Corisco e Jararaca II: soldados de elite do Exército Brasileiro que tornaram-se cangaceiros

Por João Costa


O Exército Brasileiro também foi escola de cangaceiros e, alguns de seus oficiais, até atuaram em conluio com Virgulino Ferreira da Silva Lampião, a exemplo do capitão-médico Eronides de Carvalho, de família de coiteiro e depois protetor do próprio bando quando governou Sergipe na condição de interventor da Revolução de 1930.


Cristino Gomes, Corisco, serviu e desertou do Exército antes de tornar-se cangaceiro


Mas como escola, o Exército formou e treinou dois dos mais destacados cangaceiros de todos os tempos: Cristino Gomes da Silva, Corisco, ex-soldado do 28º Batalhão de Caçadores de Aracajú, militar de destaque da Tropa de 1ª Linha da corporação, algo como Tropa de Elite de franco-atiradores, com especialidade no manejo de armas longas.


Na condição de soldado de elite, participou de uma quartelada fracassada contra o Governo Federal, em 1924, em que o 28º B.C cercou o Palácio do Governo e o soldado Cristino, supostamente, estaria entre os militares que deram forte descarga de tiros no Palácio, antes de arrombarem e render a guarnição.


Sob o comando do tenente rebelde, Augusto Maynard, Cristino também estaria entre os soldados de elite do Exército que atacaram o Prédio do Batalhão da Polícia Militar de Sergipe.


O resultado dessa quartelada do Exército iniciada a partir do estado de São Paulo e que teve a adesão do 28º Batalhão de Caçadores de Aracajú, é que os líderes revoltosos foram derrotados, se renderam e logo depois beneficiados com anistia, que não contemplou os soldados rasos – Cristino acabou preso, enfrentou um IPM – Inquérito Policial Militar, que resultaria na sua expulsão do Exército.


O soldado Cristino, ressabiado com cadeia (já havia sido preso uma vez por desordem), simplesmente abandonou a tropa, passando a ser procurado como desertor do Exército.


Sabem que estava também no Exército, mas do lado das forças leais ao governo e contrário aos revoltosos de São Paulo?

O pernambucano José Leite de Santana, o Jararaca II.


Menino criado pelos tios, José Leite foi soldado do Exército, em 1921, servindo no 3º Regimento de Infantaria de Maceió e depois no 1º Regimento de Cavalaria Divisionária, também Tropa de Elite do Exército.


Nessa condição de combatente da Cavalaria, o soldado José Leite foi despachado com sua tropa para dar combate aos revoltosos, em São Paulo, em 1924.


E não parou por aí


O soldado José Leite de Santana, da frente de combate em São Paulo foi removido para o Rio de Janeiro e depois para o Rio grande do Sul, perseguindo os revoltosos, tornando-se assim um soldado de Infantaria experimentado em combate.


Após servir ao Exército e de volta à terra natal, em 1925, ingressou no cangaço, formando seu próprio grupo de bandoleiros, com atuação nas ribeiras dos rios Pajeú e Moxotó, em Pernambuco, para logo em seguida ingressar no Bando de Lampião.

No bando de Lampião recebeu a alcunha de Jararaca II e ganhou a confiança do chefe por conta de suas habilidades de caserna; tido como cabra muito desconfiado e cruel, tornou-se “instrutor” militar dos jovens que ingressavam no bandido.

E na condição de chefe de subgrupo, teve sob seu comando nada menos que o ex-soldado Cristino, Corisco.


Jararaca foi protagonista em vários combates entre o bando de Lampião e as volantes nazarenas; ao lado de Corisco participou da chacina da família Gilo, estava bem ao lado de Lampião quando este foi ferido em Floresta, 1926, pelas volantes paraibanas e pernambucanas.


Jararaca II (sentado) serviu ao Exército e combateu a revolta paulista, antes de tornar-se cangaceiro


Como atirador de ponto e no manejo de arma longa causou muitas baixas nas volantes pernambucanas no combate da fazenda Favela e também na Serra Grande, em 1927.


Como um dos homens de confiança de Virgulino Ferreira, esteve na comitiva durante a visita a Juazeiro do Norte, em 1927, oportunidade em que Virgulino Ferreira recebeu a patente de capitão do Exército Patriótico, uma milícia criada para combater a Coluna Prestes, também formada por dissidentes do Exército Brasileiro.


Jararaca II morreu bem antes de Corisco e foi menos famoso que o “Diabo Louro”; acabou ferido no ataque a Mossoró levando dois balaços: um na perna e outro na caixa dos peitos e enterrado vivo, ou teria cavado a própria cova antes de ser executado pela polícia.


Seu túmulo no Cemitério de Mossoró tornou-se destino de romarias no Dia de Finados, pois segundo a crença popular, muitas graças já foram alcançadas por intercessão do Jararaca, tido pelos sertanejos como “santo Jararaca”.


Fontes de Consulta:

Corisco – A Sombra de Lampião, de Sérgio Augusto de S. Dantas

Cangaceiros de A à Z, de Bismarck Martins de Oliveira.


Acesse: blogdojoaocosta.com.br

Fotos de domínio público.





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