Marielle Franco: mídia naturalizou o ódio fazendo crer que todas as vítimas de violência são iguais

O assassinato da vereadora Marielle Franco(PSoL) mostra que o fundo do poço de intolerância e ódio plantados, disseminados e buscados com furou pela mídia nativa é ainda mais fundo e não se chegou nele, em função da catarata de verbalizações fascistas, incluindo até figuras de destaque do Judiciário nas redes sociais; todas as vítimas de violência não são iguais, como acreditam alguns, esquecendo que esta mesma mídia naturalizou o ódio no país.

“Existe, hoje, no Brasil, uma excessiva compreensão com direitos”. Esta expressão integra o discurso das autoridades que comandam a Intervenção Militar no Rio, o que “justificaria” mandados de busca coletivos, evidentemente em comunidades pobres; não nos bairros de luxo do Rio, destino certo e lucrativo das drogas. Além do pedido de expansão da intervenção para outros estados, pleiteada por políticos do PSDB – a Paraíba inclusa.

Foi um assassinato político, um marco divisor na crise que levou ao golpe de estado contra a Dilma e segue em expansão. O golpe, perpetrado pelas próprias instituições de estado, buscou legitimidade na narrativa avassaladora da TV Globo.

Esta, capitã dos demais conglomerados, a ponto de pautar e influenciar decisões do STF tentou “higienizar” os assassinatos da vereadora e do seu motorista Anderson, despolitizando-os, agora tenta assumir a narrativa em busca de esclarecimentos dos autores do crime.

Narrativa da mídia está limitada ao país; organismos internacionais fazem pressão sobre o país, que perdeu protagonismo político

Tem uma explicação. A narrativa da mídia nativa está limitada e sua repercussão só vai até os telespectadores do Jornal Nacional e de dos leitores da Revista Veja.

Marielle era ativista dos direitos da humanos, afrodescendente, lésbica, profissionalmente exitosa, pois ascendeu economicamente e politicamente, embora nascida, criada e moradora da famosa “Favela da Maré” – um resultado “habitacional” do Regime Militar, construída com restos de materiais de construção e por trabalhadores da Ponte Rio-Niterói.

Tropas do Exército patrulham vielas no Complexo da Maré, aglomerado de favelas próximo à ponte Rio-Niterói

Uma negra de sucesso, com Mestrado, detentora de mandato e uma liderança feminista, algo inaceitável pela chamada “Casa Grande”.

A repercussão internacional do seu trucidamento, especialmente na Europa, decorre desse histórico de sucesso; de uma mulher negra, emponderada num país primitivo como o brasil.

Para aqueles que achavam que derrubar a Dilma, criminalizar apenas o PT, prender Lula e tirá-lo da sucessão resolveria todos as demandas da direita que controla o atual aparelho de estado no país, acalmando conservadores, liberais e democratas seletivos ainda não acabou – o que vai justificar o aprofundamento do estado de exceção, provavelmente até com suspensão das eleições de outubro, caso o país entre em ebulição.

Para as esquerdas, movimentos populares e democratas sinceros, este duplo assassinato serve de aviso. Todos aqueles que seguirem em exposição contestatória, sintam-se ameaçados, e na mira - das milícias fascistas que já são visíveis até em cidades do interior do país, e até mesmo dos organismos de estado, exatamente aqueles que atuaram como longa manus para execução do golpe e do desmanche da soberania nacional.

Negra, lésbica, profissionalmente vitoriosa e ativista política, Marielle era tudo que a Casa Grande não suporta

Opinião

Imagens Redes Sociais

Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black