Geopolítica: estratégias militares que levaram ex-URSS à vitória contra o nazismo (Parte III)

Artigo de Vladimir Putin, líder da Rússia, sobre a Segunda Guerra Mundial

União Soviética e estratégias militares

No outono de 1939, a União Soviética, elaborando suas estratégias militares defensivas, iniciou o processo de incorporação da Letônia, Lituânia e Estônia. Sua adesão à União Soviética foi implementada com base em acordos, com o consentimento das autoridades eleitas, de acordo com as leis nacionais e internacionais da época. Além disso, em outubro de 1939, a cidade de Vilnius e a área próxima, que anteriormente faziam parte da Polônia, foram devolvidas à Lituânia. As repúblicas bálticas da União Soviética mantiveram seus órgãos governamentais, seu idioma e tinham representação nos mais altos órgãos estatais da União Soviética.

Durante todos esses meses, continuava uma imperceptível luta diplomática e político-militar, além de um trabalho de inteligência. Moscou entendeu que estava enfrentando um inimigo implacável e cruel, e que uma guerra oculta contra o nazismo já estava em andamento. E não há razão para encarar as declarações oficiais e notas formais de protocolo da época como prova de "amizade" entre a União Soviética e a Alemanha. A União Soviética mantinha contatos comerciais e técnicos ativos não apenas com a Alemanha, mas também com outros países. Enquanto Hitler tentou repetidamente atrair a União Soviética para o confronto da Alemanha com o Reino Unido. Mas o governo soviético permaneceu firme.

Imagem: exército soviético em formação após a tomada de Berlim

Hitler fez a última tentativa de convencer a União Soviética a participar de ações conjuntas durante a visita de Molotov a Berlim, em novembro de 1940. Mas Molotov seguiu com precisão as instruções de Stalin, limitando-se a uma discussão geral sobre a ideia alemã de a União Soviética ingressar no Pacto Tripartido, assinado pela Alemanha, Itália e Japão em setembro de 1940 e dirigido contra o Reino Unido e os EUA. Não é à toa que já em 17 de novembro Molotov instruiu o enviado soviético em Londres Ivan Maisky: "Para sua informação ... Nenhum acordo foi assinado ou pretendia ser assinado em Berlim. Acabamos de trocar nossas opiniões em Berlim ... e isso foi tudo... Aparentemente, os alemães e os japoneses parecem ansiosos em nos mandar para o Golfo e a Índia. Recusamos discutir sobre esse assunto, pois consideramos inadequados esses conselhos por parte da Alemanha". Em 25 de novembro, a liderança soviética colocou um ponto final na questão: apresentou oficialmente a Berlim condições inaceitáveis ​​para os nazistas, incluindo a retirada das tropas alemãs da Finlândia, um acordo de assistência mútua entre a Bulgária e a União Soviética e vários outros, excluindo deliberadamente qualquer possibilidade de aderir ao Pacto.

Essa posição definitivamente reforçou a intenção do Fuhrer de desencadear uma guerra contra a União Soviética. E já em dezembro, deixando de lado as advertências de seus estrategistas sobre o perigo desastroso de ter uma guerra em duas frentes, Hitler aprovou a Operação Barbarossa. Ele fez isso sabendo que a União Soviética era a principal força que se opunha a ele na Europa e que a próxima batalha no Oriente iria decidir o resultado da guerra mundial. Ele estava certo de seu sucesso na campanha em Moscou.

Eu gostaria de destacar o seguinte: os países ocidentais, na prática concordaram na época com as ações soviéticas e reconheceram a intenção da União Soviética de garantir sua segurança nacional. De fato, em 1º de outubro de 1939, Winston Churchill, chefe do Almirantado na época, em seu discurso na rádio, disse: "A Rússia segue uma política fria de interesse próprio ... Para assegurar o país da ameaça nazista, os exércitos russos deveriam permanecer nessa linha [a nova fronteira ocidental]". Em 4 de outubro de 1939, falando na Câmara dos Lordes, Halifax, disse: "... deve-se lembrar que as ações do governo soviético consistiam em mover a fronteira para a linha recomendada na Conferência de Versalhes por Lord Curzon... Estou apenas citando fatos históricos e acredito que são inegáveis". O famoso político britânico D. Lloyd George enfatizou: "Os exércitos russos ocuparam territórios que não são poloneses e que foram conquistados pela Polônia após a Primeira Guerra Mundial... Seria um ato de insanidade criminosa colocar o avanço russo em igualdade com o dos alemães".

