Ataque às universidades é um passo à frente da extrema-direita diante de uma Nação despedaçada e de

“O que é fake parece fato, mas o fato, não raro, parece fake. O pior é que nem um, nem outro é realmente interessante”, disse o jornalista Paulo Nogueira, no embalo da tal pós-verdade, em que as interpretações, versões valem mais que os fatos, a tal ponto, que a mídia nativa para narrar os fatos, deixou de produzir notícia em função desse novo tempo. O poder está sob controle de milícias armadas, usa como método o ataque sistemático, amparado no moralismo caolho-cristão, seguro da covardia natural do povo.

Lá no final da década de 1980, o cineasta sueco Peter Cohen, lançou um documentário “Arquitetura da Destruição”, que mostrava o uso da arte de da estética pela Alemanha nazista que tornou popular a noção do “belo maligno”, já em 1932.

Imagens de portais nacionais das manifestações estudantis de maio de 1919

Essa estética escondia as mais variadas formas de preconceito para determinar a superioridade de uma “raça” e povo sobre os demais, exaltação da eugenia, a tal ponto que as monstruosidades cometidas por Hitler e seus seguidores foram tolerados pelo individuo comum, seja por medo, conivência ou desinteresse pessoal, permitindo que o regime nacional-socialista alemão pusesse em prática seus planos nefastos de Higienização social. Algo parecido com o que ocorreu a partir de 2013 no Brasil. E que se desenrola em 2019.

Se alguém é condenado sem provas, se todo o procedimento jurídico civilizado é ignorado pelo Judiciário e pela sociedade, fazendo com que juízes se apossem do “direito do inimigo”, é claro que os fatos não importam mais, nem muito menos o senso de justiça, tal como aprendemos.

Se a extrema-direita ataca as universidades, e ainda assim, assistimos manifestações de apoio por parte dos pobres e silêncio de pastores evangélicos e de setores da classe média, é porque compartilham o desejo da Arquitetura da Destruição. Numa guerra, antes de se destruir o inimigo, ataca-se primeiro seus símbolos e fontes de conhecimento. Isso é História, não meia-verdade ou notícia falsa.

O caos instalado no País, sendo governado por milícias armadas que se sobrepõem até às forças armadas, pois o caldo de cultura da intolerância predomina na base não só do exército, mas também no Judiciário, na Polícia e entre procuradores, só tende a empurrar a Nação para a tragédia – que parece irreversível e, talvez, próxima.

Mas voltemos à mentira ou à meia-verdade do início. Se, em 2013 museus e artistas eram atacados, em 2019 o alvo da destruição são as universidades ou qualquer lugar que produza ciência, educação e cultura.

Sistema judiciário legitimou ataques ao estado de direito, e passa a enfrentar crises de legitimidade diante da crise

O sistema de educação brasileiro é único no mundo dizem, por colocar numa mesma sala de sala de aula de uma faculdade de Medicina um estudante filho de família rica, ao lado de outro que sequer tomou café da manhã. Isto tornou-se insuportável para as elites e para classe média que se considera parte. Esta é a razão do ataque descoordenado do governo contra a universidades e institutos técnicos e que aparentemente fracassou.

Não esquecer que a classe trabalhadora, por outro lado, assimilou a reforma trabalhista que lhes tirou diretos, precarizou relações de trabalho e empurrou a todos de volta às relações análogas à escravidão, sem muitas reações. E com apoio do lumpem proletariado – esse segmento sim, uma ameaça e um obstáculo para a Nação em busca de uma sociedade mais justa.

Manifestação na Candelária, Rio de janeiro, resgatou o fervor cívico da campanha das diretas, já. Apenas reação

A ameaça a esta sociedade que sonhamos mais justa com oportunidades para todos na educação, emprego e saúde, não mais reside apenas nas elites reacionárias, mas em cada bairro das grandes e pequenas cidades onde se agrupam os fundamentalistas cristãos, que pelo voto decidiram a eleição a favor das milícias de extrema-direita. E sem esquecer que também são pobres e negros.

Opinião

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