Com a morte de Zé Maranhão, o maranhismo desaparece?

Por décadas o empresário José Maranhão polarizou a política paraibana, rivalizando com o grupo Cunha Lima de grande predominância eleitoral; cresceu politicamente como vítima de cassação por parte do Regime Militar; surfou na onda democrática aliando-se à esquerda apoiando e dando base de sustentação aos governos do PT, até dar um giro de 360 graus para apoiar o golpe que devolveu o país a um regime de exceção, e encerrar sua carreira aliado ao fascismo que no momento governa o país.

Imagem: entrevista de Zé Maranhão, acompanhada também por Adelson Barbosa(E), em 2019


O que se convenciona chamar de Maranhismo nada mais é o exercício clientelista da política, que ao lado do poder econômico e da máquina estatal deram e continuam dando sustentação aos grupos dominantes. O mesmo vale para o Cassismo e o Ricardismo.


Nas eleições gerais de 2018 seus parentes Olenka e Benjamim já não lograram êxitos eleitorais. A primeira ensaiou desistência da política exatamente por ver minguada a influência eleitoral de Maranhão; o segundo refez pretensões políticas, limitou ação à comuna de origem e, atualmente, enfrenta investigações por parte do Ministério Público e Polícia Federal.


Em 2020 assistimos Zé Maranhão apostar suas fichas políticas, não mais em quadros políticos do MDB ou em partidos aliados. Apostou num candidato com popularidade midiática e foi buscar na caserna um candidato a vice para compor a chapa, numa combinação que se supunha a bola da vez: o discurso de direita respaldado pelos quartéis.


Não está em análise os períodos administrativos de Maranhão, de modesto desenvolvimento, favorecido por privatizações do Banco Paraiban e Companhia de Energia (Saelpa) e potencializado por governos centrais de esquerda, aos quais se aliou, um período exitoso que o país vivenciou em todos os sentidos da política.


Antes de 2020 já era possível observar o progressivo distanciamento de políticos que gravitavam em torno da liderança de Zé Maranhão.


Lideranças regionais como Roberto Paulino, os Maia, Os Mota, os Vital do Rego, paulatinamente buscaram outros caminhos. Antes, muito antes, o grupo político liderado por Enivaldo Ribeiro, também umbilicalmente ligado ao Maranhismo, já havia buscado caminhos próprios.


E é este grupo liderado agora pelo deputado Aguinaldo Ribeiro, depositário de todo o espólio político fermentado nos governos de Zé Maranhão. Há uma década o grupo Ribeiro já se tornou de maior influência do estado junto ao governo central, também gravitando entre alianças à esquerda e à direita.


Por fim e não por encerrado, não custa assinalar que 2020 foi um terrível ano pandêmico, em que Zé Maranhão perdeu politicamente e ganhou uma Convid-19 que ceifou a sua vida. Particularmente levou o fazer político às últimas consequências a ponto de ser retirado de cena no dia da eleição.


Certamente o nome Zé Maranhão continuará servindo de apelo eleitoral, mais pelo seu legado administrativo, que por influência que se esvaiu.


Por Trás do Blog
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