Polícia de PE leva 3 dias para atender ocorrência ao saber que acusado tratava-se de Antônio Silvino

Por Julierme Wanderley


Antônio Silvino era, respeitado e temido em todas as localidades do nordeste brasileiro e o simples fato de ter seu nome citado era motivo para alguns de extrema felicidade e êxtase e para outros terror e agonia sem fim.


Cangaceiro Antônio Silvino, o ""Rifle de Ouro"; ações bandoleiras no início do século XX


Transcorria o ano de 1906 e as ações de Antônio Silvino se intensificavam de maneira brutal e ele ia e vinha como uma assombração macabra praticando pilhagem, extorsão, assassinatos e tantas outras coisas que fica difícil de enumerar e que deixava aqueles que tinham posses e os pobres camponeses que não eram afeiçoados a Silvino de cabelo em pé.


Era um verdadeiro suplício andar pelas veredas sertanejas dessa época, pois, cada curva desses caminhos se tornava uma aventura daquelas que por vezes resultava na perca dos bens como também a própria vida.


Certa vez no transcorrer do ano supracitado quando Antônio Silvino passava numa localidade por nome Salgadinho fazendo suas pilhagens habituais alguns cidadãos desse lugar conseguiram despachar um mensageiro com um pedido de ajuda ao delegado da cidade de Bom Jardim no estado de Pernambuco que, ao recebê-la, avisou que iria tomar as providências e que chegaria o mais rápido possível para livrar as pessoas honradas de Salgadinho da sanha assassina do famigerado cangaceiro.


Realmente, o delegado de Bom Jardim atendeu a solicitação de socorro, mas o problema é que ele só chegou com seus homens ao povoado depois de três dias do ocorrido dando as mais variadas desculpas e mostrando de maneira cabal a fragilidade das forças de segurança para não dizer conivência em relação ao banditismo que imperava e aterrorizava os sertões do nordeste brasileiro transformando essas regiões em terra de ninguém abertas a todo tipo de sorte.


A única autoridade realmente reconhecida nessas áreas era a dos coronéis que mandavam e desmandavam e muitas das vezes se aliavam a grupos foras da lei para fazer suas guerras particulares e impor suas vontades massacrando e destruindo todos aqueles que porventura não se enquadrassem as suas regras.


Era um verdadeiro “Deus nos acuda” onde a violência imperava e a lei do estado não funcionava e, quando funcionava só servia na maioria dos casos para oprimir de maneira exemplar todo desafortunado que ousasse se levantar contra as vontades sanguinolentas e gananciosas desses potentados infernais representados por uma elite hedionda que se refestelava em um festim quase que antropofágico onde o prato da vez era o sangue e o suor dos pobres sertanejos que sem opção se entregavam aos caprichos e desatinos desses que se diziam bons cristãos, benfeitores que construíam igrejas e se sentavam nas primeiras fileiras de bancadas na hora do culto religioso, mas, que no dia a dia nos sertões castigados pelo sol inclemente agiam como se no inferno estivessem distribuindo flagelos, tormentos e suplícios sem fim.


Esses eram os sertões do capitão Antônio Silvino onde as desesperanças eram muitas e as chances de ascensão eram para poucos e a presença do estado não era sentida e os desatinos eram cometidos de maneira sistemática com as bênçãos malignas dos grandes benfeitores dessas pobres e malfadadas regiões.