Angico: ao ser morto, Lampião tinha 8 seguranças e mais seis subgrupos, totalizando 42 cangaceiros

Ao ser morto em 28 de julho de 1938 na grota do Angico, Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, estava acompanhado e no comando de 42 cangaceiros e sete mulheres, divididos em seis subgrupos; quase o número de composição de um pelotão militar que, tradicionalmente, é formado uma tropa entre 20 e 50 soldados. O bando estava assim distribuído:


O comandante Lampião tem sob suas ordens diretas, oito cangaceiros da sua guarda pessoal formada por Quinta-Feira, Elétrico, Laranjeiras, Candeeiro, Alecrim, Vila nova, Quixabeira e Chá Preto, além do recém-incorporado ao bando José Ferreira, sobrinho legítimo de Lampião e com 17 anos.


Volantes e jornalistas chegam a Grota do Angico, 3 dias após massacre; corpo que aparece é de Maria Bonita


O primeiro subgrupo estava sob o comando de Luiz Pedro, formado pelos cangaceiros Moeda (irmão de Alecrim), Cobra Verde, Amoroso, Cruzeiro, Vinte-Cinco e Azulão.


Segundo subgrupo chefiado por Zé Sereno, integrado por Cajazeiras, Marinheiro, Pernambuco e Ponto Fino.


Balão estava na chefia do terceiro subgrupo formado pelos cangaceiros Bom Deveras, Mergulhão, Marcela e Besouro.

O quarto subgrupo era chefiado por Criança e composto por Santa Cruz, Colchete e Cuidado.


Juriti estava no comando do quinto subgrupo, integrado por Borboleta, (primo de Alecrim e de Moeda), Penedo e Mangueira.

O sexto subgrupo tinha na chefia o cangaceiro Diferente, comandando Xexéu, e Beija-Flor, além de Zabelê, Lavandeira, Pitombeira e Delicado (irmão do cangaceiro Cuidado e primo de Penedo); bandoleiros que costumavam andar sós.


A mulheres presentes em Angico eram: Maria de Déa, Sila, de Zé Sereno, irmã dos cangaceiros Marinheiro e Mergulhão e prima de Penedo; Dulce, companheira de Criança, e Dinda, mulher de Delicado. Esta é a relação publicada pelo jornal Gazeta de Alagoas, edição de 9/12/1938.


Corisco, Dadá e seu bando estiveram em Angico, apenas de passagem. O Diabo Loiro jamais gostara do lugar, segundo revelou Dadá anos depois.


- Corisco não gostava de se misturar nem gostava de aglomeração.


A tropa que atacou Angico, liderada pelo tenente João Bezerra, também tinha um número de militares quase idêntico ao de um pelotão. Combater cangaceiros exigia motivações e três delas estavam em alta naquele momento: Traição (Joca Bernardo, motivado por inveja) vingança e a possibilidade de se “apoderar do tesouro” que ‘Lampião carregava em seus bornais, além da recompensa anunciada, é claro.


Em pé (E) coronel Lucena, Aspirante Ferreira de Melo(D), sentados Tenente João Bezerra(E) e o coronel Theodoreto


O Diário Oficial do Estado de Alagoas, edição de 31/03/1939 publicou o seguinte boletim, anunciando o pagamento do prêmio aos volantes que estiveram em Angico.


Ilmo. Sr. Coronel Theodoreto Camargo do Nascimento, comandante da Polícia Militar do Estado de Alagoas;


Passo às mãos de Vossa Senhoria, por intermédio do auxiliar deste gabinete, Sr. José Ovídeo Braga, a importância de cinquenta contos de réis (50:000$000), referente ao prêmio instituído pelo Governo do Estado da Bahia à coluna que extinguiu o bando de Lampião.


Conforme determinação do interventor Landulpho Alves, deverá ser entregue ao capitão João Bezerra a quantia de vinte contos de réis, recomendando eu, que, do restante, seja entregue ao tenente Francisco Ferreira de Mello, a importância de dez contos de réis, distribuindo-se o saldo equivalentes entre os demais componentes da referida coluna. O documento ainda detalha o seguinte, pois foram pagos dois prêmios: o do governo da Bahia e o do estado de Alagoas:


Em consequência, esse prêmio, juntamente com o deste estado, foi distribuído ontem em ato solene, obedecendo o seguinte:

Capitão João Bezerra da Silva: Alagoas – cinco contos de réis; Bahia – vinte contos de réis.


Primeiro-tenente Francisco Ferreira de Mello: Alagoas – cinco contos de réis; Bahia – dez contos de réis.

Aspirante a oficial Aniceto Rodrigues dos Santos: Alagoas – dois contos e quinhentos mil réis; Bahia – quatrocentos mil réis. Os demais integrantes da tropa também receberam prêmios em dinheiro em menor valor e promoções na carreira.

Mas e o suposto tesouro do Lampião, com quem ficou?


Virgulino Ferreira, Lampião, em foto de 1926 no Juazeiro do Norte, após ser recebido pelo Padre Cícero Romão


No livro “Lampião – memórias de Um Soldado de Volante”, de João Gomes de Lira, Vol II tem o seguinte relato feito pelo sargento Davi Jurubeba, que esteve presente no reconhecimento das cabeças decapitadas dos cangaceiros e presenciara diálogo entre o tenente João bezerra e um soldado de nome não revelado.


“O sargento Davi Jurubeba disse que viu um soldado que havia participado da volante, chamar o tenente João Bezerra para fazerem o dividendo” do botim arrecado em Angico. O soldado exigia a sua parte, pois João Bezerra estava “com tapia”.


Chamado em particular por Jurubeba, o soldado relatou que ele mesmo havia se apoderado da bolsa de Maria Bonita, que guardava o dinheiro vivo de Lampião, mas que a bolsa fora confiscada por Bezerra, prometendo fazer a divisão depois.

Divisão de dinheiro esta que não foi feita. Esse mesmo soldado disse a Jurubeba que havia se apoderado de bolsa do cangaceiro Luiz Pedro, e que nela continha a importância de cinco contos de réis, o suficiente para ele comprar uma fazenda.


Fontes: “Apagando Lampião” – Vida e Morte do Reio do Cangaço, de Frederico Pernambucano de Melo.

“Lampião – Memórias de um Soldado de Volante, de João Gomes de Lira, Vol. 2.

Fotos . Grota do Angico após o massacre. Tribuna Hoje


Foto2. acervo da Sociedade do Cangaço de Aracaju.


Foto 3. Acervo do museu do Padre Cícero.(Melhorada por Rubens Antônio)