Após viagem ao inferno, Lula retorna a outro em busca de reconciliação com demônios e povo demente

João Costa

Luiz Inácio Lula da Silva está de volta, após uma longa viagem entre o Céu, Purgatório e Inferno, tal Dante Alighieri em “A Divina Comédia” ao lado do poeta Virgílio como o único personagem que foi do céu ao inferno – perdendo nessa trajetória esposa, neto e irmão – e que volta para a vida temporiamente livre; na velhice, com o condão do perdão e da conciliação ainda que reine contra ele o ressentimento, o ódio de classe e o furor de um Judiciário politicamente avesso à aplicação da justiça.



A reação foi imediata. Porta-vozes dos militares no poder retomam o discurso ameaçador daqueles que se julgam tutores de tudo; a mídia, curiosamente, escancarou espaços para o pronunciamento do Lula, mas sem fazer autocrítica que ela mesma foi e segue coatora do caos em que Pindorama está metido; as instâncias inferiores do Judiciário se reagrupam na trajetória de sublevação contra estâncias superiores que decidam contrariamente ao que elas decidiram e as milícias de extrema-direita se armam para 2022.


O banho de sangue pode ser uma conjectura, mas uma promessa e uma ameaça recorrente de militares, milícias e setores abastados economicamente.


No meio do caminho há um vírus letal que mata pobres e ricos, milhares de vidas ceifadas, mas que nem assim capaz de despertar a comiseração dos brasileiros, que se revelaram insensíveis, religiosos fanáticos, rancorosos e ressentidos, ávidos por míseros tostões, ao contrário da lenda que retrata um povo cordato, criativo e feliz.


O que disse Lula repaginado depois de 580 dias de prisão política, descaradamente engendrada para afastá-lo da disputa eleitoral por um ex-juiz que se tornou “deus de barro” para hipócritas de classe média e néscios despertados para o protagonismo das redes sociais?


“Se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas magoas sou eu. Mas não tenho; o sofrimento do povo brasileiro é maior do que qualquer crime que tenham cometido contra mim," disse.


E numa linguagem para que todos possam entender, inclusive a tal plebe rude que povoa o país, apelou:


“Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República e do ministro da Saúde, tome vacina. Tome vacina, porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do covid."


"E não ache que você possa tomar a vacina e já tirar a camisa, ir pro boteco, pedir uma cerveja gelada e ficar conversando, não! Você precisa continuar fazendo o isolamento, e você precisa continuar usando máscara e utilizando álcool em gel."

Praticamente Lula pediu reação e a derrubada do regime e ele mesmo avisa que não sabe como fazer. Talvez ressabiado, porque conhecedor da pusilanimidade do povo.


Imagem: Lula concede entrevista, CNN brasil

Por Trás do Blog
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