Coronel fez revelações no leito de morte: Sandes matou Virgulino Ferreira Lampião

Por João Costa

Em seu livro “Apagando Lampião – Vida e Morte do Rei do Cangaço, o escritor Frederico Pernambucano de Mello, foi muito além de uma história já conhecida, exaustivamente repetida; colocou nas mãos do leitor uma versão crível sobre a trajetória de Virgulino Ferreira da Silva, além da revelação sobre a identidade do matador de Lampião, a despeito das versões anteriores, que o autor desmonta com eficiência num texto primoroso.


Soldado Santo(E), o homem que matou Lampião(D) e de quem fora amigo e coiteiro


A começar por revelações feitas no leito de morte. Daqueles segredos que o moribundo recusa levar para a sepultura.

Coronel Audálio Tenório de Albuquerque e coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão, dois homens e um segredo só revelado no leito de morte por aquele que fora responsável direto pelo assassinato de José Ferreira, pai de Lampião, ainda quando era apenas chefe de volante com a patente de tenente.


No ano de 1955, moribundo e quase no leito de morte, José Lucena chamou o coronel Audálio Albuquerque para uma conversa “pé-de-orelha”, das muitas que já haviam compartilhado ao longo da vida.


E que o disse José Lucena ao coronel Audálio Tenório?


- Que o matador de Virgulino Ferreira, Lampião, fora um dos guarda-costas e homem de confiança do aspirante Francisco Ferreira de Mello, de nome Severino Vieira Sandes, o “cabo Santo”.


E não o soldado de número 145 Antônio Honorato da Silva, o Noratinho, que reivindicou para si a façanha de ter sido o matador de Lampião naquele alvorecer de 28 de julho de 1938.


Soldados volantes posam ao lado de cabeças decapitadas em Angico, em 1938.


Tal revelação ainda hoje causa alvoroço entre pesquisadores, contadores de histórias do cangaço e admiradores dessas narrativas sobre a aventura do homem nordestino que viveu das armas e debaixo do chapéu de couro da aba dobrada para cima.


Pelas evidências pouco conhecidas e reveladas no livro de Frederico Pernambucano, o “soldado Santo” foi de um protagonismo fantástico na história do cangaço.


Na juventude, Sebastião Vieira Sandes fora coiteiro. Mais que isso:


Antes de se tornar coiteiro, foi parceiro de Lampião no artesanato de couro, quando contava 18 anos em Água Branca, Alagoas. Ele confeccionava peças de couro ao lado de Lampião, também ele exímio artesão e bordador, para acolher os novos membros do bando. Galeguinho organizava os “bailes perfumados” do amigo e costumava dançar com Maria Bonita.


No bando de Lampião, Sandes era tratado por Maria Déa e outros cangaceiros no diminutivo como “Galeguinho”, que também era sobrinho da baronesa de Água Branca, àquela a quem Lampião delapidou em seu primeiro grande assalto como bandoleiro.


Como e por que Sandes deixou de ser cangaceiro para tornar-se soldado de volante? Eis aí um vasto campo para pesquisas, mas o fato é que Sebastião Vieira Sandes, o “soldado Santo”, estava no palco dos acontecimentos de Angico.


Dos quase 50 homens que atacaram o bando de Lampião naquela madrugada de 28 de julho, apena o soldado Santo, o coiteiro Pedro de Cândido e, provavelmente, o tenente João Bezerra, conheciam pessoalmente e na intimidade, Virgulino Ferreira.


Os homens que ingressavam nas volantes para o combate ao cangaço, tinham como certa a remuneração do soldo, mas o que realmente os movia era a possibilidade do despojo de guerra; fazendo valer a regra do direito de cortar a cabeça do cangaceiro que matasse e ficar com seus pertences, inclusive joias e dinheiro.

Coube ao coiteiro Pedro de Cândido capturado e amarrado por uma corda ao próprio soldado Santo, ser conduzido até o local do cerco: sua função era identificar e apontar quem era Lampião; tanto assim que ele seguia na primeira linha, ao lado do aspirante Ferreira e do soldado Santo, que também conhecia Virgulino na intimidade desde os tempos do cangaço e dos trabalhos conjuntos como artesãos.


Os relatos são unânimes de que coube a Sandes cortar a cabeça de Virgulino Ferreira com o próprio facão deste e se apoderar dos despojos: 30 alianças de ouro que Lampião conduzia no seu famoso lenço de pescoço, da pistola Luger Parabellum, além de ouro e dinheiro de Virgulino.


Ainda como reconhecimento por ter matado Lampião, logo após os fatos de Angico, Sandes foi transferido, passando desde então a integrar a guarda pessoal do governador do estado de Alagoas, na época chefiado por um interventor federal, por indicação do aspirante Ferreira.


Mas por que o soldado Santo guardou esse segredo, de ser o autor do disparo que matou Virgulino, durante sessenta anos, só revelando quando extremamente doente e desenganado pelo médico?


- O aspirante Ferreira na época me disse que eu era muito novo para ficar um homem marcado e que Lampião possuía amigos muito poderosos, o que eu não desconhecia. Pensei na família, foi a justificativa dada por Santo para seis décadas de silêncio.


No fim da vida, Sebastião Vieira Sandes, resolveu puxar pela memória para contar o fato como o fato foi naquela madrugada, em Angico.


- “Ocupada a posição, a um sinal do aspirante, Pedro de Cândido se aproximou da borda do penhasco e recuou de repente, branco como papel: avistara Lampião logo abaixo, em frente de uma pedra pontuda.” relembrou Sandes.


Vorgulino Ferreira da Silva, Lampião, em Juazeiro do Norte, quando recebeu a patente de capitão.


- Ele, Virgulino, estava a menos de oito metros de distância, em pé, inteiramente equipado, salvo pelo chapéu e pela cartucheira de ombro; o coiteiro Pedro de Cândido olha pra mim; por meio de gestos e de movimentos de boca, eu confirmei a identificação para o aspirante (Ferreira) que, em resposta, olhou e molegou o dedo indicador na direção de Pedro”; era a senha para que este também fosse eliminado”.


Missão dada é missão cumprida.


Pou!



- “Foi uma queda desconjuntada do corpo; queda de quem cai para não levantar mais; foi um tiro solitário, certeiro e a uma distância de 8 metros”, relatou Sandes ao famoso pesquisador do cangaço.


Sandes disse, ainda, que abriu mão de dar um tiro à queima-roupa em Pedro de Cândido, como havia ordenado o aspirante Ferreira; após o tiro fatal em Lampião, o soldado Sandes se desamarrou de Cândido e faz um gesto inesperado


- Foge, desgraçado!


Acesse: blogojoaocosta.com.br

Fonte: Apagando Lampião – Vida e Morte do Rei do Cangaço, de Frederico Pernambucano de Mello.


Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black