Luiz do Triângulo: ex-cangaceiro e comandante estrategista na Revolta de Princesa

João Costa


Cangaceiro de muito talento para comandar e combater, Luiz Pereira Nunes ou Luiz Pereira de Souza, mas que também atendia pelos nomes de Luiz da Cacimba ou Luiz do Triângulo, tinha parentesco com Virgulino Ferreira da Silva Lampião, e o seguiu por um tempo na aurora do cangaço lampiônico.


Casa onde morou Luiz do Triângulo nos arredores de Patos de Irerê, em São José de Princesa


Quando Virgulino Ferreira ingressou no bando de Sinhô Pereira com os irmãos Antônio e Livino Ferreira, levou junto um parente de nome Luiz Pereira Nunes. Outras fontes relatam, entretanto, o parentesco de Luiz do Triângulo com Sinhô Pereira e Luiz Padre.


Em Associação ao bando de Sinhô Pereira, Luiz combateu ao lado de Virgulino durante as jornadas de razias e assassinatos entre 1919 e 1922, isso porque comandava seu próprio bando que agia na região do Pajeú.


No início, em 1919, sob o comando de Sinhô Pereira, combateu a família Carvalho e participou de razias a várias fazendas na região de Triunfo(PE).


Em 1922, quando Sinhô Pereira deixou o cangaço e ungiu Virgulino Ferreira como chefe de bando, Luiz do Triângulo o acompanhou no primeiro ataque, realizado para atender a um pedido de vingança de Sinhô Pereira, a casa do coronel Luiz Gonzaga Lopez Ferraz, em São José do Belmonte.


Este famoso ataque resultou no assassinato do coronel Luiz Gonzaga e na morte de cinco cangaceiros, entre eles, Baliza.

As ações em coalização com o bando de Virgulino foram esporádicas nesse período pelo fato de Luiz do Triângulo manter diferenças com o famoso cangaceiro Sabino Goré.


O mundo do cangaço era pequeno demais para acomodar no mesmo bando Sabino Goré, ou das Abóboras e Luiz do Triângulo. Os dois não se toleravam e, reza a lenda, quando Sabino se associava com Lampião para algum ataque, Luiz do Triângulo não comparecia e a recíproca era verdadeira.


Luiz do Triângulo deixou o cangaço em 1924, deixando para trás ataques e razias em associação com Lampião, como o consentimento do próprio Virgulino.


- Afinal, Luiz do Triângulo era parente e estava seguindo o mesmo caminho de Antônio Matilde, tio postiço de Lampião, que deixara o cangaço após juntar dinheiro.


Depois de fazer seu “pé-de-meia”, era a oportunidade de abandonar o cangaço.


Capela de São Sebastião, na principal cidadela do povoado de Patos de Irerê


Assim Luiz do Triângulo atravessou a divisa entre Pernambuco e Paraíba, para buscar abrigo e proteção em Princesa Isabel(PE), domínios do coronel Zé Pereira, que por esse tempo, era coiteiro, amigo e sócio de Virgulino Ferreira, segundo relatos.


Outros cangaceiros acompanharam Luiz do Triângulo, quando este foi trabalhar para o coronel José Pereira, entre eles o cangaceiro de nome Chiquito, que era seu lugar-tenente.


Pesquisadores apontam que o ataque a cidade de Sousa(PB), em junho de 1924, assinalou o racha entre o coronel Zé Pereira e Lampião. Foi exatamente esse ataque que provocou o escalonamento por parte do governo no combate ao banditismo rural na Paraíba.


Após tornar-se inimigo de Lampião, o coronel Zé Pereira assumiu o comando do combate ao cangaço na região de Princesa, divisa com Triunfo.


Luiz do Triângulo ficou do lado de Zé Pereira e passou a comandar uma volante paraibana, tal qual fizera Clementino Quelé, outro ex-cangaceiro de Lampião, que tornara-se protegido de Zé Pereira.


Virgulino Ferreira não digeriu muito bem essa nova realidade na Paraíba, em que ex-amigos, sócios e cangaceiros mudaram de lado, aliando-se à força policial no combate ao cangaço.


- Foi traição da mais infame, teria se queixado Lampião.


- E tudo que ande ou rasteje em associação a esses dois, deve morrer e nenhuma de suas propriedades será poupada, foi à sentença baixada por Virgulino Ferreira.


De cangaceiro e estrategista militar


Logo no início de agosto de 1924 Lampião começou a dar o troco aos seus novos inimigos.


Atacou e incendiou uma fazenda do coronel Zé Pereira num lugar de nome Sozinho, região da “baixa verde”, entre Princesa e Triunfo.


Nesse combate Virgulino Ferreira, feriu a tiros de fuzil, capturou e sangrou Chiquito, cunhado de Luiz do Triângulo, e que também fora seu lugar-tenente.


Em fevereiro de 1930, quando estourou a Revolta de Princesa, comandada pelo coronel José Pereira contra o governo do presidente João Pessoa, o caudilho de Princesa não teve dúvidas: recorreu a Luiz do Triângulo, seu protegido e respeitado por todos na região como “Senhor da Guerra”.


De fato, Luiz do Triângulo não faltou com seus compromissos com José Pereira que organizou e armou um exército de 1.500 homens para combater o governo de João Pessoa.


A Luiz do Triângulo foi entregue o comando de mais de 300 homens, tendo recebido na ocasião a patente de “capitão” das forças revoltosas de Princesa.


Se destacou no comando dos revoltosos pelo planejamento de emboscadas e êxito nos combates, aplicando sucessivas derrotas às forças militares do governo.


No município de Água Branca, Luiz do Triângulo obteve sua maior vitória na Guerra de Princesa, ao armar a maior das emboscadas que resultou na morte de mais de 100 soldados, destruição de dez caminhões que transportavam munições e armas.


A Revolta de Princesa durou de fevereiro a julho de 1930, quando coronel José Pereira capitulou acarretando em perseguições e assassinatos de revoltosos e seus familiares.


Luiz do Triângulo não esperou tempo ruim e por um tempo desapareceu no oco do mundo sem deixar rastro.


Outras fontes dão conta que, quando a “maré baixou”, Luiz do Triângulo reapareceu em São José de Princesa para viver confinado em sua propriedade onde morreu de câncer e idoso.



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Fonte: Cangaceiros de Lampião de A a Z, de Bismarck Martins de Oliveira.

Com relatos de José Tavares, escritor e pesquisador