Lenda do cangaço: Antônio Silvino enfrenta contingente do Exército com 100 praças

Julierme Wanderley


Os sertões acatingados do nordeste brasileiro serviram de refúgio e fortaleza para as ações cangaceiras, pois, esse lugar inóspito servia como defesa natural, sendo um trunfo para aqueles que desde tenra idade convivia com esse meio rustico que moldava naturalmente o caráter dessa gente que suportava as dificuldades com o conhecimento que eles tinham desses lugares adquiridos com o dia a dia.


Ex-cangaceiro Antônio Silvino, lenda do cangaço com atuações também na Paraíba


Se buscava sobreviver às questões físicas e as inclemências humanas provocadas pelos donos de tudo inclusive das almas dessas pessoas que eram desprestigiadas pelos poderes públicos que serviam inquestionavelmente aos interesses dos poderosos que enriqueciam independentemente das hecatombes, geradas pela severidade climática dessas regiões semiáridas.


Para se ter uma noção da importância desse meio natural representado pela caatinga em favor das forças cangaceiras habituadas a esse campo de ação podemos nos reportar a um combate acontecido no dia 25 de fevereiro de 1907, nas imediações do então povoado de Aroeiras no estado da Paraíba envolvendo o grupo cangaceiro de Antônio Silvino com catorze integrantes e o Vigésimo batalhão de infantaria do exército comandado pelo capitão João Carlos Formel que na ocasião contava com 60 praças.


Numero aumentado por mais 40 praças do Quadragésimo batalhão de infantaria do exército vindos do Recife perfazendo um total de 100 praças que nas primeiras horas desse dia entraram em choque com os cangaceiros e se ouvia ao longe enlouquecedores estampidos de tiros e gritos, onde os bandoleiros lutavam como feras bestiais gritando impropérios contras os integrantes das forças federais que observavam boquiabertos os fora da lei em menor número lutando com uma desenvoltura inacreditável.


Antônio Silvino deixa a prisão, em Recife, para conhecer Getúlio Vargas, que anistiou cangaceiros


Por volta das 15h 00min o grupo cangaceiro escapa ileso do referido combate deixando para trás dois soldados mortos. Outra vez “Antônio Silvino” mostrava a sua capacidade de comando e sua ferocidade em combate e apresentava aos comandados João Carlos Formel que não era fácil combater feras no seu ‘habitat’ e que naquela região existia um soberano que sabia como ninguém os caminhos tortuosos da caatinga bravia.


* Julierme Wanderley é professro de Geografia e pesquisador


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