Invasão de Mossoró pelo bando de Lampião vira roteiro de filme dirigido por Jacinto Moreno

O cineasta e diretor de teatro Jacinto Moreno é norteriograndense radicado em João Pessoa desde os anos 1980. Premiado na Europa e atuando culturalmente no município de Santa Rita(PB), Jack Monero ( seu pseudônimo teatral), fez um belo tributo a Mossoró(RN0 construindo um roteiro cinematográfico sobre a invasão da cidade, em julho de 1927

um acontecimento em que o bandoleiro foi derrotado em virtude da resistência armada da cidade.


Jack Monero é diretor de teatro e cineasta com atuação em Santa Rita e João Pessoa


Conheci Jacinto Moreno no início dos anos 1980 num congresso nacional de teatro realizado em Belo Horizonte pela Federação de Teatro Amador; depois o reencontrei já em João Pessoa. Com ele realizei algumas oficinas teatrais em Santa Rita e João Pessoa.

Seus trabalhos estão disponíveis no YouTube e também na TV Câmara (João Pessoa). A seguir, o blog reproduz o roteiro para cinema dessa espetacular aventura lampiônica .



Mossoró X Lampião

by Jacinto Moreno

Jack Monero

Vicente Netto.




Pesquisa\Prosa – 1927-1982 – 55 anos

Da entrada de Lampião em Mossoró.



01 – O alerta geral:

Assim que surgiu as primeiras horas do Domingo, 12 de junho de 1927, ocorreu a célere e alarmante noticia, por toda cidade, que o grupo famado desses hunos da nova espécie, tentara atacar e saquear a vizinha cidade do Apodí-Rn, tendo os mesmos sidos obrigados a se recuarem em vista da resistência heroica encontrada por parte dos habitantes desta cidade, e que estando eles, os cangaceiros, desesperados, pelo fato de terem fracassados, rumaram para a vizinha cidade de são sebastião, atualmente conhecida como DIX-SEPT ROSADO, neste município, e por isso, de lá viriam a Mossoró, no intuito de locupletar as algibeira do sinistro Lampião.

Incendiaram a cidade de São Sebastião e vitoriosos, o bando de lampião, prosseguiu sua trajetória infame e o seu traçado equipando de toda sorte de crime.

Rumaram a Mossoró.

A cidade o esperava.


02 - Sessão da Intendência:

E assim foi.

Pelas –12- doze horas do dia –12- doze de junho de 1927, o Cel Rodolfo Fernandes, digno e operoso prefeito, na época, fez uma reunião no passo municipal – Cadeia Municipal – atualmente, Centro Cultural Manoel Hemetérito, à qual estiveram presente várias pessoas, entre eles, comerciantes, autoridades, pessoas gradas e representantes da imprensa local, numa só finalidade: livrar-se da comissão anteriormente organizada para arrecadação do dinheiro no comércio local, afim de fazerem aquisições e armazenamento de armas e muniçoes para defesa eventual da cidade de Mossoró contra os cangaceiros.

Depois, fizeram explanação de noticias chegadas de vários pontos estratégicos do sertão, passa a palavra a Jayme Guedes, atual gerente da sucursal do Banco do Brasil, nesta cidade, lendo os nomes dos contribuintes para compras de armamentos e munições, cuja soma, amontoou em vinte e dois contos de réis.


Baleado e capturado, o cangaceiro Jararaca, ex-soldado do Exército, foi enterrado vivo em Mossoró.


03 – As Providências:

Há mais de mês que a população da cidade de Mossoró não tinha tranquilidade, pois, viviam sobre eminência de vários perigos, sobre as ameaças do famigerado bandido Lampião.

Lampião, Sabino e Massilon Leite, foram os cangaceiros que atacaram cidades, matando, roubando e incendiando, pois, os homens de mMssoró sabiam que lampião encontrava-se com o intuito de fazer sua própria independência com fruto das atividades e dos trabalhos dos mossoroense por mais fidégicas que fosse as informações que recebiam e que não poderiam deixar de acreditar em tamanha audácia. Este era o plano e era verdadeiro, de modo, que ficaram atentos.

Muito ocorreu pra isso.


Preconcedido do Cel Rodolpho Fernandes, na época, Prefeito da cidade de Mossoró, cuja preocupação neste sentido visivelmente absorvente.

