Lampião envia Bilhetes de extorsão (inúteis) e recebe como resposta tiros de rifles Winchester 44

Por João Costa


Por volta do mês de fevereiro de 1925 o pavor toma conta das populações ribeirinhas do Moxotó e Capiá, sertão Alagoano, uma vez que um bando de celerados, comandados pelo já famoso Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, assediam povoados, sítios e fazendas; o medo causa êxodo rural em busca de proteção porque pairava no ar entre as mulheres o pavor de estupros.


Sentados da Esquerda para direita, os irmãos Antônio Ferreira, Virgulino Ferreira e Antônio Rosa


Mas em missão de paz e de sentimento de perda, Lampião se demora no povoado de Santa Cruz do Deserto acendendo velas no cemitério local no túmulo dos seus pais: José Ferreira e Maria Sulema.


Em seguida acelera os passos alcançando Pariconha, vilarejo que já conhecera de perto a truculência da horda, mas que agora a visita limita-se à extorsão de comerciantes e sitiantes.


O mesmo ocorre na Vila da Pedra, Água Branca, uma vez que o mensageiro de Lampião não dá sossego à sua montaria carregando em seu embornal cartas variadas ameaçando, extorquindo comerciantes; os jornais cuidam das manchetes sensacionalistas, a partir de relatos de delegados e famílias em fuga.


O destino de Lampião é a próspera vila de Paulo Afonso, hoje município de Mata Grande, centro comercial pujante na divisa com Pernambuco, onde se arrancha no Sítio dos Almeidas, para daí despachar, mais uma vez, seu mensageiro com vários bilhetes ameaçadores.


Eis que numa reunião da comuna em polvorosa surge um cidadão de nome Campos Uchoa, comerciante, já portando seu rifle Winchester papo amarelo 44 com duas cartucheiras fornidas, que fala curto e grosso.


- Olha aqui, portador não merece pancada, sendo assim seu cabra, volte e vá dizer aquele moleque que o povo daqui vai recebe ele à bala”, disse Uchoa.


Nos arredores, Lampião está friamente esperando por respostas, preferencialmente na forma de dinheiro e joias – eram as condições para deixar todos em paz.


Antes do sol se pôr a pequena Paulo Afonso, fecha portas e janelas pois o bando é avistado em movimento na ponta da rua comercial, era a calmaria prenunciando a tempestade de balas no início da noite.


Virgulino Ferreira, Lampião, fotografado em Juazeiro do Norte, em 1926


Moradores mais destemidos haviam atendido o apelo de Campos Uchoa e o bando é acossado por balaços disparados de telhados e janelas; enquanto o Sol se põe, a hora da Ave Maria é iluminada pelas bocas de rifles que vomitam fogo sem parar.

Os civis não estão sozinhos na defesa da comuna, o delegado local, Justo Gomes e alguns “macacos” dão instruções:


- Carga à direita e à esquerda, mirem bem antes do disparo e se Deus é por nós, quem será contra nós”, repetia o delegado em meio à fuzilaria.


Lampião e bando tentam, mas não conseguem avançar; em represália, saqueiam e tocam fogo em bodegas no extremo da vila, até que...


Pou!


Um tiro certeiro atinge o facínora Damásio José da Cruz, o “Chá Preto”, que cai estirado no meio da rua e cuida de se arrastar até a linda de tiro dos seus comparsas em busca de socorro, proteção e...


Pou!


Desta feita é o cangaceiro “Sabiá” quem recebe dois tiros simultâneos na caixa dos peitos e repete “Chá Preto” se arrastando em busca de socorro.


Ato contínuo soa o som do apito de Lampião ordenando suspensão dos tiros, a retirada e o socorro aos feridos em condições de serem carregados; não longe da vila de Paulo Afonso, uma cova rasa é aberta e vira morada de “Chá Preto”. Sobre “Sabiá” ninguém sabe que fim levou.


Com a poeira assentada, a população se mostra orgulhosa pela resistência e bravura dos civis que pegaram em armas, mas se queda ressentida porque testemunhara a vergonhosa omissão das autoridades.


Artesanato nordestino com tem cangaço


Porque mesmo conhecedoras das rotas e das ameaças despachadas por bilhetes escritos de próprio punho por Lampião, pouco e quase nada fizeram – nem mesmo seguir o rastro do bando que prosseguia numa escalada assombrosa de razias, incêndios e mortes a cada bilhete não correspondido nas formas de dinheiro ou joias.


Fonte de consulta: Lampião na Paraíba, Notas para a História, de Sérgio Augusto de Souza Dantas.


Lampeão, Antes de ser Capitão, de Luiz Ruben F. de A. Bonfim.


Acesse: blogdojoaocosta.com,br


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