Ameaçado de surra, monsenhor Valfredo Leal tornou-se inimigo do cangaceiro Antônio Silvino

Por Julierme Wanderley.


Nos primeiros anos do início do século passado o cangaceiro Antônio Silvino “O Rifle de Ouro” reinava soberano nos sertões do nordeste brasileiro praticando o seu ofício com uma maestria inacreditável só comparada a maestria do cangaceiro Virgulino Ferreira o vulgo “Lampião”, e olhe que Silvino caprichava sem nenhuma preocupação com a reação dos poderes públicos das regiões por onde ele passava, não tinha limites a sua ousadia, pois, o próprio Antônio se considerava uma autoridade de grande relevância se autointitulando “Governador dos Sertões”.


Monsenhor Valfredo Leal, vice-governador da Paraíba; inimigo de cangaceiros


Prestem atenção numa coisa, vida de cangaceiro nunca foi um mar de rosas e quando esse fora da lei era da magnitude do cidadão supracitado, ai a coisa tinha outra forma, principalmente no quesito relacionado à inimizade.


Foram muitas as inimizades adquiridas por esse cangaceiro e uma delas era com, monsenhor Valfredo Leal, personalidade das mais destacadas no cenário político paraibano chegando aos cargos de Vice-governador e posteriormente governador, deputado federal, senador e por último deputado estadual pela Paraíba.


Agora a questão da inimizade entre o pároco Valfredo Leal e o cangaceiro Antônio Silvino tomara uma proporção gigantesca, pois, o primeiro apesar de pertencer a uma família senhorial tradicional do estado da Paraíba criticava de maneira veemente as ações de extorsões, surras e outras estripulias praticadas pelo segundo que por sua vez já tinha jurado o sacerdote detrator de lhe aplicar uma surra de arrancar o couro e a questão entre os dois ainda ficou pior pela, a ação descarada do cangaceiro de se acoitar em terras de uma propriedade rural pertencente a esse religioso que se localizava em uma área dentro do atual município de Algodão de Jandaíra no estado da Paraíba.


Pobre padre vivia uma vida atormentada só imaginando no dia que levaria essa surra de arrancar o couro, prometida por Antônio Silvino e, para evitar esse encontro doloroso para ele Valfredo Leal quando estava em sua propriedade em Algodão de Jandaíra sempre mantinha perto do seu alcance três mochilas recheadas de objetos pessoais e fora de casa um cavalo selado sempre pronto para viajar a capital do estado caso surgisse qualquer alarido da presença do famigerado cangaceiro.


Por conta dessas medidas preventivas levadas a efeito pelo padre nada besta Antônio Silvino nunca consumou a sua promessa de dá-lhe uma surra de arrancar o couro e a título de desmoraliza-lo começou a chama-lo de forma pejorativa de “Padre Três Mochilas”, e mandava recados ao mesmo dizendo que iria fazer-lhe uma visita na capital.


Julierme Wanderley é professor de Geografia e pesquisador