Todas as medidas de segurança foram tomadas, sugerida e discutida pelos presentes, os excelentíssimos senhores doutores, José Augusto e Benicio Filho, dignos presidentes do Estado e chefe de policia local, nos quais sempre encontraram a melhor boa vontade e o mais decidido apoio, acudindo as solicitações e apelos.

Reconheceram os sacrifícios que fizeram e as circunstâncias que impuseram ao Estado, ao qual, ficaram sabendo corresponder com amor e dignidade. Por outro lado, tiveram influência nisso tudo, prestando serviços nas emergências que vinham passando.



04 – Itinerário do Bando

Em todos os momentos graves da vida social, deram exemplo de solidariedade, da mesma maneira que nada o separou nas condições precisas, formaram com muita coragem um só bloco e um só corpo, com o impulso do povo de mossoró e da consciência cívica e do coração aberto às grandes causas.

Não quiseram entrar em detalhes que poderiam resultar em esquecimentos não propositais, para verem o conjunto nas suas linhas harmoniosas.

Houve defeito em todas as partes, e , em toda organização foi possível prever ou remediar com recursos parcos. Cada um dos habitantes, naturais ou não, não era possível exigir do que tinha feito a mais. Continuaram a fazer com mais dobrada abnegação para honra e orgulho dos mesmos. Foi assim as medidas oficiais do poder público, que foi responsável pela manutenção da ordem e pela segurança de vidas e propriedades.

Essas medidas foram oportunas dentro das possibilidades do estado, devendo dispor sempre das tomadas de acordo, com elementos dirigentes, com os quais sempre estiveram em contacto e principalmente o esforço inegável do Tenente Lauretino de Moraes, delegado de policia, e seus dignos companheiros, tenente Àbdon Nunes de Carvalho e João Antunes.

Todas as outras atividades foram bem dispostas.

O famigerado bando não encontrou o povo de Mossoró desprevenido, vivendo pacato e ordeiramente ao labor do cotidiano às estranhas cenas do cangaceirismo.

A população não se tomou de pânico.

Não se rendeu desorganizados.

Muitas famílias procuraram abrigo nos municípios, com calma e resignação. Internado em Aurora, estado do Ceará, segundo noticias oficiais, sendo seguido, o bando atravessa o estado da Paraíba e penetra no território do Rio Grande do Norte, onde ataca fazendas, evitando a vizinhança da nossa cidade, onde seria combatido.

Lampião faz prisioneiros, por cuja liberdade, exige uma quantia de 500 contos de réis, depois, abatendo para 400 contos de réis. Rouba, saqueia, faz miséria e terror.

Aproximaram de Apodí.


Destacaram um grupo que o ataca, afim de ludibriar o povo de Mossoró, ruma para a mesma, com seu séquito criminoso, cortando as comunicações telegráficas com a vizinha cidade de Caraúbas, avançam sobre São Sebastião e chegam entre 23 às 24 horas, e aí, saqueiam, roubam, depredam, incendeiam, matam, violentam, praticam defloramentos e saciaram seus instintos selvagens.

Sabendo dos atos pacíficos dos Mossoroenses, desceram vagarosamente, ao meio dia, do dia – 12 – doze de junho e de lá, começaram a ser avistados à léguas de distâncias.

Lampião mandou uma intimativa para o Prefeito atual, o Cel. Rodolpho Fernandes, pra que enviasse uma quantia de 400 contos de réis, sob a pena de invadir a cidade e que foi respondido negativamente.

Seguiram outros e mais outros e nada.

O bando entra em contacto diretamente com a cidade de Mossoró.

E se dá muito mal.


05 – O Ataque:

Por volta das 16 horas, já divididos, os bandidos apareceram em diversos pontos da cidade. O sina da matriz repicava alertando os pontos que estavam preparados. Na torre, estava pra iniciar a luta a qualquer momento. Ao troar os fuzis, casa-se ao som do ribombo do trovão, e, antes do inicio da travada luta, começara a chover. { Se o Céu nos mandava lágrimas, também nos saudava. }, pois, ouvia-se em meio a luta, ao som abafado dos disparos, era comovente o espetáculo, pois, estava difícil cessar fogo.

Os bandidos investiram nas primeiras trincheiras, cortando caminho, ladeiam e seguem ao lado da estação ferroviária, e conseguiram entrar no prédio da antiga união de artista, entrincheirando-se.

