Idos de março: instaurado estado de exceção, Brasil faz opção por caminho sem volta

Até o mundo mineral sabe que o estado de direito no Brasil se rompeu com o golpe parlamentar concluído em 31 de agosto de 2016; que essa intervenção militar no Rio de Janeiro segue um roteiro que desemboca num caminho sem volta e levará o país a um resultado em que todos perdem; maximizando a lição de que , se nunca deu certo um dia, não será a direita ou a mão da caserna que levará a Nação a um futuro exitoso. São os "idos de março" que se prenuncia longevo.

A ação das Forças Aramadas do Rio surge respaldada por aprovação massiva na Câmara; num sentimento de desesperança do povo carioca desiludido com uma situação de desgoverno, corrupção generalizada, convivência salutar entre miseráveis e muito ricos além do avanço de desemprego atroz; mas na sequência de um golpe parlamentar e da instalação no Palácio do Planalto de um presidente denunciado três vezes por corrupção, obstrução da justiça e formação de quadrilha. Um quadro surreal.

Gosto de recorrer à máxima de que há três maneiras de se resolver uma crise institucional em repúblicas como a brasileira, agora reduzida a republiqueta: da forma correta, do jeito errado, ou à maneira do Exército.

Esta terceira opção é a que se instaura inicialmente no Rio com perspectiva de ampliação para outros estados, trazendo de volta as Forças Aramadas como protagonista da política e de suas disputas e consequências, cujos atores são Temer e seu (P)MDB, Aécio e o PSDB inimputável; Lula demonizado, claramente perseguido e os partidos de esquerda; com a Nação movida ao ódio disseminado pela classe média, e pelo ressentimento do povo que se mostra o único derrotado porque direitos adquiridos se esvaem por conta da crise.

Magistrados se protegem; bandidos saqueiam bancos; rentistas e banqueiros se blindam

Aqueles que podem se protegem: Os magistrados se protegem numa redoma de privilégios e agem como parlamentares; os muito ricos salvaguardam fortunas legais ou não no exterior; a classe média pensa que vive em Miami, trabalhadores perdem seus postos, os miseráveis ocupam calçadas e os bandidos saqueiam bancos na mesma proporção em que rentistas e banqueiros se resguardam.

Analistas com acesso à caserna, avaliam que os chefes das Forças Armadas têm visões distintas do emprego direto dos seus efetivos no combate ao crime. É desvio de função em que o Exército deixa de ser solução para fazer parte do problema, e avalizam este enredo do caminho sem volta. O êxito no Rio sinaliza no fortalecimento políticos dos militares; malsucedidos, o descrédito é inevitável. Em qualquer cenário, a derrota é da democracia.

Por outro lado, causa surpresa saber que os militares concordam com a agenda neoliberal em curso pelos condutores do golpe, mesmo que isso custe a perda de protagonismo internacional que o país exercia e volte à condição de uma Nação quintal dos interesses dos EUA.

Resta saber se os militares estão convictos do risco de serem utilizados politicamente pelos barões de mídia patrocinadores do jornalismo de esgoto em voga e condutores da pauta do Judiciário, do governo, do Congresso e da manipulação da opinião pública. As Forças Armadas são depositárias da confiança e credibilidade como instituição. É um capital importante para ser desperdiçado como garantidor desse retrocesso proposto e conduzido pelas elites – agente longa manus de sabe-se lá quem.

E o Judiciário nesta conjuntura? Vai seguir avalizando a ruptura do estado de direito, ainda que não consiga disfarçar seu partidarismo; da primeira à última instância, com a soberba comum às castas privilegiadas em detrimento do crescente empobrecimento daqueles que já são pobres. Ainda não acabou!

Soldados do Exército bloqueiam acesso à favela no Rio de Janeiro numa ação já definida como "guerra ao crime"

Imagens retirados do Google

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