2020 – Ano zero do que restou de nossas vidas, pesa sobre artistas que querem voltar aos palcos

Ao me apropriar desta expressão, “ano zero do que restou de nossas vidas” para aceitar 2020 como marco inicial, não de todo apavorante por conta da morte que ronda a humanidade, mas na certeza de que haverá um novo normal incerto e não sabido pela frente; até o presente são 120 dias de enclausuramento.

- Não os “120 dias de Sodoma”, de Donatien Alphonse, embora o sadismo da “ditadura-sanitária” que nos foi imposta seja real; nem nada se assemelha aos “10 dias que Abalaram o Mundo” porque não se trata de uma Revolução.

Meu amigo, iluminador teatral e encenador João Batista, pelo aplicativo de grupo de WhatsApp, fez um desabafo da grandiosidade que um artista pode expressar.

Imagem: Flávio Melo e Tarcísio Pereira, contracenam na peça "De João para João"

Motivado por um “porre Homérico”, lembrou que seu nome é o mesmo d’O Batista, profeta bíblico, confessou aos amigos do grupo seu profundo descontentamento e desespero pelos teatros fechados e festivais desmarcados e que nem sequer foram adiados, relembrou dos rituais sagrados que eram as apresentações cênicas das quais ele também era o construtor, clamou desejando tudo de volta.

Relembrou o icônico espetáculo “De João Para João”, de Tarcísio Pereira e, como profeta, começou a vaticinar esta peça com as irretocáveis interpretações do autor e do ator Flávio Melo em temporadas futuras no eixo Rio-São Paulo, quase num delírio, na profunda ilusão de que teremos tudo que esta pandemia nos tirou de volta.

Me sinto como João no seu "porre colossal". Como para artistas de teatro não está sendo fácil viver na clausura rememorando processos de criação, ansiedades que prenunciavam acertos e riscos de erros, falhas e achados da montagem que acabara de ser parida para o público; planos e sonhos para festivais, viagens e noites intermináveis em bares que nunca fechavam.

Tarcísio Pereira(E) autor e diretor da peça "De João para João", e forte atuação de Flávio Melo(D) no papel de João Dantas

A solidão artística de João Batista nesta pandemia não é só dele. Tem sido um martírio para atores e atrizes privados de montagens, ensaios, apresentações e desconfiando, a cada dia, que o público vai demorar a voltar para os seu lugares, que cenotécnicos, sonoplastas, iluminadores, o pessoal da administração dos teatros e tudo o mais que foi retirado das nossas vidas nos será devolvido.

João Batista(E), iluminador do espetáculo "De João para João"; tem sua trajetória vinculada à produção cultural da PB

Não como lenitivo a ser concedido por uma vacina que ainda não existe, mas como direito que a humanidade tem de ser feliz nesta aventura sobre a Terra movida a emoções que sucumbiram por conta de um vírus, que feito Corisco, teima em se render.

Foto de capa: Divulgação

Por Trás do Blog
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