Em conversas informais com o representante soviético I. Maisky, diplomatas britânicos e políticos de alto nível falavam ainda mais abertamente. Em 17 de outubro de 1939, o vice-ministro das Relações Exteriores britânico, RA Butler, afirmou que nos círculos governamentais britânicos a questão da devolução da Ucrânia Ocidental e a Bielorrússia à Polônia não se colocava. Segundo ele, se fosse possível criar uma Polônia etnográfica de tamanho modesto, com garantia não apenas da União Soviética e da Alemanha, mas também do Reino Unido e da França, o governo britânico ficaria muito satisfeito. Em 27 de outubro de 1939, o conselheiro-chefe de Chamberlain H.Wilson disse que a "Polônia precisava ser restaurada como um estado independente em sua base etnográfica, mas sem a Ucrânia Ocidental e a Bielorrússia".

Vale a pena ressaltar que, no decorrer das conversas, as possibilidades de melhorar as relações entre o Reino Unido e a União Soviética também estavam sendo exploradas. Esses contatos estabeleceram as bases para futuras alianças e coalizões anti-Hitler. Churchill se destacou entre outros políticos responsáveis ​​e perspicazes e, apesar de sua aversão conhecida pela União Soviética, era a favor de cooperar com ela. Em maio de 1939, ele disse: "Estaremos em perigo mortal se não criarmos uma grande aliança contra a agressão. Seria uma estupidez recusar a cooperação natural com a Rússia soviética". Após o início das hostilidades na Europa, em sua reunião com Maisky em 6 de outubro de 1939, ele afirmou que não havia sérias contradições entre o Reino Unido e a União Soviética e, portanto, não havia razão para relações tensas ou insatisfatórias. Ele também mencionou que o governo britânico gostaria de desenvolver relações comerciais e estava disposto a discutir quaisquer outras medidas que pudessem melhorar as relações.

Lições da SegundA Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial não aconteceu da noite para o dia, nem começou inesperadamente. A agressão alemã contra a Polônia também não foi repentina. Foi resultado de várias tendências e fatores da política mundial da época. Todos os eventos anteriores à guerra levaram a uma cadeia de acontecimentos fatal. Mas, sem dúvida, os principais fatores que determinaram a maior tragédia da história da humanidade foram o egoísmo nacional, a covardia, a indulgência para como agressor que estava ganhando força e falta de vontade das elites políticas em buscar um compromisso.

Desfile de tropas nazistas antes do conflito; modelo de propaganda adotada por Hitler antes da Segunda Guerra

Sendo assim, é injusto afirmar que a visita de dois dias a Moscou do ministro das Relações Exteriores nazista Ribbentrop foi a principal razão para o início da Segunda Guerra Mundial. Todos os países líderes são, de uma forma ou outra, culpados ​​pelo episódio. Todos cometeram erros cruciais, acreditando arrogantemente que poderiam tirar proveito dos outros, garantir vantagens unilaterais para si ou ficar longe da tragédia iminente no mundo. Essa falta de visão, junto da recusa em criar um sistema de segurança coletivo, custou milhões de vidas e perdas.

