Não só as mulheres brasileiras, mas essencialmente o povo padece da Síndrome de Madame Bovary

Por analogia, o Brasil atual e seu povo parecem personagens de novelas românticas do século XIX. Naquele tempo, poderia muito bem escrever os evangelistas da psicopatologia, a idealização do amor levou milhares de pessoas (a maioria mulheres) à devastadoras frustrações e decepções, porque o danado do “amor ideal” termina, inevitavelmente, em conflito com a realidade daqueles casamentos que se acabam na porta da igreja, ou dez anos após deixar o altar.

Tal como as mulheres; homens também, que se achavam aquilo que não eram, por isso Madame Bovary entra no enredo, assim caminha a Nação em 2019. O país quebrou por dentro, hemorragia geral nos seus intestinos; falência múltipla de suas instituições, avassaladora demência coletiva, e ainda assim, acreditando-se ser a Nação idealizada por José Bonifácio no século XVIII ou Leonel Brizola no séc. XX.

O fato é que jamais deixamos de ser um país medieval, mesmo com milhões de smartphones espalhados em todas as esquinas, canaviais, caatingas e serrados.

Imagem: Zezé Mota(D) numa cena do filme Xica Da Silva

Daí o ressurgimento em um futuro breve da nefasta UDN dos anos 60, que deixou de existir enquanto partido político, mas não como ideário dominante da classe média; se, nos anos 70 não havia uma empresa no Brasil, um negócio de uma porta só, que não precisasse ter um militar em seus quadros para poder se manter aberta e se a ditadura desse período abrigava militares da reserva em postos de direção, empresas estatais e instituições de ensino como forma de controle e, até compensação financeira, nada impede que o mesmo volte a acontecer ou já esteja em curso.

Mas voltemos a Madame Bovary, que fora casada com um esculápio, branca e com formação acadêmica, com seus sonhos e delírios eróticos fora do sacrossanto matrimônio, e que se achava aquilo que não era.

Tal como Bovary na sua busca alucinada por relacionamentos apaixonados e obsessivos, assim é ou sempre foi o povo brasileiro na sua relação com o Fascismo na sua terrível insatisfação emocional por armas, autoritarismos; sua classe média desejosa da volta da Senzala tal qual Donata, a esposa do publicitário do “Fascio” dos tempos recentes, e suas mucamas de araque na festa de aniversário em Salvador.

Mas o povo, no seu papel de Madame Bovary, já foi casado com a autoestima, vivenciou emprego pleno, furor por educação e curso superior, teve seus desejos de consumo alcançados num passado recente na figura do hoje encarcerado em Curitiba e eleito inimigo público número Um.

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Chegamos assim, à Mimese com a pessoa amada

Devido à obsessão com o companheiro sentimental, diria o consultor sentimental das multidões, o povo chegou mesmo a copiar seus gostos, e até forma de pensar, e esta Mimese se transformou em medo ao perder tudo que alcançou no matrimônio, deixou aflorar seu ressentimento coletivo, e este estado de insatisfação, leva o povo a chafurdar com o Fascio, seu amante preferido ao longo da sua História.

Os psicólogos afirmam sem medo de errar, que a síndrome de Madame Bovary apresenta como sintoma principal o estado melancólico.

E tal como Sigmund Freud, o pai da psicanálise, definia a melancolia como um árduo estado de desânimo, de desinteresse pelas coisas do mundo, incapacidade de amar, o povo assim se relaciona com o desemprego em aflige às famílias, perda inevitável e planejado de direitos. Impotente para lutar, mas encontrando um lenitivo nas redes sociais para postar a felicidade que não desfruta.

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Já o Fascio, o amante contumaz do povo, ocupa o país, não como um posseiro, mas como senhor de engenho, oferecendo aquilo que apenas tem a oferecer – o terror.

Tudo isso ou quase tudo, está na peça ainda inacabada “A Volta de Dom Sebastião – O Redivivo”.

Por Trás do Blog
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