Clementino Quelé: ex-cangaceiro, sargento da PM da Paraíba e combatente da Guerra de Princesa


No início dos anos 1920, Lampião e seu bando enfrentaram uma escalada de combates intermitentes nas regiões do Pajeú, arredores de Conceição do Piancó(PB) e no Cariri cearense onde, na fazenda Queimadas, em Milagres, em conflito com o padre José Furtado de Lacerda, o irmão de Lampião, Antônio Ferreira, é baleado no braço.

Editor do blog durante visita ao casarão de patos de Irerê, palco de combates travados por Quelé


Na fazenda Tabuleiro, de Neco Alves, Virgulino é alvejado por dois tiros transfixiantes, acima do peito e na virilha, atingindo um dos testículos, obrigando-o a tratamento médico; enquanto se recupera, o bando de Virgulino Ferreira, segue em ação sob o comando dos irmãos.


O mês de janeiro de 1924 entra com Lampião de volta ao comando e lançando seu bando numa revanche contra um ex-aliado, com quem havia rompido: Clementino José Furtado, o Clementino Quelé. Um guerreiro da mesma estirpe de Lampião.


Ficha de cadastro de ingresso de Clementino Quelé na Polícia Militar da Paraíba, em 1925


Clementino Quelé travou contra Lampião dois combates intercalados no espaço de cinco dias, com quase seis horas de duração, e que sai em desvantagem: Perde em combate um irmão, um genro e um compadre, além de muitos feridos na família e prejuízos de 3 casas incendiadas por Lampião.


No cerco à casa do ex-amigo, Lampião bradava:


- “Da família de Quelé, hoje só se salva quem avoa”.E hoje eu vou beber o sangue de todo mundo! Derrubem e queimem tudo”, era a voz de comando de Lampião.

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- “Se derrubar e entrar um, nóis mata na faca”, respondia Quelé dentro de casa, onde estava bem municiado. De forma destemida Clementino xingava Lampião e cantava ao mesmo tempo.


Durante tiroteio de mais de cinco horas Clementino encorajava seus companheiros de armas cantando, a ponto de mandar tocar harmônica em volta dos parentes e companheiros mortos dentro de casa.


Lampião suspendeu o cerco e retirou-se mediante a chegada de outra volante em socorro de Clementino Quelé.

Em março de 1924, de novo, Lampião é ferido no dorso do pé direito. Com a bala saindo pelo calcanhar esfarelando parte do calcâneo. Após curado a base de creolina, Lampião passaria a usar palmilha ao calçar as alpercatas.


Enquanto esteve ferido na Serra do Catolé, em São José do Belmonte, Antônio Ferreira vai em socorro do irmão levando consigo Cícero Costa, espécie de paramédico do bando. É interceptado por Clementino e sua volante.


Nesse tiroteio Antônio Ferreira fica sem munição, refugia-se numa moita, de onde assiste, sem nada poder fazer, Cícero Costa ser capturado e sangrado de forma implacável por Clementino Quelé.


O cancioneiro popular imortalizou as façanhas de Quelé em versos e folhetos recitados nas feiras livres do Sertão.

“Lampião diz que é valente/É mentira: é corredor/Está andando de muleta/ Seu Quelé foi quem botou”.


Clementino é descrito como um homem forte, de tez acentuadamente branca, que realmente ficava com a pele vermelha quando tinha raiva e esta teria sido a razão de Lampião apelidá-lo pejorativamente como “Tamanduá Vermelho”.


Clementino teve uma trajetória conturbada, fazendo inimigos de todos os lados. Começou como “comissionado” da polícia de Pernambuco; ao prender ladrões de gado arranjou inimigos poderosos, inclusive coronéis da política. Resultado: a acabou sendo perseguido pela polícia, fazendo-o aproximar-se de Lampião.


Clementino Quelé entrou e saiu do bando de Lampião por desavenças. Desta feita, com o cangaceiro Meia Noite. Há relatos que os dois saíram no braço. Tendo Lampião apartado a briga, e tomado partido ao lado de Meia Noite.


Meia Noite era negro; Quelé teve uma reação racista, muito comum nos sertões nordestinos.


- Lampião teria dado mais valor a um negro do que a ele”.


Sentindo-se rebaixado, Quelé abandonou o grupo e ficou marcado como inimigo por Virgulino. E por conta disso, deixa Pernambuco, refugia-se na Paraíba e sob a proteção do coronel Zé Pereira ingressa na Polícia Militar paraibana em 1925 com a patente de sargento pelo fato de já comandar uma milícia privada que varava o Pajeú numa caçada feroz contra Lampião e seu bando; um irmão também ingressou na polícia como contratado.

Na Paraíba, região de Princesa, Clementino Quelé é reverenciado em prosa e verso por sua bravura. O sertanejo que fora cangaceiro e polícia. Àquele que impôs a Lampião os maiores apertos.


Na revolta de Princesa, entre fevereiro e julho de 1930, Clementino Quelé destacou-se militar no combate aos revoltosos, pois ele havia rompido com seu protetor, Cel. José Pereira, ficando ao lado das forças do presidente da Paraíba, João Pessoa.

Cou a Quelé comandar uma operação que fracassou, que resultou sequestro de Mulheres que seriam usadas como "escudos Humanos" numa panejada invasão de Princesa Isabel.


Clementino Quelé, ex-acangaceiro e ex-sargento da volante da Paraíba, inimigo de Lampião


Quelé acabou cercado por 300 cangaceiros e jagunços do Cel. Zé Pereira num casarão em Patos de Irerê, e que conseguiu escapar


Mesmo com toda coragem e capacidade para caçar cangaceiros, Quelé era sargento PM e analfabeto, o que fez ele permanecer nas fileiras da polícia da Paraíba apenas com a graduação de sargento.


Quelé morreu já idoso na Paraíba, na cidade de Prata, próximo ao município de Monteiro, onde foi delegado de polícia.


Fonte: “Lampião, Memórias de um Soldado de Volante”, Vol. I. De João Gomes de Lira.

"Apagando Lampião", de Frederico Pernambucano de melo

Artigo de Rostando Medeiros, em Tok de História

“Apagando Lampião”, de Frederico Pernambucano de Melo



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