Não pretendo de maneira alguma assumir o papel de juiz, acusar ou absolver alguém, muito menos iniciar uma nova espiral de confronto informacional no campo histórico que poderia colocar países e povos em confrontação. Eu acredito que a ciência acadêmica e cientistas conceituados de diferentes países do mundo deve procurar uma avaliação equilibrada dos fatos. Todos nós precisamos da verdade e objetividade. Da minha parte, sempre incentivei meus colegas a construir um diálogo calmo, aberto e baseado na confiança, a olhar o passado comum de maneira autocrítica e imparcial. Essa abordagem ajudará a não repetir os erros cometidos no passado e a garantir um desenvolvimento pacífico e bem-sucedido futuramente.

Declarações hipócritas em busca de culpados

No entanto, muitos de nossos parceiros não estão prontos para o trabalho conjunto. Pelo contrário, buscando seus objetivos, eles aumentam o número e a escala de ataques informacionais contra nosso país, querendo nos culpar, adotando declarações completamente hipócritas e politicamente motivadas. Por exemplo, a resolução sobre a importância da memória histórica para o futuro da Europa, aprovada pelo Parlamento Europeu em 19 de setembro de 2019, acusou diretamente a União Soviética, juntamente com a Alemanha nazista, de desencadear a Segunda Guerra Mundial. Naturalmente, não há nenhuma menção a Munique.

Acredito que "papéis" como esse, pois não posso chamar esta resolução de documento, que claramente pretende provocar um escândalo, estão repletos de ameaças reais e perigosas. De fato, foi adotado por uma instituição altamente respeitável. E o que isso significa? Lamentavelmente, isso revela uma política deliberada destinada a destruir a ordem mundial do pós-guerra, cuja criação era uma questão de honra e responsabilidade dos países, diversos representantes dos quais votaram hoje a favor desta resolução enganosa.

Assim, eles desafiaram as conclusões do Tribunal de Nuremberg e os esforços da comunidade internacional para criar instituições internacionais após a vitória de 1945. Permitam-me lembrar a esse respeito que o próprio processo de integração europeia, que levou à criação de estruturas relevantes incluindo o Parlamento Europeu, se tornou possível apenas devido às lições aprendidas no passado e sua avaliação jurídica e política precisa. E aqueles que conscientemente questionam esse consenso estão minando os fundamentos de toda a Europa do pós-guerra.

Além de ser uma ameaça aos princípios fundamentais da ordem mundial, isso também levanta certas questões morais e éticas. Profanar e insultar a memória é uma infâmia. A infâmia pode ser deliberada, hipócrita e totalmente intencional quando, nas declarações sobre o 75 º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, são enumerados todos os países da coalizão antinazista à exceção da URSS. A infâmia pode ser covarde quando os monumentos erigidos em homenagem àqueles que lutaram contra o nazismo são demolidos e esses atos vergonhosos são justificados porfalsos slogans da luta contra uma ideologia indesejável e suposta ocupação. A infâmia pode ser sangrenta quando aqueles que se opõem aos neonazistas e aos sucessores de Bandera são mortos e queimados. Repito, a infâmia pode ter manifestações diferentes, mas isso não a torna menos repugnante.

Esquecer as lições da história inevitavelmente leva a um duro retorno. Defenderemos firmemente a verdade com base em fatos históricos documentados. Continuaremos a falar de forma honesta e imparcial sobre os eventos da Segunda Guerra Mundial. Isso inclui um projeto de grande escala para estabelecer a maior coleção de documentos de arquivo, filmes e materiais fotográficos da Rússia sobre a história da Segunda Guerra Mundial e o período pré-guerra.

Tropa soviética toma de assalto o parlamento da Alemanha, antes dos aliados

Este trabalho já está em andamento. Muitos materiais novos, recentemente descobertos ou desclassificados também foram utilizados ​​na preparação deste artigo. Neste sentido, posso afirmar com toda a responsabilidade que não existem documentos de arquivo que confirmem a intenção da União Soviética de iniciar uma guerra preventiva contra a Alemanha. Sim, a liderança militar soviética adotou uma doutrina segundo a qual, em caso de agressão, o Exército Vermelho prontamente enfrentaria o inimigo, passaria à ofensiva e travaria a guerra no território inimigo. No entanto, esses planos estratégicos não significam a intenção de atacar a Alemanha primeiro.

