Antigo estado da Guanabara virou laboratório da destruição da democracia e de guerra civil

O que o futuro nos reserva? Com ou sem o tenente Messias na Presidência, sabemos hoje que a maioria da população acha possível votar em um político como ele; clérigos, jovens, homens e mulheres, compactuam com o ódio que ele produziu. Por outro lado, percebe-se a pusilanimidade como o Congresso se comporta diante da instabilidade que se instaurou; a contaminação do Judiciário e o silêncio de setores antes tidos como democráticos

É um processo de metamorfose social, cultural e político sem volta para um ponto até comum entre as elites governantes: o da conciliação possível diante de ruptura social incontornável. A História ensina isso.

O fato é que a possibilidade de convivência democrática se dilui no horizonte. O desejo de destruir o diferente hoje se origina nos púlpitos evangélicos; a exaltação da ignorância e da brutalidade virou uma vocação no discurso diário dos meios de comunicação, em consonância com tudo que brota das redes sociais.

A censura, a perseguição e ofensas a artistas e intelectuais tornaram-se recorrentes e com aplauso de uma classe média, que se imaginava culta e democrática.

O caso Marielle Franco é emblemático. Tem como cenário o Rio de Janeiro, uma cidade que, ao deixar de ser capital da República, em abril de 1960, não conseguiu ser capital de mais nada. Virou uma cidade-estado; entre as década de 1960 até 1975, chamava-se estado da Guanabara; depois voltou a ser capital do estado do Rio, a meca da cultura, da leniência e do florescimento do crime organizado.

Mas o estado da Guanabara segue como laboratório da destruição da democracia e de esboço de uma guerra civil em gestação, em que apenas civis negros são os primeiros a morrer. A propósito, em que resultou a intervenção federal no Rio?

O tráfico expandiu seus tentáculos além do Rio de Janeiro, que passou por sucessivas intervenções militares

O jogo do bicho, contravenção que prosperou na cidade desde o Império, abrigou em seus quadros militares oriundos dos porões da Ditadura e delinquentes famosos festejados na avenida do samba e glorificados em transmissões ao vivo da TV Globo.

A contravenção do jogo dos 25 bichos – substituiu o estado da promoção da cultura e na oferta de empregos para os pobres - como segmento social cedeu lugar ao tráfico de drogas e, hoje, às milícias armadas oriundas do estamento militar. As milícias armadas, o tráfico, e pastores evangélicos governam o Rio. E sua elite política está em presídios de Bangu. Na atualidade, o Caso Marielle revelou contaminação do crime nos organismos de estado, com obstrução da Justiça, perícias dirigidas, manipulação midiática. Nenhum setor é digno de crédito.

A força política nascida nos subúrbios do Rio, hoje governa o país. Está presente no Judiciário, no aparato policial, nas câmaras de vereadores com extensão até o Congresso Nacional. Tem sólido apoio dos barões da indústria e da comunicação, porque pavimenta o caminho para o neoliberalismo econômico. Mas o Caso Marielle Franco mostrou o lado autofágico.

A TV Globo que gestou o ovo da serpente do fascio; está sendo carcomida por ele. Os barões da indústria, alguns que migraram para o ganho através da aplicação financeira sorriem. Mas os poucos que ainda produzem, seguem contritos para o fundo do poço, porque perdeu competividade e mercado externo; depois de festejar a destruição do mercado interno.

Como uma novela de capítulos intermináveis, ainda não acabou. No Rio de Janeiro o sangue jorra nas calçadas, os pedintes e desempregados ocupam as demais avenidas urbanas das pequenas, médias e grandes cidades.

O conciliador segue preso em Curitiba. Lembrando a profecia recorrente no Movimento Estudantil dos anos 1960-70. “O conciliador morre por último, mas morre”. Tomara que não se concretize.

Imagens Wikipedia.

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