Fariseus da atualidade deixam o púlpito e abraçam o fascismo; são as 40 chibatadas menos uma

Eis que o mais famoso clérigo cristão de viés evangélico paraibano está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por usar o púlpito para pregação em defesa do candidato de extrema-direita à Presidência da República; algo como se o pregador fariseu não precisasse mais recorrer à dissimulação para enviar bênçãos às falanges fascistas que varrem o País.

Surpreendeu a muitos, mas o grau de conflagração que a sociedade vive, tornou-se impossível permanecer no armário.

Certa feita, durante um ensaio de teatro quando discutíamos um texto de Bertold Brecht, “Terror e Miséria no III Reich”, a cada noite de leitura, surgia a recorrente pergunta: “quem apoiou um crime horrendo como esse numa Alemanha civilizada?”

Aqueles que fazem teatro e jornalismo no Brasil agora de 2018, e que atravessaram 25 anos combatendo a ditatura nos palcos e nas redações, agora sabemos quem entre nossos amigos ou colegas de trabalho, teria apoiado o nacional-socialismo na Alemanha.

Não precisa esticar muito para entendermos que vivemos um clima de punitivismo desvairado e ao ler a notícia de que o clérigo paraibano, agora conhecido como guia espiritual dos fascistas, me fez rever um trecho do Evangelho de Mateus, 23:23 em que o Cristo confronta os clérigos da época mais ou menos assim:

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Não esquecendo que o lema que os impulsiona no momento é “Brasil acima de tudo e Deus acima de Todos”, algo nada criativo do publicitário da campanha que deve estar se achando "Leni" Riefenstahl da propaganda. Por irônico que possa parecer, o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio, prenuncia a "Noite dos Cristais" que o país viverá em 2019 se o fascismo vencer nas urnas ou por outros meios.

Museu Nacional do Rio de Janeiro em chamas

Eu diria que os fariseus cristãos atuais se enquadram na turma dos sacerdotes dispostos a abençoarem essa nova Cruzada da intolerância. Como pregam para uma classe média ressentida, pois de volta às dificuldades do proletariado, não se mostram mais pudicos.

Ao abraçarem aquele que faz apologia à tortura e aos torturadores, esquecem que o Cristo, antes de ser morto fora torturado; o costume judaico da época recomendava antes do assassinato, a aplicação de 40 chibatadas. O Cristo levou 39; tá lá em João, 19.

Painel na Igreja de Santo Antônio, em Patos-PB, cena da pregação cristã

Quarenta chibatadas menos uma em 2018. O calvário da Nação só começa mesmo em 2019, seja qual for o resultado eleitoral. E não há ressurreição possível sem que o sangue jorre nas calçadas.

Da Redação

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