Totalitarismo que encanta o Brasil terá como base as milícias midiáticas, gospel e para-militares

Observando a agenda de eventos deste final de ano de 2019, percebe-se o enfoque para aglomerações de louvores religiosos, que parecem competir entre sí com seus organizadores exaltando a “capacidade de atrair multidões” em torno do fundamentalismo cristão que tem prosperado no Brasil na últimas décadas como força motriz do atraso e simpáticas à violência, ainda que exaltem em seus louvores o “senhor Jesus”, numa clara evidência que nada têm de doutrinação cristã. Desde as “Marchas para Jesus”, que ganharam força política na metade do século passado, a shows de músicas gospel e, até eventos católicos, o fundamentalismo cristão é o mote catalizador de atração das massas.

Imagem de manifestações populistas no Brasil

As mensagens repetem versículos dos evangelistas, mas nada que relembre os ensinamentos do Cristo. Na verdade transmitem e=se apresentam como avalistas das políticas de ódio, racismo e intolerância em curso no país. O país sempre conviveu com juízes, ministros do STF, jornalistas, empresários e intelectuais de direita. Eles jogavam o jogo-do-jogo democrático; o que assistimos agora se assemelha à Alemanha dos anos 30.

"Deus vai salvar o Brasil" como mote do fundamentalismo religioso

Lembro que lá por volta do final da década de 90, as “Marchas para Jesus” já desfraldavam bandeiras do estado judeu, que muitos analistas chegaram a apontar, acertadamente, o braço político sionista na formação política de extrema-direita desse fundamentalismo religioso. O mote segue o mesmo: “Deus vai salvar o Brasil da corrupção!”

Esse fundamentalismo religioso recentemente promoveu um golpe de estado na Bolívia, ajudou a derrubar o governo democrático no Brasil, e é possível que cada igreja tenha se tornado célula da extrema-direita. Tem se transformado rapidamente num problema de segurança nacional em vários outros países latinos americanos, mergulhados em crises econômicas decorrentes de políticas neoliberais.

Observando os passos do regime que governa o Brasil percebe-se o namoro diuturno com o Totalitarismo descrito por Hannah Arendt no seu atualíssimo livro “Origens do Totalitarismo” em alguns aspectos. A classe média ocupou ruas e avenidas pedindo golpe militar, na vã ilusão de que poder central voltaria a ser controlado por generais. E o atual governo começou assim (seis generais já deixaram o governo), mas percebe-se, claramente, que o Exército não é o centro do poder, está sendo trocado pelo poder da polícia.

É real o controle, pela base, das polícias militares por essa vertente política. Em São Paulo o governador (de direita) foi vaiado por oficiais de baixada patente da Polícia Militar enquanto davam vivas ao Presidente. Militares eleitos para os parlamentos estaduais e para o Congresso, deixam seus partidos pelos quais foram eleitos por um novo, a ser criado, exatamente para abrigar essas falanges.

As instituições tradicionais, que apoiaram o golpe parlamentar de 2016 que derrubou uma presidente eleita sem esta ter cometido crime algum, nem muito menos de responsabilidade, estão em mutação.

Juízes e promotores de instâncias inferiores se sublevam contra autoridades da cúpula do Judiciário, em função do engajamento político; chegam a contestar e descumprirem decisões superiores.

Devido ao ativismo político, o mesmo ocorre no Ministério Público. Como decorrência, seu aparente republicanismo com origem na Constituinte de 88 desapareceu, para dar lugar a um esboço de estado policial.

Mensagens discretas nas marchas realizadas

As polícias judiciárias e militares convivem com situação análoga ao Judiciário. No caso do Rio de Janeiro formam o estado paralelo em disputa por territórios com as milícias que de fato governam aquele estado e o país.

Em troca de reformas trabalhistas e previdenciária e por uma radical agenda neoliberal, a mídia tradicional se insurge contra o avanço do totalitarismo apenas até a página 2. Nas páginas seguintes, telejornais, revistas e sites o endosso à destruição da democracia parece unânime numa cantilena que vem desde 2013.

A reação contra o avanço desse novo tempo é visível apenas nas redes sociais, cujo tom é apenas de mi-mi-mi, memes, piadas e risos.

Imagens: Wikipédia

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