Chegam a margem direita do rio, defendida pela trincheira da barragem. O telégrafo nacional foi outro local, que fora defendido, e, onde chegavam, estava o Fogo.

Os Tenentes Laurentino, Àbdon e Antunes, percorreram trincheiras e policiaram lugares mais desertos. Desenvolveram atos de verdadeira temeridade. As torres da capela da matriz, das trincheiras de São Vicente e as trincheiras atacadas diretamente com as retaguardas, tem se nutrido no mais absoluto tiroteio.


Recuaram.


Voltaram a carga e repelidos, voltam ao acampamento. O bandido [Colchete], fica morto e mais alguns feridos. Os defensores nada tiveram. Nenhum ferimento leve. Toda a noite da Segunda feira, foi um sobressalto, que vez por outra, havia tiroteio.

Estavam atentos.

O tempo passa e pela manhã da Terça feira, o grupo ruma com destino a Jaguaribe, no Ceará, em demanda a limoeiro.

Os mossoroenses nada sabiam da posição exata de lampião, que era, por completo, traiçoeiro, insindioso, talvez, de refazendo, porque chegou com 53 cabras e levou 48, ficando inerte, os restantes, assim, tendo motivo para um novo ataque.

A cidade se mantinha a postos.

Os elementos de defesa, criado pela remessa, e, ofertado pelo chefe de policia, soma em mais de trinta fuzis e munição.

Segundo informações prestadas, por volta das duas horas e trinta minutos, na tarde, do dia –13-treze, Lampião reuniu seu grupo a toque de corneta, chamou Sabino e queria que o bando fizesse novo ataque.

Escondido atrás do cemitério, seguiram a estrada de ferro, atacam a trincheira de São Vicente, foram repelidos, recuam.

Vencidos, chegam ao chefe.


LAMPIÃO, toca pra frente.

E se foram.


Segundo depoimento de Jararaca, o bando era composto pelos facínoras:


06 – Os Cangaceiros:


01 – LAMPIÃO – Virgulino Ferreira da Silva \ 02 – SABINO – Sabino Leite \ 03 – BENEVIDES – Massilon Leite, pois seus pais moravam na cidade de Luiz Gomes-Rn \ 04 – JARARACA – José Leite de Santana – Preso e morto na cidade de Mossoró-Rn, era natural de Buique, no Estado de Pernambuco \ 05 – EZEQUIEL – Ezequiel Sabino Leite – irmão de Sanino Leite \ 06 – VIRGINIO – cunhado de Sanbino Leite \ 07 – LUIZ PEDRO – Natural de Retiro \ 08 – CHUMBINHO \ 09 – ZÉ DELFINO – conhecido popularmente como Mormaço \ 10 – MANOEL ANTONIO - Natural de Bom Nome \ 11 – QUINDÚ – Natural de Bom Nome \ 12 ÁZ DE OURO – Natural de São Francisco \ 13 – CANDIEIRO – Natural de Serra do Monte \ 14 – BARRA NOVA – Natural de Serra do Monte \ 15 – VAREDA – Irmão de Candieiro \ 16 – SERRA DO MAR \ 17 – RIO PRETO – Vicente Feliciano - * Seu corpo não entrava bala*- Natural da Paraiba \18 – LUIZ SABINO – Moço Audacioso \ 19 – FORTALEZA \ 20 – MORENO – Muito Malvado \ 21 – EUCLIDES \ 22 – BEIJA FLOR – Natural do Piauí \ 23 – CHÁ PRETO \ 24 – TENENTE - José de Souza – Natural de Riacho dos Navios \ 25 – TROVÃO – Natural de Serra do Mato \ 26 – CAMILO – Natural de Serra do Mato \ 27- ANTONIO SANTOS- Natural do Ceará \ 28 – MARRECA – Natural do Pajeú=Quelé = \ 29 – BEM-TE-VÍ – Natural do Carirí \ 30 – SABIÁ – Cangaceiro Velho – Natural do Carirí \ 31 – PINGA FOGO – Natural do Ceará \ 32 - ZÉ RELÂMPAGO – Natural do Carirí \ 33 – VINTE E DOIS- Natural do Carirí \ 34 – LUA BRANCA – Irmão de Vinte e Dois- Natural do Carirí \ 35 – COLCHEADO – Natural de Pernambuco \ 36 – PAI VELHO – Natural de Carvalho de Piranhas \ 37 – ZÉ PRETINHO - 38 – LUIZ PEDRO – há cinco anos com Lampião \ 39 – MERGULHÃO – Natural do Pajeú=Quelé= \ 40 – COQUEIRO – Natural do Ceará – Atirou no carro do Cel. Antonio Gurgel, no brejo \ 41 – OLIVEIRA – Famoso Menino de Ouro \ 42 – QUIXADÁ \ 43 – COLCHETE – Era pequeno e atrevido e repugnante – Morreu na casa do Prefeito de Mossoró – cel. Rodolpho Fernades, na época. \ 44 – ZÉ COCO \ 45 – ZÉ ROQUE... \ 46... \ 47... \ 48...