Hoje, os documentos de planejamento militar, as instruções dos Estados-Maiores soviético e alemão estão agora disponíveis para os historiadores. Finalmente, sabemos como os eventos ocorreram. Desse ponto de vista, muitos discutem sobre as ações, erros e julgamentos precipitados da liderança militar e política do país. Sobre isso, direi uma coisa: junto com um enorme fluxo de desinformação de diversos tipos, os líderes soviéticos também receberam informações verdadeiras sobre a preparação da agressão nazista. Nos meses antes da guerra, eles tomaram medidas para melhorar a prontidão de combate do país, incluindo a convocação secreta para treinamentos de cidadãos sujeitos a obrigações militares e a realocação de unidades e reservas dos distritos militares do interior do país para as fronteiras ocidentais.

A guerra não foi uma surpresa, as pessoas esperavam por ela e se preparavam para ela. Mas o ataque nazista foi verdadeiramente sem precedentes em termos de poder destrutivo. Em 22 de junho de 1941, a União Soviética enfrentou o exército mais poderoso, mais mobilizado e qualificado do mundo, para o qual trabalhava o potencial industrial, econômico e militar de quase toda a Europa. Não apenas a Wehrmacht, mas também os países satélites alemães, contingentes militares de muitos outros estados do continente europeu, participaram dessa invasão.

As graves derrotas militares em 1941 levaram o país à beira do desastre. A capacidade de combate e de controle tiveram que ser restaurados por meios extremos, mobilização nacional e intensificação de todos os esforços do Estado e do povo. No verão de 1941, milhões de cidadãos, centenas de fábricas e indústrias começaram a ser evacuados sob fogo inimigo para o leste do país. A fabricação de armas e munições, que começaram a ser fornecidas à frente já no primeiro inverno da guerra, foi lançada o mais rapidamente possível e, em 1943, as taxas de produção militar da Alemanha e de seus aliados foram excedidas. Durante um ano e meio, o povo soviético fez algo que parecia impossível, tanto nas linhas de frente quanto na retaguarda. Até hoje é difícil perceber, entender e imaginar os esforços incríveis, coragem, e dedicação incrível que esta grande conquista exigiu.

O tremendo poder da sociedade soviética, unido pelo desejo de proteger sua terra natal, se ergueu contra os poderosos, armados até os dentes, contra a máquina invasora nazista. Levantou-se para se vingar do inimigo, que o havia destruído, esmagado a vida pacífica, os planos e as esperanças das pessoas.

É claro que o medo, a confusão e o desespero tomavam conta de algumas pessoas durante essa guerra terrível e sangrenta. Houve traição e deserção. A violenta divisão causada pela revolução e a Guerra Civil, o niilismo, a maneira de zombar da história, das tradições e da fé que os bolcheviques tentaram impor, especialmente nos primeiros anos após a chegada ao poder, tudo isso teve seu impacto. Mas a atitude da maioria absoluta dos cidadãos soviéticos e de nossos compatriotas que se encontravam no exterior era diferente, era para defender e salvar a Pátria. As pessoas procuravam apoio nos verdadeiros valores patrióticos.

Os "estrategistas" nazistas estavam certos de que um enorme estado multinacional poderia ser facilmente esmagado. Eles acreditavam que o início repentino da guerra, a sua crueldade e dificuldades insuportáveis ​​exacerbariam inevitavelmente as relações interétnicas, e que o país poderia ser dividido em partes. Hitler declarou: "Nossa política em relação aos povos que vivem nas vastas áreas da Rússia deve promover qualquer forma de desacordo e divisão".

Mas, desde os primeiros dias, ficou claro que o plano nazista fracassaria. A Fortaleza de Brest foi protegida até à última gota de sangue por soldados de mais de 30 etnias. Durante toda a guerra, o povo soviético esteve unido, tanto em grandes batalhas decisivas quanto na proteção de cada posição, de cada metro da pátria.

