fora da avenida do samba, imagens feitas no aeroporto Santo Dumont mostravam milhares de foliões

ocupando o saguão aos gritos de “Fora Temer” e “Ei, Crivella, vai tomar no cu!”.

Desconfio e até me angustia imaginar que foram apenas gritos de Carnaval. Temer derrubou um governo legítimo, responde pela acusação de formação de quadrilha, obstrução da justiça e corrupção; promove a destruição do país, e nem por isso corre risco de ser derrubado, e o máximo que o país consegue é estigmatizá-lo como um “vampiro” numa festa de carnaval ou nas redes sociais.

“Ei, Crivella, vai tomar no cu” parece não ser um grito de revolta pra valer

Crivella governa a cidade dita maravilhosa eleito pelo voto popular, é pastor e dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus, e implanta políticas governamentais elaboradas pelo clero que ele representa – portanto, um receituário conservador e fundamentalista de direita, numa cidade governada sob influência da sua igreja e, por outro lado, controlada pelo tráfico e/ou outras organizações criminosas, inclusive no comando dos partidos ditos legais.

Nesse xadrez que emerge a partir do Rio de Janeiro tem outra peça que se movimenta politicamente com chances de governar o Brasil. Trata-se de Jair Bolsonaro, deputado carioca, que se apresenta como timoneiro das hordas fascistas que varrem o País, paridas pela onda de ódio disseminada pela Rede Globo nos últimos anos.

A mídia relata que durante evento promovido na semana passada pelo BTG Pactual e para um público de mil executivos do mercado financeiro, Bolsonaro disse que “mandaria um helicóptero derramar milhares de folhetos sobre a favela, avisando que daria um prazo de seis horas para os bandidos se entregarem; findo este tempo, se a bandidagem continuasse escondida, metralharia a Rocinha”. Relatam que foi aplaudido de pé pelos banqueiros. A informação foi dada pelo jornal O Globo, mas remendada pouco depois na base do “não foi bem isso que ele quis dizer”.

Metralhar a Rocinha? Pura bravata! Neste enclave de pobreza no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro, bem embaixo do Cristo Redentor, com 70 mil habitantes, é uma comunidade a exemplo de outras no Rio, em que fuzis AK-47, a arma mais utilizada em guerras de libertação, são reais. Logo, só a estupidez ou discurso fascista para mandar metralhar a Rocinha –pois simplesmente quem assim o fizer, corre o risco de ser metralhado de volta.

Escravidão mostrada com realismo e alegoria

Desfile da escola encerrou com carro alegórico tendo Michel Temer retratado como um vampiro

Por Trás do Blog
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