Luiz do Triângulo: personagem icônico da Guerra de Princesa que a História apagou - injustamente

A chamada “Guerra de Princesa”, movimento rebelde liderado pelo coronel José Pereira, entre fevereiro e julho de 1930, impressiona pelo ineditismo da motivação: tornar um município – Princesa Isabel – independente do estado da Paraíba, sob a alegação de arrocho fiscal, mas confessadamente um movimento para provocar uma intervenção federal no estado.




Impressiona mais ainda a maneira como historiadores, ditos oficiais, deixaram em segundo plano ou simplesmente apagaram dos registros, personagens do conflito, chefes militares e de bandos rebeldes, decisivos na guerra, a exemplo de Luiz Pereira de Souza – o icônico Luiz do Triângulo.


O muito que se sabe desse personagem, é que era um pernambucano de São José do Belmonte, conhecido como Luís da Cacimba Nova ou Luís Quina. Seu nome de nascimento era Luiz Nunes de Souza, mas ele mudou no cartório, tirou Nunes e pôs o Pereira, logo, Luiz Pereira de Souza, segundo relato de seus descendentes, mais precisamente uma filha de nome Carmem Pereira, ou “Carminha”.


Em 1930 foi convidado por seu parente o coronel José Pereira e lutou ao seu lado na Revolução de Princesa (PB). Antes, já na década de 10 pegara em armas como subchefe de grupo de cangaceiros do famoso Sinhô Pereira, de quem era parente lutando, lado a lado, nada menos com Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, como companheiro de armas, antes deste suceder o Sinhô Pereira na chefia do bando.


Luiz da Cacimba Nova, segundo relatos orais, mantinha uma milícia familiar, (como se diz hoje) ou seu próprio bando de cangaceiros formado por homens da sua maior confiança os primos, Chiquito, Chocho, Torquarto, Toinho da Cachoeira, Teotônio da Siliveira e José Bizarria.


Relatos orais dão conta que Luiz atravessou a divisa para se instalar na região de Princesa, sob o manto protetor do coronel José Pereira – espécie de “governador do Sertão” – que abrigava em seus domínios “homens em conflito com a lei”, jagunços, cangaceiros e ex-cangaceiros. Luiz foi um deles.


Da mesma maneira ou por outros motivos, o coronel José Pereira também deu abrigo a Clementino José Furtado, o Clementino Quelé, também ex-cangaceiro de Lampião, e tornado sargento da Polícia Militar da Paraíba por influência política do próprio coronel.


Ao fazer uma breve pesquisa sobre a “Guerra de Princesa” para construção de um roteiro teatral, nos deparamos com esse personagem, Luiz do Triângulo.


Enigmático, estrategista militar, a ponto de liderar mais de 500 revoltosos em armas, Luiz do Triângulo, durante a “Guerra”, foi surpreendido com o sequestro da sua esposa Antônia Pereira de Souza, Mitonha, pelo sargento da PM Clementino Quelé e sua volante.


O sargento Quelé raptara não apenas Mitonha, mas também Alexandrina Pereira Diniz, dona Xandu, esposa de Marcolino Diniz, um dos chefes da revolta.


O objetivo do sargento Quelé era tomar mulheres e crianças na vila de Patos de Irerê para usá-las como “escudos humanos” na presunção de que os revoltosos não disparariam suas armas contra a polícia; provavelmente leva-las para a capital do estado com a finalidade de forçar uma rendição por parte dos rebeldes.


Se, historiadores ditos oficiais nada informam em profundidade sobre esse Luiz do Triângulo, é uma oportunidade para dramaturgos, roteiristas de cinema e romancistas paraibanos resgatarem do anonimato histórico tal personagem.


A casa onde o casal Luiz do Triângulo e Mitônia Pereira residia, em Patos de Irerê - distrito de S. José de Princesa

Por Trás do Blog
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