Década de 20 o cangaço também tinha Cia do Crime: o bando Antônio, Antônio & Antônio

A associação para o crime organizado não é uma invenção recente. Jornais dão conta da associação para o crime já na década de 20, do século passado. Que fazia ou por onde andava Virgulino Ferreira da Salva, em maio de 1921, que os jornais o ignoram, dando matérias em sequência sobre o seu irmão Antônio Ferreira, Antônio Porcino e Antônio Matilde, seu tio afinidade?


Imagem: Lampião(E) e Antônio Ferreira, em Juazeiro do Norte 1926


Vejam só que relatos interessantes sobre o cangaço publicados em jornais de Pernambuco e Alagoas, e transcritos por Luiz Rubem Bonfim, em seu livro “Lampeão Antes de Ser Capitão”; em que Virgulino não aparece como protagonista na liderança de grupos de celerados.


A Província, Recife, edição de domingo, 29 de maio de 1921, relatando ações de bandoleiros no interior do estado.

Vila Bela, 28 – “Um grupo de cangaceiros atacou hoje pela manhã o povoado de Santa Maria, município de Belmonte; saqueando o comércio, o Citado grupo está operando sem receio, em virtude de achar-se o capitão José Caetano em diligência no Riacho do Navio, em perseguição ao grupo de Antônio Matilde”.


Em seguida, no dia 29, uma nova reportagem sobre banditismo no interior, traz o seguinte relato e, mais uma vez, Virgulino não é citado. Diz a matéria:


“Deus os fez com um mau agouro e um dia o diabo os ajuntou em Água Branca. Chamam-nos Antônio Matilde, Antônio Ferreira e Antônio Porcino, três nomes de bandidos perigosos e salteadores inveterados de vilarejos de viadantes indefesos. Cansados de “operar” cada um isoladamente, resolvem eles organizar uma sociedade comercial, sob a razão de Antônio, Antônio & Antônio”. Desde essa data tem sido trabalho para os destacamentos do interior conter as façanhas dos bandoleiros”.


E acrescenta: “ainda há pouco os Antônios incendiaram duas casas comerciais em Pariconha, levando como refém o comissário de polícia dessa povoação”.


Uma matéria do jornal “A Província”, de 21 de junho de 1921, relata: “Antônio Matilde acompanhado de quatro cangaceiros seguiu antes da diligência em direção da Paraíba, conduzindo a família”. A matéria relata que esse grupo, ao chegar no município de Santana, recebeu cobertura de “Antônio Porcino e outro cangaceiro. Ambos desfecharam tiros de rifle contra a força volante”.


Mas quem era quem?

Antônio Porcino liderava um grupo de cangaceiros em associação com mais dois irmãos. Reza a lenda que Virgulino Ferreira, ao entrar para a vida bandoleira, ingressou no bando de Sinhô Pereira e realizava empreitadas com o bando dos irmãos Porcino.

Depois de uma vida de razias e de fazerem o “pé de meia”, o que se sabe é que Os Porcino e Antônio Matilde, deixaram o cangaço.

Quem foi, de fato, Antônio Ferreira?

Segundo o pesquisador José Alves Sobrinho, em seu livro “Lampião, Antônio Ferreira e Levino – A Parceira e o Cangaço”, ao relatar o início do conflito entre as famílias Ferreira e Nogueira, revela esta faceta do cangaceiro. “Antônio Ferreira, sim, arrastava metade do seu sangue, ou seja 50% Nogueira”. E que toda a ira desse icônico cangaceiro, “se agravou a partir do instante em que Antônio Ferreira soube que era filho de Venâncio Barbosa Nogueira e não de José Ferreira dos Santos”.


Bando de Lampião, segundo sentado à direita, quando ainda usava rifles, que depois foram substituídos por fuzis


Em 1922, a polícia alagoana, sob o comando do tenente José Lucena (o mesmo que matou José Ferreira, pai de Lampião), aumenta a pressão ao banditismo rural, principalmente sobre os irmãos Porcino e o bando de Antônio Matildes. Após muitos assaltos e saques, incluindo o rentável assalto à baronesa de Água Branca, Matildes convoca uma reunião do bando na região do Moxotó pernambucano e comunica aos sobrinhos por afinidade (Antônio, Virgulino e Levino) sua decisão de abandonar o cangaço. E ainda faz uma recomendação: que os irmãos Ferreira façam o mesmo.


- “Se espalhem e finjam de mortos até a poeira baixar, ou arribem, como eu vou fazer”, disse Matildes a Lampião.

- Meu tio, o plano está bom para o senhor e os outros. Eu, que já estou vivendo debaixo do chapéu, não quero conselho nem dou. Este rifle, só deixo se eu morrer. E o estado de Alagoas, a Deus querer, eu queimo!”, teria respondido Lampião, segundo relato do cangaceiro Medalha, ao escritor Frederico Pernambucano de Mello.


Terminada a tal reunião, Antônio Matildes mudou de nome, cruzou o Pajeú e a divisa de Pernambuco, ingressou com a família na região de Monteiro e terminou sua jornada em Catolé do Rocha, Paraíba, em redutos dos Rosado Maia, mergulhado no anonimato, onde viveu incógnito, até morrer.


João Costa. Siga @joaosousacosta (Instagram)

Fontes: “Lampião, Antônio Ferreira e levino – A parceria e o Cangaço”, de José Alves Sobrinho. “Lampeão Antes de ser Capitão”, de Luiz Ruben Bonfim.

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