Morte de Lampião, segundo Sebastião Sandes, o franco-atirador que pôs fim ao Rei do Cangaço há 82 an

Amanhecer na Grota Angico, em 28 de julho de 1938. Na linha avançada da Volante de tenente João Bezerra, está o aspirante Ferreira. “Ocupada a posição, a um sinal do aspirante, Pedro de Cândido se aproxima da borda do penhasco e recua de repente, branco como papel: avistara Lampião logo abaixo, em frente de uma pedra pontuda”; (pág. 260) O até então, “ Rei do Cangaço está a menos de oito metros de distância, em pé, inteiramente equipado, salvo pelo chapéu e pela cartucheira de ombro”, narra Frederico Pernambucano de Melo, em seu livro “Apagando Lampião”.

E segue narrando em detalhes: o coiteiro Pedro de Cândido “olha para Santo; por meio de gestos e de movimentos de boca, Santo confirma a identificação para o aspirante (Ferreira) que, em resposta, “olha para Santo e molega o dedo indicador na direção de Pedro”. Era a senha para que este também fosse eliminado, algo que não aconteceu.

Imagem: Sebastião Vieira Sandes, o homem que matou Lampião

Em cima da grota o aspirante Ferreira “eleva a Bergman à posição de tiro e, fosse por ceder a evidência de serem as metralhadoras armas contraindicadas par o tiro de pontaria, fosse por sentir o peso, desiste e faz gesto para Santo”, famoso na tropa como franco-atirador, e o autoriza a fazer uso do fuzil conhecido por Mauser alemão, modelo 1908, calibre sete milímetros, cano extralongo, balas novíssimas, de 1932”.

Lá embaixo, Lampião leva à boca sua caneca com café, e é nesse exato o instante do disparo fatal, de cima para baixo. O ex-amigo, ex-coiteiro, ex-cangaceiro apelidado por Maria Bonita, de Galeguinho, e agora soldado de volante, Sebastião Vieira Sande – o soldado Santo, assiste à “queda desconjuntada do corpo; queda de quem cai para não levantar mais”.

Aspirante Ferreira, em pé à direita

Esta versão de quem matou matou Lampião merece crédito, mesmo vindo à toma muitas décadas depois, em contraponto às que surgiram no calor dos acontecimentos. Ali, no momento do ataque, a menos de oito metros de distância de Virgulino Ferreira da Silva, apenas dois homens o conheciam bem: o coiteiro Pedro de Cândido e o soldado Santo, que após o tiro fatal em Lampião, se desamarra de Cândido, e mesmo tendo recebido ordens do aspirante Ferreira para matar o coiteiro ali mesmo, o mandou correr.

Mas os admiradores do cangaço, podem ficar com outra versão dos acontecimentos – a do sargento Honorato – Noratinho.

Lampião e Maria Bonita, em foto do libanês Benjamim Abrãao, único a documentar o dia-a-dia de lampião e bando

Ao Jornal Diário de Pernambuco de 2 de agosto de 1938, Noratinho deu a sua versão numa narrativa elaborada. Disse Noratinho:

“Vi Lampião se erguer, apresentando na face a expressão de um enorme pavor. Levei o fuzil ao rosto. Mirei bem. A mulher do bandoleiro, nesse instante, estendeu os braços pedindo clemência. Fiz fogo e o chefe dos cangaceiros baqueou. Acompanhei sua queda com dois tiros”.

Lampião e seu irmão Antônio Ferreira, na chegada a Juazeiro do Norte, em 1926, para combater a Coluna Prestes

Lembrando aos conhecedores de armas deste grupo, que Noratinho portava de arma de repetição e não automática.

João costa

Fonte: “Apagando Lampião”, de Frederico Pernambucano de Melo

Foto 1. Sebastião Vieira Sandes (em depoimento a Frederico)

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