Após leitura dramática de Papa Rabo, peça A Noite de Matias Flores também será revisitada

Atualizado: Ago 15

Por João Costa


A peça Papa Rabo estreou no Teatro Santa Roza em 1982 onde fez uma longa temporada para logo em seguida realizar turnê por São Paulo e Rio de Janeiro; ser atração do Festival de Areia e, a partir deste, convidada e incluída na programação do Projeto Mambembão, do então Instituto Nacional de Artes Cênicas para apresentação em Brasília, Vitória, São Paulo e Rio – um marco do teatro paraibano do século passado.


João Batista(E), João Costa(C) e Omar Brito durante filmagens em Itabaiana; Feira de Mangaio


Agora, em 2021, uma leitura da peça foi organizada pela teatróloga Susy Rego para o evento Agosto das Letras, como ação da Coordenação de Teatro da Fundação Espaço Cultural – pode parecer ironia, mas foi esta peça encenada para inaugurar o teatro Paulo Pontes – ainda sem nome na época, e que nunca ocorreu.


Baseada no romance de Fogo Morto de José Lins do Rego, adaptada por W. J. Solha e dirigida por Fernando Teixeira, exatamente 40 anos depois da sua estreia, a peça suscita um novo documentário, desta feita dirigido pelo cineasta, ator e diretor de teatro, Omar Brito, que encontrou nesta releitura da obra a oportunidade para entender e explicar o processo de criação da geração teatral dos anos 1980.


Papa Rabo 1982: cena com João Costa(E), Buda Lira e Adalice Costa, atriz paraibana já falecida


Há uma inquietação de Omar Brito e explicada por ele para a empreitada: explorar o clima político na obra de Zé Lins, sua contextualização nos anos 1980, período de terror pois o país vivia sob uma Ditadura Militar e neste momento, em que o país tem sua democracia mitigada e que, provavelmente faz marcha ré, para viver uma nova ditadura, depois de 33 anos de regime democrático, haveria similaridade política entre essas fases da história política e teatral para motivar uma leitura dramática.


Omar pretende ouvir, captar imagens, comparar situações políticas, reunir tudo em comentário cinematográfico, buscando canalizar as opiniões dos atores e atrizes que participaram da montagem de Papa Rabo, quarenta anos depois, dando assim um passo mais largo do iniciado por Susy.


E o trabalho de pesquisa do diretor começou neste sábado 14, ouvindo radialista João Costa – o ator que interpretou papel do capitão Vitorino Carneiro da Cunha, em Itabaiana.



O trabalho de Susy Lopes virá a público no próximo dia 17, o de Omar Brito agora que está dando seus primeiros passos, mas a ideia de Susy abriu um veio a ser explorado pelo teatro paraibano nestes tempos pandêmicos e de pandemônio louco político.


O iluminador e diretor de teatro João Batista resolveu seguir no mesmo filão das peças paraibanas exitosas do século XX: pretende reunir o elenco da Noite de Matias, peça também de 1982 do poeta Marcos Tavares com direção e Fernando Teixeira – esta sim – foi encenada para inaugurar o teatro Lima Penante, do Núcleo de Teatro da UFPB - de fato inaugurou.



As coincidências entre as duas encenações aqui citadas estão na direção e em alguns intérpretes. “A Noite de Matias Flores” subiu ao palco sob a direção de Fernando Teixeira e no elenco João Costa, que fez o papel de Matias Flores apenas na estreia e inauguração do Lima Penante, Ubiratan de Assis, Oswaldo Travassos, Nautília Mendonça (já falecida), Criselide de Assis e Ednaldo do Agípto; iluminação de João Batista – seu primeiro trabalho teatral.


O diretor desse projeto de leitura dramática é do próprio João Batista, que por coincidência é filho da atriz Nautília Mendonça que viveu papel de destaque na Peça A Noite de Matias Flores.


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