E outros que Jararaca não se lembrava.


07 – O Bilhete:

Cel. Rodolfo,

Estando eu até aqui, pretendo é dieiro.

Já foi um aviso ahí para o Sr.

Se por acauso resorverme a mandarme a importância que nóis pede eu envito da entrada ahí, porem não vindo esta importancia eu entrarei até ahí. Penso que a deus querer eu entro a vai haver muito estrago por isso se vier o dieiro eu não entro ahí, mas mande reposta logo.


Capitão Lampião.



08 - A Carta:

Virgulino, Lampião,

Recebí o seu bilhete e respondo-lhes que não tenho a importância que pede e nem o comércio. O banco está fechado e os funcionários retirados daqui.

Estamos dispostos a a carretar com tudo o que o Sr. queira contra nós. A cidade acha-se firmimente inabalavel na sua defeza.

Confiando no mesmo.

Rodolpho fernandes.

Prefeito.


09 - A Biografia:


Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião.

Nasceu em vila bela, Serra Talhada, no ano de 1.900. Tinha 12 anos e estava no terceiro ano primário, quando resolveu trocar os estudos pela vida de vaqueiro em que achou fama pelo o seu destemor. Aos 17 anos, tornou-se tropeiro, familiarizando com os caminhos e estradas da região.

Episódio sem maior importância o levou a prisão, de onde foi libertado pelos irmãos, pela força das armas, assassinando o filho do delegado de policia que mandara prender Virgulino.

Começou a luta entre duas famílias.

Ferreira, de Virgulino.

Nogueiras, do Delegado.

Antes, as familias, eram amigas.

Refugiando-se em alagoas, os irmãos de Virgulino são procurados por uma volante que era comandada pelo cabo Lucena. A casa de Lampião foi cercada e invadida na ausência dos irmãos, e foi assim que o pai foi assassinado, e, em consequência disso, a mãe morre de colapso cardíaco. Aí, por volta de 1917, começou a vida de cangaço de Virgulino, que conquistou o apelido de Lampião. Quando em um de seus encontros com a policia, se gabava, que no decorrer da luta, sua espingarda nào deixava de Ter clarão, tal com um Lampião. A luta das duas e, depois de outras, famílias, propiciaram o banditismo, em que costeiro por hostilidades aos inimigos de Lampião, ou por temor de represálias que não tinha limites, cooperava para o insucesso da perseguição policial.

Vigorou a lei ou preocupação, vindo do estrupo ao incêndio, do saque ao assassinato frio. Na fase da presença da coluna Prestes, Lampião foi convidado a colaborar com o governo, por intermédio de Padre Cícero que lhe ofereceu a patente de capitão e por isso, aproveitou para armar melhor o seu bando. Fazia do sertão de Sergipe e Bahia, seu quartel general, onde radiava para outros estados do nordeste [ Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará ], pois, chegou a investir contra a cidade de mossoró, dominou várias cidades, saqueando e dominando fazendas. Em 1929, conheceu Maria bonita que abandonou o marido. Não demorou e em 1938, na fazenda Angicos, foram surpreendidos pela volante de José Bezerra, de Alagoas. Morreu na luta com Maria Bonita e seus cangaceiros.

As cabeças de Lampião, Maria Bonita e alguns cangaceiros, ficaram exposta ao público, à quase trinta anos, Salvador, no museu Nina Rodrigues.

Suas façanhas geraram ciclo na literatura de cordel.

FIM.

Copyright by autor.

J.PESSOA\PARAIBA.

1982-2002.