Luiz do Retiro – o pacto de sangue e a longeva carreira no cangaço ao lado de Lampião

Por João Costa

Luiz Rodrigues de Siqueira, pernambucano de Serra da Baixa Verde(Triunfo), protagonizou a carreira mais longeva entre todos os cangaceiros do bando de Virgulino Ferreira; ficou famoso atendendo pela alcunha de Luiz Pedro, ou Luiz do Retiro ou de Salamanta e por protagonizar acontecimentos que até hoje deixam os estudiosos do cangaço estupefatos além de despertar polêmica entre os historiadores.


Luiz Pedro entre Maria Bonita(E) e Neném do Ouro, poses para o ftográfo libanês Benjamim Abraão


Sua trajetória no cangaço começa em 1924, após fugir de casa aos 16 anos, e se encerra em 28 de julho de 1938 na Grota do Angico; ao todo, 14 anos de guerra ininterrupta ao lado de Virgulino Ferreira, Lampião, de quem tornou-se lugar-tenente, confidente de muitos segredos; o único entre os demais bandoleiros a ter conhecimento da procedência das armas, fonte de proteção, recursos e negócios privados de Virgulino.


A biografia de Luiz Pedro não cabe num artigo. Desde o ataque à cidade de Sousa, na Paraíba, em 1924, o mais rendoso realizado pelo bando, passando pela morte acidental de Antônio Ferreira, irmão mais velho de Virgulino e suas relações próximas ao casal Lampião e Maria Bonita até o gran finale do cangaço em Angico, sua personalidade e história estão ligadas à lealdade ao chefe.


Lealdade surgida de uma tragédia. Reza a lenda que Luiz Pedro matou acidentalmente Antônio Ferreira numa “brincadeira” de disputa por uma rede; sua arma disparou, acertou o Antônio, o segundo em comando do bando, Lampião compreendeu e relevou o fato, ganhando de Luiz Pedro lealdade eterna.


O capitão e Luiz Pedro estavam amarrados por um pacto de sangue, diziam os cangaceiros que sobreviveram a Angico.

Luiz Pedro esteve presente em todos as grandes razias e combates de Lampião, essencialmente os travados entre 1924 até o início de 1930, em que Lampião e seu bando não tiveram sossego por conta da caçada movida pelas volantes paraibanas e nazarenas.


Luiz Pedro, sempre na sombra ou no coice de proteção do capitão Virgulino Lampião, se destacou em todos os combates importantes do bando no enfrentamento de volantes famosas comandadas por Higino Belarmino, Optato Gueiros.


Bando de Lampião em Ribeira do Pombal(BA), após fugir de Pernambuco e das volantes paraibanas


Esteve nos encarniçados e sangrentos enfrentamentos com as volantes nazarenas que eram formadas por inimigos figadais de Lampião como Manoel Flor, Davi Jurubeba, Manoel Jurubeba, Inocêncio Nogueira, Elói Jurubeba, Euclides Flor; também esteve presente em combates icônicos contra as volantes paraibanas lideradas por Clementino Quelé e Raimundo Quirino, o subdelegado de Princesa Isabel(PB).


Na famosa estada de Lampião e seu bando em Juazeiro do Norte, em 1926, oportunidade em que Virgulino visitou familiares ali protegidos pelo padre Cícero Romão e onde recebeu a patente de capitão do Exército para combater a Coluna Prestes, Luiz Pedro também recebeu a patente de 1º Sargento do Exército.


Quando Lampião deixou para trás Pernambuco e Paraíba, passando a atuar na Bahia, Sergipe e Alagoas, lá estava também Luiz Pedro nos combates contra a volante de Manoel Neto.


Sua cabeça também foi colocada a prêmio e quem a entregasse decapitada receberia a recompensa de 10 contos de réis, segundo matéria do jornal “A Batalha”, editado no Rio de Janeiro, em 1933.


Quando a cortina se fechou para o cangaço em 1938, Luiz Pedro estava no palco de guerra, foi exitoso em deixar o palco sob fogo cerrado e voltar para ele para acabar morto com tiro de fuzil nos peitos.


- Ele tinha um pacto de sangue com o capitão; jurou morrer ao lado de Lampião, e acho que foi por isso que voltou para o coito, mesmo já estando a salvo, foi a avaliação de Ilda Ribeiro, a ex-cangaceira Sila.


- Num momento desse, de vida ou morte, ninguém volta a um lugar para abraçar a morte, ele voltou ao coito porque era ganancioso; sabia de todos os segredos do capitão e acho que voltou para resgatar o que era valioso do capitão Virgulino, opinou Zé Sereno, cangaceiro que também sobreviveu a Angico.


Já fora do cerco e do alcance dos tiros das volantes que atacavam o coito de Angico, Luiz do Retiro resolveu voltar para o exato local onde Virgulino Ferreira tombara, momento este em que recebeu um tiro nos peitos disparado pelo volante Antônio Jacó, mais conhecido por Mané Véio.


Reza a lenda que Luiz Pedro fora o cangaceiro mais abastado em dinheiro e joias e coube a Mané Véio se apoderar dos despojos de guerra. Insatisfeito, cortou os braços de Luiz do Retiro para depois cortar os dedos do cangaceiro para se apoderar dos anéis de ouro.


Depois do cangaço e com o fim das campanhas das volantes, Mané Véio deixou a polícia, se mudou para Goiania, trocou de nome assumindo a identidade de um irmão já falecido, virou ourives em decorrência de tanto ouro que se apoderara em Angico, casou e constituiu família.


Relatam que esse Mané Véio morreu na prisão, em São Paulo, condenado por ser o mandante do assassinato da própria esposa e filha, pelo fato de não aceitar o fim da relação e pela recusa em pagar pensão alimentícia.

Acesse: meiaduziadetresouquatro pelo Facebook e You Tube.

Fonte: Cangaceiros de Lampião – de A à Z, de Bismarck Martins de Oliveira

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