Morre Antunes Filho, um dos influenciadores do teatro paraibano, diretor de Macunaíma e A Pedra do R

Morreu nesta quinta-feira, 2, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o diretor de teatro Antunes Filho, aos 89 anos. Ao longo de 60 anos de carreira, buscou novas técnicas inovou e revolucionou aquilo que se chama no meio teatral, de concepção do espetáculo. Antunes Filho, embora atuando em São Paulo, com seus espetáculos, proporcionou tremenda influência sobre teatro paraibano produzido nas décadas de 1980-90.

Até o início da década de 80, o teatro paraibano tinha uma estética claramente rural ou de gabinete. Uma reabertura do Teatro Santa Roza, pós-reforma, proporcionou a apresentação do espetáculo Macunaíma, direção de Antunes Filho. A partir deste espetáculo e desta apresentação, que causou furor nas autoridades da cultura, e impactou jovens atores, atrizes e diretores de teatro paraibanos, os grupos, companhias; assimilaram a estética de Antunes: palco nu, iluminação para suporte em cenas de contraponto.

Macunaíma foi tão importante para uma mudança estética no teatro paraibano, que meses após sua apresentação no Santa Roza, O Teatro Universitário encenava Papa-Rabo, adaptação de W. J. Solha do romance Fogo Morto, de José Lins do Rego e direção de Fernando Teixeira, que claramente assimilava as transições de cenas e suas construções vistas em Macunaíma. Tanto que Papa-Rabo foi para o circuito Mambembão, e em São Paulo, todo seu elenco voltou a assistir Macunaíma – para novo aprendizado, pois o elenco de Antunes havia sido renovado e o espetáculo, também. Macunaíma, segundo alguns críticos, foi “revolucionário” para o teatro brasileiro durante o século XX.

Se há um estilo teatral, Antunes Filho criou um. José Alves Antunes Filho, nasceu na Bela Vista, São Paulo, em 12 de dezembro de 1929.

Na estética teatral de autores, diretores e atores paraibanos, percebe-se a forte influência de Antunes. O ator Flávio Melo, foi seu discípulo e aluno. Ubiratan de Assis, João Costa, Fernando Teixeira e muitos outros, em seus trabalhos, deixam escapar para o palco a influência de Antunes Filho.

Antunes Filho deu nova concepção para a dramaturgia de Nelson Rodrigues(destaque da foto) nos anos 80

O Grupo de Teatro Ideodrama, dirigido por João Costa, encenou seus espetáculos nas décadas de 1980-90, sob forte influência de Antunes Filho. Espetáculos Como “A Mulher Sem Pecado”, de Nelson Rodrigues, “A Lira dos 20 Anos”, com o ator Flávio Melo, “Um Edifício Chamado 200”, de Paulo Pontes e os atuais dirigido por Costa, revelam esta influência e Antunes Filho, um dos melhores diretores de teatro do país no século XX.

Carreira ( Wikipédia)

Antunes Filho Iniciou a carreira dirigindo grupos amadores. Montou peças para a série Tele-Teatro, como O Urso, de Anton Tchecov em 1950. Depois foi convidado por Décio de Almeida Prado para trabalhar como assistente de direção no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Trabalhou com o grande diretor Zbigniew Ziembiński, com quem aprendeu a disciplina e a técnica.

Em 1953, estreou como diretor, com a peça Week-End, de Noël Coward. Em 1958, dirigiu O Diário de Anne Frank, de Francis Goodrich e Albert Hackett, um de seus grandes sucessos.

Durante a ditadura militar dirigiu a peça Vereda da Salvação (1964), de Jorge Andrade, que foi remontada na década de 1990.

É diretor do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), criado em 1982, onde já montou as peças A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1986), Paraíso Zona Norte (1990), Novas e Velhas Estórias (1991), Macbeth – O Trono de Sangue (1992), Gilgamesh (1995) e Drácula e outros Vampiros (1996).

Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues; encenação de Antunes Filho.

Em 1998, apresentou a evolução na pesquisa do ator com Prêt-à-Porter, uma série de espetáculos formados por peças curtas, escritas e dirigidas pelos próprios atores, através dos procedimentos desenvolvidos na busca de novos horizontes do teatro. Este núcleo revelou as atrizes Sabrina Greve, Arieta Corrêa e o ator Luiz Päetow.[4] Por este projeto, a Casa das Américas premiou o CPT com o Gallo de Habana, honraria só concedida a instituições que tenham contribuído com relevância para a evolução estética do teatro na América Latina.

Em 1999, montou a tragédia grega com o grupo Macunaíma, do CPT: Fragmentos Troianos (1999), adaptação de As Troianas, de Eurípedes. Esse espetáculo foi também apresentado no Festival de Istambul, na Turquia.

Em 2001 e 2002, apresentou duas versões para a tragédia Medeia, de Eurípides. Em 2004, dirigiu a peça O Canto de Gregório, apresentando o autor Paulo Santoro.Voltou à tragédia em 2005, com sua adaptação para Antígona, de Sófocles.

Dirigiu para cinema apenas uma vez, com o filme Compasso de Espera, um drama sobre racismo e protagonizado por Zózimo Bulbul e Stênio Garcia, esse seu ator predileto.

Em 2006, recebeu o Prêmio Bravo! de Melhor Espetáculo Teatral do Ano pela peça A Pedra do Reino (2006).

Da redação

Fontes: UOL, Wikipédia

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