Um Maracanã de cadáveres: ele não mentiu, cumpre as ameaças que fez e o silêncio dos vivos ofende o

Quando adolescente, vivendo em Vaz Lobo, subúrbio do Rio de Janeiro, compartilhei de emoções com ir e voltar do estádio Maracanã, de trem, rádio de pilha colado ao ouvido, escutando o narrador ufanista afirmar que o Maracanã já estava tomado por cem mil torcedores para um clássico Flamengo X Vasco da Gama; o ano era 1972 e vivíamos uma ditadura feroz. Neste século XXI o número de 100 mil ( e contando) cadáveres pela Covid-19 não emociona, nem revolta, todos sabendo que resultado, em parte, da incúria governamental. Insensíveis com a vida, indiferente com a morte, a história mostra isso sobre nós, brasileiros

A chegada do tenente Messias ao poder, a possibilidade de ser longevo no comando da Nação em função do apoio das forças armadas, de padres católicos e pastores evangélicos, de parte do Judiciário, à totalidade dos ricos e de uma classe média ressentida, traduz um terço da Nação. E ela por completa, confirma seus traços históricos de insensível com a vida miserável da sua maioria e indiferente com a morte deste miseráveis. Temos uma história de massacres de civis como em Canudos, Caldeirão do Beato Zé Lourenço, para citar dos acontecimentos.

Imagem. Bandeira nacional usada recorrentemente em manifestações, associadas ao fascismo

Desconfio que, com ou sem pandemia, o número de mortos já teria ultrapassado os cem mil. Ele mesmo argumentou do seu desejo de matar 30 mil dos opositores, certamente ainda alimenta esse sonho, que não é só seu. Para isso, conta com apoio do Congresso e congregações religiosas, das forças armadas e de uma classe média ressentida, empobrecendo de forma irreversível – também do lumpemproletariado, que forma a maioria da classe trabalhadora do país.

O que lascou tudo e não estava no script para as classes dominantes e médias, evangélicos, militares de baixa patente, é que o vírus não é seletivo. Primeiramente, começou matando ricos, gente de classe média, chefes políticos em comunas interioranas. Alguém disse, acertadamente, que o “naufrágio é geral, mas os afogamentos são seletivos”. Parafraseando, vale uma correção: os afogamentos tornaram-se seletivos!

Civis capturados em Canudos, nordestinos pobres que acabaram mortos pela repressão

Causa vômito ler editoriais dos grandes jornais e da TV Globo, em fase de extinção e contraditoriamente sem acesso ao butim do dinheiro público, no esforço vã de apagar cumplicidade com o regime que se instalou no país. São como latas que anteriormente transportavam querosene e, agora, transporta água.

Se selecionarmos frases e discursos do Messias e o silêncio como resposta, me conscientizo do torpor da Nação. E ele não é apenas 1.

O Maracanã, era exaltado quando atingia a lotação de cem mil torcedores. Neste século, não haverá Maracanã capaz de abrigar os mortos que ainda assombrar o país. O comediante Duvivier disse que o “bolsonarismo no Brasil antecede Bolsonaro”. O que significa que vai piorar muito antes e ficar ruim. Infelizmente sem reação.

Opinião

Imagens: Metrópole e Arquivo Histórico sobre Canudos

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