A região do Volga e os Urais, a Sibéria e o Extremo Oriente, as repúblicas da Ásia Central e Cáucaso se tornaram o lar de milhões de pessoas evacuadas. Seus habitantes compartilharam tudo o que tinham e forneceram todo o apoio que podiam. A amizade dos povos e a ajuda mútua se tornaram uma verdadeira fortaleza indestrutível para o inimigo.

A União Soviética e o Exército Vermelho deram uma contribuição cruzial à derrota do nazismo, não importa o que estejam tentando provar hoje. Estes foram os heróis que lutaram até o fim, cercados pelo inimigo, nos arredores de Bialystok e Mogilev, Uman e Kiev, Vyazma e Kharkov. Eles desencadearam ofensivas nas áreas próximas a Moscou e Stalingrado, Sevastopol e Odessa, Kursk e Smolensk. Eles libertaram Varsóvia, Belgrado, Viena e Praga, tomaram de assalto Koenigsberg e Berlim.

Josef Stálin comandou a ex-URSS e derrotou Hitler, mesmo tendo feito acordo antes

Nós defendemos a verdade. Essa verdade, que é dura, amarga e impiedosa, nos foi transmitida por escritores e poetas que atravessaram o fogo e o inferno da linha de frente. Para minha geração, assim como para outras, histórias honestas e profundas, romances, prosa penetrante e poemas deixaram sua marca em minha alma para sempre. Honrar os veteranos que fizeram tudo o que podiam pela vitória e homenagear aqueles que morreram no campo de batalha é nosso dever moral.

Hoje, as linhas simples e grandes em um poema de Aleksander Tvardovsky "Eu fui morto perto de Rzhev ..." dedicado aos participantes da sangrenta e brutal Batalha pela Grande Pátria no centro da linha de frente soviética, são surpreendentes. Somente nas batalhas por Rzhev e margens de Rzhevsky, de outubro de 1941 a março de 1943, o Exército Vermelho perdeu 1.342.888 pessoas, incluindo feridos e desaparecidos. Pela primeira vez, chamo esses números coletados de fontes de arquivo de terríveis, trágicos e longe de ser o total. Presto homenagem à memória dos heróis conhecidos e desconhecidos.

Citarei outro documento. Um relatório de fevereiro de 1954 da Comissão Aliada de Reparação da Alemanha, chefiada por Ivan Maisky. A tarefa da Comissão era definir uma fórmula segundo a qual a Alemanha derrotada teria que pagar pelos danos sofridos pelas potências vitoriosas. A Comissão concluiu que "o número de dias de soldado gasto pela Alemanha na frente soviética é pelo menos 10 vezes maior do que em todas as outras frentes aliadas. A frente soviética também teve que lidar com quatro quintos dos tanques alemães e cerca de dois terços das Aeronaves alemãs". No geral, a União Soviética representou cerca de 75% de todos os esforços militares empreendidos pela coalizão anti-Hitler. Ao longo dos anos de guerra, o Exército Vermelho "enterrou" 626 divisões dos dos países do pacto de Tripartite, das quais 508 eram alemãs.

No dia 28 de abril de 1942, Franklin D. Roosevelt afirmou em discurso à nação americana: "As tropas russas destruíram e continuam destruindo mais tropas, aviões, tanques e armas de nossos inimigos, do que todas as outras Nações Unidas ". Winston Churchill, em sua mensagem a Joseph Stalin, de 27 de setembro de 1944, escreveu "o exército russo arrancou as entranhas da máquina militar alemã ...".

