Angico 1938: José Ferreira – o cangaceiro neófito sobrinho de Virgulino Ferreira Lampião

Por João Costa


Virgulino Ferreira Lampião, perdeu em combate irmãos que eram cangaceiros, teve o pai, José Ferreira da Silva, assassinado pela volante do tenente José Lucena justamente pelo fato dos filhos serem cangaceiros e, antes de se fecharem as cortinas do cangaço, em Angico, julho de 1938, recebeu no palco para juntar-se ao bando, outro Ferreira: seu sobrinho José Ferreira dos Santos, de 17 anos.


José Ferreira, sobrinho de Lampião, passou apenas três dias no cangaço; foi preso, anistiado e depois desapareceu


O garoto José Ferreira chegou ao coito de Angico no dia 25 de julho, três dias antes do tio Lampião ser morto.


Talvez Virgulino Ferreira tenha visto no sobrinho um sucessor, porque tomou medidas dignas de iniciação do parente no cangaço: deu-lhe logo um rifle winchester e farta munição, mandou providenciar tecido e uma máquina de costura para confecção de resistente roupa de mescla, bornais e chapéu de couro da aba quebrada.


Mas José Ferreira dos Santos teve passagem rápida pelo cangaço, sequer chegou a ter uma alcunha. Sua primeira experiência em combate com as volantes foi também a última na sua vida de bandoleiro.


Três dias depois de ser incorporado ao bando tornando-se assim o 42º cangaceiro ali presentes em Angico, José Ferreira foi despertado na madrugada do dia 28 por rajadas de metralhadoras e tiros de fuzis.


Enquanto a fúria da força volante comandada pelo tenente João Bezerra, aspirante Ferreira e De Mello e Aniceto da Silva se abatia sobre o coito de Angico, agora imerso em nuvens de fumaça, pela névoa da manhã e abalado pelo pipocar dos disparos de uma metralhadora Bergman e de vários fuzis e mosquetões Mauser que vomitavam balas sem cessar, José Ferreira muito pouco ou quase nada pode fazer.


Até porque era um neófito.


“... de manhãzinha, eu tinha acabado de lavar o rosto e fui apanhar um cigarro que eu deixara em cima de uma pedra, quando ouvi um tiro, depois outros, todo mundo correndo, eu morto de medo, larguei o rifle que meu tio tinha me dado e caí no mato”, declarou José Ferreira, o cangaceiro estreante, em depoimento dado a jornais dias depois de se entregar à polícia.


José Ferreira era filho de dona Virtuosa (irmã de Lampião) e após viver um “dia de cão” na Grota de Angico, buscou refúgio em casa de parentes, foi preso e recolhido à cadeia de Jeremoabo(BA), depois recambiado para Penitenciária de Salvador, onde cumpriu pena, foi beneficiado pela anistia dada pelo Estado Novo aos cangaceiros que se entregaram e depois desapareceu no oco do mundo sem deixar rastro sobre seu paradeiro.


Fonte Cangaceiros de Lampião de A à Z, de Bismarck Martins.

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