Emboscada: artifício da guerra de guerrilha utilizada nos primeiros anos do cangaço

Julierme Wanderley


Um homem montado no seu cavalo vem pensativo serpenteando as veredas silenciosas da caatinga selvagem, áspera e seca seu semblante estar triste talvez por ter deixado horas atrás em sua casa de taipa a sua esposa, mãe de seus filhos queridos, seu animal cansado anda devagar num cavalgar relutante.



O animal relincha como prenunciando algo, o homem olha nervoso para os lados e nesse momento espore-a seu cavalo na intenção de sair de lá o mais rápido possível e ao longe a acauã canta seu canto tenebroso.


Depois o silêncio se estabelece de forma brutal e o homem leva a mão ao bolso pega o lenço e enxuga o rosto que transbordava de suor.


Ouve-se ao longe o chacoalhar do guiso da cascavel que se camuflava no meio da vegetação seca.


Mais, uma vez o homem olha de maneira aflita para um pé de umbuzeiro e nada vê e espore-a uma, duas, três vezes o pobre animal que se recusa ir adiante e de repente escuta-se os estampidos de tiros.


Formação do bando de Antônio Silvino, com atuação em vários estados do Nordeste


O homem está estendido no chão e, mais uma vez, os caminhos tortuosos da caatinga fazem uma vítima.


A narrativa acima mostra com era resolvida às questões nos sertões acatingados do nordeste brasileiro na época do cangaço, pois, não existia a palavra clemencia principalmente na relação dos poderosos com eles mesmos ou com qualquer um que se atrevesse a questiona-los seja o motivo que fosse por disputa referente à terra, politica, familiar ou amorosa que geralmente terminavam de forma violenta nas quebradas ermas desses lugares inóspitos de uma região que sangrava com tantas violências, desumanidades e injustiças que levaram tantos homens a escolherem os caminhos das armas que transformou o solo nordestino em uma tumba sempre pronta a receber a próxima vítima.


É dentro desse contexto de brutalidades múltiplas que o cangaceiro Antônio Silvino e seu bando se esgueiram de forma lisa, sendo o ferro que fere o fogo que queima, sem ter medo da morte, desbravando as caatingas, provocando agonias em uma terra sem Deus, onde a força das armas e a coragem faziam a diferença entre a viver e morrer.


Julierme Wanderley é professor de Geografia e pesquisador do cangaço

Por Trás do Blog
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