Essa avaliação repercutiu no mundo todo. Porque são palavras verdadeiras, da qual ninguém duvidava. Quase 27 milhões de soviéticos perderam a vida nas frentes, nas prisões alemãs, morreram de fome e bombardeios, morreram em guetos e nos campos de extermínio nazistas. A União Soviética perdeu um a cada sete de seus cidadãos, o Reino Unido perdeu um a cada 127 e os EUA perderam um a cada 320. Infelizmente, esse número das perdas mais da União Soviética é inconclusivo. O trabalho meticuloso deve seguir para restaurar os nomes e destinos de todos os que morreram, soldados do Exército Vermelho, guerrilheiros, combatentes clandestinos, prisioneiros de guerra de campos de concentração e civis mortos pelos esquadrões da morte. É o nosso dever. E aqui, membros do movimento de busca, associações militares-patrióticas e voluntárias, projetos como o banco de dados eletrônico "Pamyat Naroda", que contém documentos de arquivo, desempenham um papel especial. E, certamente, é necessária uma cooperação internacional estreita em uma tarefa humanitária como essa.

Os esforços de todos os países e povos que lutaram contra um inimigo comum resultaram na vitória. O exército britânico protegeu sua terra natal da invasão, lutou contra os nazistas e seus satélites no Mediterrâneo e no norte da África. As tropas norte-americanas e britânicas libertaram a Itália e abriram a Segunda Frente. Os EUA fizeram ataques poderosos e esmagadores contra o agressor no Oceano Pacífico. Ressaltamos os tremendos sacrifícios feitos pelo povo chinês e seu grande papel na derrota dos militaristas japoneses. Não esqueçamos os combatentes do "Fighting France", que não aceitaram a rendição e continuaram a lutar contra os nazistas.

Também seremos sempre gratos pela assistência prestada pelos aliados no fornecimento de munição, matérias-primas, alimentos e equipamentos ao Exército Vermelho. Ajuda que foi significativa, aproximadamente sete por cento da produção militar total da União Soviética.

O núcleo da coalizão anti-Hitler começou a tomar forma imediatamente após o ataque à União Soviética, onde os Estados Unidos e o Reino Unido apoiaram incondicionalmente na luta contra a Alemanha de Hitler. Na conferência de Teerã em 1943, Stalin, Roosevelt e Churchill formaram uma aliança de grandes potências, concordaram em elaborar a diplomacia de coalizão e uma estratégia conjunta na luta contra uma ameaça em comum. Os líderes das Três Grandes entendiam que a unificação das capacidades industriais, de recursos e militares da União Soviética, dos Estados Unidos e do Reino Unido daria uma soberania incontestada sobre o inimigo.

A União Soviética cumpriu suas obrigações com seus aliados, sempre oferecendo ajuda. Assim, o Exército Vermelho apoiou o desembarque das tropas anglo-americanas na Normandia, realizando a Operação Bagration em grande escala na Bielorrússia. Em janeiro de 1945, tendo atravessado o rio Oder, pôs fim à última ofensiva poderosa da Wehrmacht na Frente Ocidental nas Ardenas. Três meses após a vitória sobre a Alemanha, a União Soviética, em total conformidade com os acordos de Yalta, declarou guerra ao Japão e derrotou o exército de Kwantung, com um milhão de soldados.

Em julho de 1941, a liderança soviética declarou que o objetivo da guerra contra os opressores fascistas não era apenas a eliminação da ameaça que pairava sobre o nosso país, mas também a ajuda a todos os povos da Europa que sofriam sob o jugo do fascismo alemão. Em meados de 1944, o inimigo foi expulso de praticamente todo o território soviético. No entanto, o inimigo teve que ser eliminado em seu covil. E assim o Exército Vermelho iniciou sua missão de libertação na Europa. Ele salvou nações inteiras da destruição e escravização e do horror do Holocausto. Eles foram salvos à custa de centenas de milhares de vidas de soldados soviéticos.

