Brasil colapsou enquanto projeto de Nação, mas o som do navio segue anunciando tempo bom

Em um ensaio primoroso do estrategista Dmitry Orlov, traduzido por btpsilveira e publicado pelo Blogdoalok, é descrito o colapso contínuo dos EUA. Mas por analogia, é possível tirar algumas lições sobre como o Brasil colapsou primeiro, mais rápido, devido ao seu próprio fracasso como Nação. Se levarmos em conta que somos uma economia em que o “deus mercado” - aquele que tudo proverá, é um engodo; e marca-passo há quarenta anos, se aceitarmos o fato que perdemos perspectiva com a visível desindustrialização do país, somado o fracasso na educação, além do fator “colapso social o político” (em que “as pessoas em volta tomarão conta de você ou que o governo tomará conta de todos), restaram para as Forças Armadas a tutela das instituições; elas mesmas desprovidas de sentimento de soberania. Não cabe comentar sobre o colapso da América, mas a análise sobre o colapso de seu satélite gigante que é o Brasil; se fosse possível mostrar um PowerPoint, um engodo que Procuradores conseguiram enfeitiçar o país e convencer a todos só com suas convicções, nosso estágio é mais ou menos este: .

Estágio 1: Colapso financeiro. Acaba a confiança de que “tudo está (financeiramente) normal”. Vide bula, o endividamento da classe média, dos aposentados e dos trabalhadores, agora desempregados.

 Estágio 2: Colapso comercial. Finda a confiança de que “o mercado proverá”. O país estagnou enquanto produtor de commodities, voltando à sua condição dos anos 1940.

 Estágio 3: Colapso político. Termina a confiança em que “o governo tomará conta de você” com políticas públicas; que restaram o pastor pentecostal como liderança moral e política, algo tão medievo o quanto se tornou a própria Nação. Os partidos simplesmente perderam a confiança do povo. A política foi criminalizada,

 Estágio 4: Colapso social. Não existe mais a confiança de que “as pessoas em volta tomarão conta de você”. A última campanha eleitoral mostrou que o seu inimigo é um parente próximo, ou trabalha na mesma empresa que você, ou frequenta o mesmo cafezinho no shopping. O estágio social é de guerra civil sem viés político algum. Sabe-se, agora, que milícias instaladas em partidos chegaram ao poder.

 Estágio 5: Colapso cultural. Acaba a confiança “na bondade da humanidade”. É possível assistir e até relevar a ira de um povo que apedreja inclusive museus.

Ao contrário do Titanic, a maioria dos regimes fracassados – caso dos governos FHC, PT e do golpe em curso, não afunda totalmente. Cerca da metade permanece acima da linha d’água e talvez a orquestra permaneça tocando músicas alegres. Nas cabines mais luxuosas, um estilo de vida esplendoroso pode ser mantido pelas elites. Vide Bula a casta do Judiciários, militares, banqueiros e líderes religiosos.

Mas para a maioria dos passageiros desse Titanic chamado Brasil, esse colapso resulta em pobreza, insegurança, instabilidade política e uma queda violenta na qualidade de vida. Além disso, em termos de movimento, um navio com a metade afundada não é mais um navio. O sentimento de ódio, latente na Nação desde a sua fundação, enxerga nos pobres ( a maioria dos passageiros, a verdadeira ameaça). Esse mesmo estamento social transformado em lumpenproleteriado, volátil no sentido de fácil manipulação, brutalizado e desprovido de cultura.

Ilusão de normalidade se mantém por longo tempo; a própria decadência ou fracasso como país

Uma coisa crucial: enquanto o sistema de som do navio continuar anunciando tempo bom e que o café da manhã continua sendo servido e enquanto a maioria dos passageiros permanecer nas cabines vendo televisão em vez de dar uma olhadinha pela janela, a ilusão de normalidade pode ser mantida por um tempo realmente longo, mesmo depois do colapso.

Durante a fase E1 descrita acima a maioria dos passageiros pode ser mantida em total ignorância (longe, portanto, de protestos e agitações) e somente quando a fase E2 chutar a porta (totalmente inesperada para a maioria dos passageiros) a realidade pode eventualmente destruir a ignorância e as ilusões dos passageiros objetos de lavagem cerebral.

Uma observação de Dmitry:

“O colapso, em cada estágio, é um processo histórico que leva tempo para adquirir tração, pois o sistema se adapta a circunstâncias cambiantes, acha compensações para as fraquezas e encontra maneiras de continuar funcionando a certo nível. Mas o que pode mudar de repente é a confiança, ou, para colocar em termos mais profissionais, os sentimentos. Um grande segmento da população ou determinada classe política dentro de um país ou mesmo no mundo inteiro pode funcionar baseado em certos conjuntos de pressupostos por muito mais tempo que a situação permitiria, mas também pode mudar para um conjunto diferente de suposições em curto período de tempo.

Só o que mantém o status quo depois desse ponto, é a inércia institucional. Ela impõe limites quanto à rapidez com que os sistemas podem mudar sem desabar completamente. Além desse ponto, as populações só continuarão a tolerar as velhas práticas enquanto não encontram substitutos para elas”.

Na política, por um lado, a esquerda tenta mudar o curso do trem descarrilado tendo a extrema-direita como maquinista. Imaginemos Ciro Gomes, Haddad, até mesmo o Lula agindo como se fossem o funcionário da ferrovia neste exemplo filosófico. Por outro lado, também os generais que tutelam as instituições estão prestes a assumirem de vez o comando da locomotiva desgovernada. .

A filosofia pede que imaginemos um funcionário de uma ferrovia trabalhando ao lado de uma alavanca que pode desviar o percurso de um trem. Eis que esse funcionário vê um trem desgovernado se aproximando. Em seu atual curso, o trem vai atingir milhares de trabalhadores que fazem reparos na estrada de ferro. Se o funcionário mover a alavanca e desviar o trem, porém, este entrará em um trecho da via no qual não atingirá os trabalhadores, mas apenas um – também ele fazendo reparos na estrada de ferro, mas em outro ponto. Não há como parar o trem. Não há como avisar aos operários (povo) do que está por vir. Pode-se mover a alavanca ou não. Ou se atingirá o fascismo que tenta seu próprio conserto da ferrovia, ou morrerão milhares. O sentido é apenas figurado sobre o dilema da Nação.

Quem vai mover a alavanca?

Fonte: Redação

blogdoalok

imagens: wikipédia

Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black