“Sebastianismo” pode ter a resposta teatral para o Brasil que não deu certo e segue fadado ao fracas

“É um movimento que traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre. Chegou ao Brasil, principalmente ao Nordeste brasileiro, no século XIX.”

Essa a definição, grosso modo”, do movimento “sebastianista” no Wikipédia. Se não há como trazer de volta um morto ilustre, como Getúlio Vargas ou o negro revolucionário Carlos Marighella para a cena política atual; no teatro podemos pesquisar e levar pro palco fatos trágicos sangrentos ocorridos ou em curso para narrar o Brasil de hoje, governado pela extrema-direita, sob o comando de chefes de milícias com apoio da mídia, das igrejas evangélicas e das elites economicamente dominantes.

Imagem divulgação Pedra do Reino, ou Pedra Bonita; marco do sebastianismo no Nordeste

Pesquisar sobre Dom Sebastião, rei de Portugal, e trazer para os brasileiros da atualidade o que ele significou para os nordestinos entre 1835 e 1838 pode até parecer uma proposta estapafúrdia, mas colocar isso no palco, com pastores evangélicos fundamentalistas da atualidade, o dia-a-dia brutal e sangrento dos brasileiros pobres da atualidade e o conformismo inabalável da sua alma, é uma tentação.

Se, por um lado os fatos trágicos e sangrentos que aconteceram na Pedra Bonita, no século 19, estão ligados a outros, não menos trágicos e sangrentos, que ocorreram em Portugal e no Marrocos, no século 16; a nossa tragédia política e social da atualidade também se liga ao que restou de todas essas influências “sebastianistas”,

Encenador João Costa, durante pesquisa de campo na Pedra do Reino, em São José do Belmonte, Pernambuco

ao populismo político e aos “sepulcros caiados” da classe média atual, ao Judiciário com suas campanhas moralizantes contra a corrupção, agora que “o Brasil está acima de todos e Deus acima de tudo”.

Esta argumentação toda para dar suporte a uma pesquisa teatral que pode resultar num texto e consequentemente numa encenação. Uma encenação que leve ao palco “Quem inventou o Brasil”, peça em fase de montagem e em forma de teatro rebolado.

Imagem de ensaio do elenco da peça "Quem Inventou o Brasil", com previsão de estreia para fevereiro de 2020

Fontes de inspiração teatral não faltam, se seguir a certeza numa sentença: “se o Brasil nunca deu ceto antes, porque haveria de dar agora?”

Teatro

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