Casa da Torre: considerado o maior latifúndio do mundo, criou condições para o genocídio indígena

*Julierme Wanderley


A enigmática Casa da Torre foi erguida por Garcia de Sousa D’Ávila e foi sede do maior latifúndio do mundo, sendo responsável pela entrada do gado bovino nos sertões nordestinos nos séculos XVII e XVIII, e consequentemente a fixação de população não indígena nessas paragens. Ela, a Casa da Torre, tinha funções de vigilância dos sertões infestados de população indígena sublevada, pois, esses não se conformavam com a entrada de pessoas que se apropriavam de suas terras de uma forma genocida praticando a destruição, física e cultural dessas populações, esses que entravam sem permissão em terras que não eram suas utilizava a fé e o modelo mercantilista de capitalismo dessa época para extrair de forma descarada tudo que de valor existisse nessas áreas de sertão bravio e inóspito.


Palácio de Garcia D'Ávila, em Mata de São João(BA): poder e glória dos portugueses


- E a Casa da Torre se prestou muito bem a esse papel de apoiador, e fiador da chegada em muitos casos de elementos humanos sem escrúpulos que transformara as paisagens sertanejas outrora primitivas em cemitérios encharcados de sangue de inocentes que queriam apenas viver dentro de seu modo secular de vida.


A Casa da Torre para conseguir dominar esses sertões ainda inexplorados distribui-o a, pessoas que geralmente eram atrelados a eles grandes propriedades rurais criando com isso os grandes latifúndios que foi e, é uma marca registrada do nordeste brasileiro.


Esse sistema empregado para distribuir terras recebeu o nome de sesmaria que tem suas origens na idade média, na realidade os senhores dessas terras que se chamavam sesmeiros se comportavam como verdadeiros senhores feudais donos da vida de todos que viviam dentro dos limites de suas imensas propriedades rurais abrindo às caatingas selvagens, e fundando fazendas expandindo o poderio e transformado as populações nativas em escravos que eram utilizados na lida dessas áreas de exploração.


Concentração de terras, pilhagem e apadrinhamento


Uma sesmaria equivalia a aproximadamente 6.600², evidentemente se doavam léguas de sesmarias sendo, portanto, grandes extensões de terras. Essas grandes áreas de terra se encontravam concentradas em mãos de poucos privilegiados que eram na sua grande maioria, apadrinhados da coroa portuguesa ou dos administradores locais.


Por outro lado, a Casa da Torre serviu como uma muralha atlântica contra as investidas de corsários que pilhavam o litoral brasileiro no período colonial servindo muitas das vezes aos interesses de governos de outras nações europeias que rivalizavam com o governo da metrópole que dominava os destinos do Brasil dessa época.


É bem verdade que a Casa da Torre teve um apoio bastante forte da estrutura administrativa da colônia, pois, o seu fundador Garcia de Sousa D’Ávila era muito próximo do governador-geral do Brasil Tomé de Sousa inclusive algumas fontes históricas apontam que ele Garcia D’Ávila era um filho bastardo do citado governador que não media esforços para sempre que podia protegê-lo e automaticamente aumentar o poderio do seu protegido dentro do Brasil colonial.


- Se vê que as relações do setor privado e governo no Brasil sempre foram muito próximas, inclusive o estado servindo como um instrumento para consolidar o poder dos poderosos que acumulavam terras em detrimentos de todo aquele que não se encachava dentro desse sistema de privilégio.


Teodósio de Oliveira e o massacre de indígenas na Paraíba


Como exemplo de grande senhor de terras das regiões dos sertões nordestinos, atrelado a Casa da Torre podemos citar a figura do capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo que foi um dos personagens mais controversos e de maior envergadura da conquista de vastas áreas de terra do interior do atual estado da Paraíba agindo na pacificação ou, diga-se de passagem, massacre dos índios tapuias que hostilizavam os colonizadores que viam ocupar esses lugares, o termo tapuias era a forma pejorativa utilizada pelos colonizadores para se referir as nações cariris e taiririús que habitavam as regiões do interior dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Essas nações indígenas protagonizaram a prodigiosa e famosa guerra dos bárbaros que, pois, a perigo a fixação dos colonos nas áreas interioranas dos citados estados, com isso Teodósio granjeou grande prestígio junto às autoridades governamentais, prestigio esse que ele bem soube usar para angariar mais riquezas e terras.


Reprodução: Teodósio de Oliveira Ledo conquistador de terras com massacres indígenas


A grande casa de Garcia D’Ávila era a lei e a ordem num Brasil em formação pavimentando uma estrada que torna os caminhos históricos desse país, mas, precisamente a região nordeste em um lugar diferenciado das demais regiões brasileiras pelas formas distintas de colonização baseada sobre tudo no acumulo de terras que serviu de lastro para a criação de uma sociedade de característica medieval onde as figuras principais eram os grandes senhores de terra que tudo fazia para aumenta as riquezas e o poder familiar em detrimento de todo aquele que não tivera a sorte divina de nascer dentro desses grupos familiares privilegiados que influenciaram e influenciam até hoje os destinos dessa região repetindo sempre o mesmo enredo baseado na ganância quase que mortal pelo poder e pela riqueza.


Imagens Wikipédia


* Julierme Wanderley é professor de Geografia e pesquisador do fenômeno Cangaço.




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