É importante não esquecer a enorme assistência material que a União Soviética prestou aos países libertados na eliminação da ameaça de fome e na reconstrução de suas economias e infraestrutura. Isso estava sendo feito no momento em que as cinzas se estendiam por milhares de quilômetros, desde Brest até Moscou e o Volga. Por exemplo, em maio de 1945, o governo austríaco pediu à União Soviética assistência com alimentos, pois "não tinha ideia de como alimentar sua população nas próximas sete semanas antes da nova colheita". O chanceler do estado do governo provisório da República Austríaca Karl Renner descreveu o consentimento da liderança soviética em enviar comida como um ato de salvação que os austríacos nunca esqueceriam.

s Aliados criaram em conjunto o Tribunal Militar Internacional destinado a punir criminosos de guerra e políticos nazistas. Suas decisões continham uma qualificação legal clara de crimes contra a humanidade, como genocídio, limpeza étnica e religiosa, antissemitismo e xenofobia. O Tribunal de Nuremberg condenou os cúmplices dos nazistas e colaboradores de diversos tipos.

Bandeira nazista com cruz gamada, símbolo do nazismo, que volta a assombrar a Europa e o mundo

Esse fenômeno vergonhoso se manifestou em todos os países europeus. Figuras como Petain, Quisling, Vlasov, Bandera, e seguidores, embora tenham sido disfarçados de combatentes pela independência nacional ou pela liberdade do comunismo, são traidores e matadores. Na desumanidade, muitas vezes excederam seus senhores. No desejo de servir, como parte de grupos punitivos especiais, eles executaram voluntariamente as ordens mais desumanas. Eles foram responsáveis ​​por eventos sangrentos como os tiroteios de Babi Yar, o massacre de Volhynia, Khatyn queimado, atos de destruição de judeus na Lituânia e na Letônia.

Nossa posição permanece inalterada, não há justificativa para os atos criminosos de colaboradores nazistas, não há estatuto de limitações para eles. Portanto, é desconcertante quando em certos países aqueles que são afetados pela cooperação com os nazistas sejam repentinamente equiparados aos veteranos da Segunda Guerra Mundial. Eu acredito que seja inaceitável equiparar libertadores com ocupantes. E só posso considerar a glorificação dos colaboradores nazistas como uma traição à memória de nossos pais e avós. Uma traição aos ideais que uniram os povos na luta contra o nazismo.

Na ocasião, os líderes da União Soviética, dos Estados Unidos e do Reino Unido enfrentavam uma tarefa histórica. Stalin, Roosevelt e Churchill representaram os países com diferentes ideologias, aspirações de Estado, interesses, culturas, mas demonstraram grande vontade política, superando as diferenças e preferências e colocaram os verdadeiros interesses da paz em primeiro plano. Como resultado, eles conseguiram chegar a um acordo e alcançar uma solução da qual toda a humanidade se beneficiou.

As potências vitoriosas deixaram um sistema que se tornou na busca intelectual e política de vários séculos. Uma série de conferências, Teerã, Yalta, São Francisco e Potsdam, lançou bases de um mundo que durante 75 anos não teve guerra, apesar das diferenças.

Mulher desfila em Moscou com retrato de Stálin; atualmente, a Rússia faz revisão sobre o seu papel

A revisão histórica, cujas manifestações são observadas no Ocidente, e principalmente com relação ao tema da Segunda Guerra Mundial e seus resultados, é perigosa pois distorce a compreensão dos princípios do desenvolvimento pacífico, estabelecidos nas conferências de Yalta e San Francisco em 1945. A principal conquista histórica de Yalta e de outras decisões da época é o acordo de criar um mecanismo que permita que as principais potências permaneçam no quadro da diplomacia na resolução de suas diferenças entre elas.

O século XX trouxe conflitos globais abrangentes e em grande escala, e em 1945 as armas nucleares capazes de destruir a Terra também entraram em cena. Em outras palavras, a solução de disputas de força se tornou muito perigosa. E os vencedores da Segunda Guerra Mundial entenderam isso. Eles entenderam e estavam cientes de sua própria responsabilidade com a humanidade.

A experiência conquistada pela Sociedade das Nações foi levada em consideração em 1945. A estrutura do Conselho de Segurança da ONU foi desenvolvida para tornar as garantias de paz mais concretas e eficazes possíveis. Surgindo a instituição dos membros permanentes do Conselho de Segurança e o direito de veto como privilégio e responsabilidade.

Fonte e imagens Sputniknews

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