Nossa democracia existe, mesmo que só em princípio; atuais governantes não vão precisar dela em brev

O esquecido nos afeta muito mais do que o sempre lembrado e a ilusão de escolher é a mais importante das ilusões; esse, um truque da democracia, já em relação à falta de memória política ela nos mantém no círculo vicioso que a cada 30 anos nos joga de volta ao obscurantismo. Já esquecemos os episódios de 2013 a 2016. Agora, esse obscurantismo que paulatinamente se abate sobre o país, vem embalado de fundamentalismo religioso e moral – os malefícios desse novo normal do Brasil não estão no Planalto e nem na caserna, mas em cada púlpito fundamentalista, em cada bairro das cidades e dos campos. Foi a escolha do país.

O estresse político virou regra. O fantasma do comunismo, embalado pelo Departamento de Estados dos EUA é digerido por nossas elites desde os anos 1960, ressurge de forma tosca neste século 21, mas movido por um furor de ódio de classe, preconceito racial, destruição da política como possibilidade de governança e convivência; numa sociedade que se tornou brutal, estagnada culturalmente, de profunda aversão ao culturalismo e à formação educacional laica. Claro que o grau de demência coletiva ajuda, leva o povo a apedrejar museus, perseguir artistas e rejeitar qualquer indício de civilização.

Não é difícil entender o interesse estrangeiro, notadamente dos EUA, que por aqui encontra vassalagem fértil em todos os setores da cultura, estamentos militares e econômicos. Soberania e defesa de interesses nacionais nunca foram o forte das nossas elites. Isso, quando não havia profetas no país; hoje esses profetas proliferam em cada igreja de qualquer esquina e que lideram bancadas parlamentares em todos os níveis. Isso só realça o que sempre fomos: medievos e com sede de sangue, que jorra pelas calçadas de supermercados e vielas de comunidades pobres.

Militarização das escolas pode ocorrer simultaneamente ao ataque às universidades e centros culturais no país

Nova cruzada está em curso, prometida e em vias de realização no ataque às universidades.

Àqueles que iludiram a sociedade com a Operação Lava Jato, apontam suas baterias contra a Educação; não é por menos que o ministro da pasta é um colombiano desconhecedor dos problemas da própria pasta, mas decidido e avalizado para tocar a educação movida a civismo e ausência de senso crítico. O terror sobre universidades e escolas é um recurso recorrente no Brasil. E a militarização do ensino e escolas, apenas um meio.

Estado profundo é um termo político de origem turca, que serve para definir a conjuntura atual: temos um governo tutelado por militares, leiloado entre as forças econômicas que patrocinaram o golpe contra a democracia em 2015/16; um presidente em que seu secretário geral da Presidência já o definiu como “perturbado”; um Supremo Tribunal nem tanto supremo assim; uma mídia dividida entre a bajulação e ódio, especialmente a Lula e ao PT; um sociedade em estado de sítio onde facções criminosas dominam cidades e capitais.

A energia social do Brasil se move pela força da inveja e desconfiança, o que leva à crítica cada vez mais furiosa em que ninguém acredita nos políticos eleitos, que são invejados, definidos como corruptos, espertalhões ou simplesmente canalhas. Assim como se usa uma cunha para dividir outra cunha, a canalhice é utilizada para iludir e governar.

O futuro imediato do país é aprofundamento do estado de terror, que começa por exceções simples ou bizarras. Os que atualmente governam o país são incompatíveis com uma sociedade democrática – isto já está mais que claro. Movimentos de cerco à Igreja Católica, criminalização de movimentos sociais, intimidação de organizações da sociedade civil, violação de direitos e prerrogativas estão em voga, enquanto o povo segue nas calçadas e semáforos desempregado e néscios.

Já os trabalhadores, bem os trabalhadores perdem seus direitos de forma contemplativa ao som do choro daqueles condenados a trabalhar a vida inteira sem benefícios sociais, pois foi esta a escolha feita em 2018, inclusive pelos próprio trabalhadores.

Por Trás do Blog
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